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Funeral de Estado de Jorge Sampaio seguido nas ruas por centenas de portugueses
Portugal 12 5 min. 12.09.2021
1939-2021

Funeral de Estado de Jorge Sampaio seguido nas ruas por centenas de portugueses

Funeral de Jorge Sampaio
1939-2021

Funeral de Estado de Jorge Sampaio seguido nas ruas por centenas de portugueses

Funeral de Jorge Sampaio
LUSA
Portugal 12 5 min. 12.09.2021
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Funeral de Estado de Jorge Sampaio seguido nas ruas por centenas de portugueses

Redação
Redação
Cidadãos acompanharam discursos e cerimónia de Estado, nos Jerónimos, através de um ecrã gigante, e despediram-se de Jorge Sampaio com aplausos e "vivas" emocionados. Marcelo, António Costa e filhos do antigo Presidente da República discursaram na cerimónia.

Centenas de pessoas, cidadãos anónimos, juntaram-se em Belém, junto ao Mosteiro dos Jerónimos, para se despedirem do ex-Presidente da República, Jorge Sampaio, que morreu esta sexta-feira, aos 81 anos. 

Longos aplausos antes e depois da cerimónia de Estado, "vivas" emocionados ao ex-chefe de Estado, foram as formas escolhidas pelos populares presentes para prestarem a sua derradeira homenagem.

Nos discursos, que foram transmitidos no exterior, num ecrã gigante para os cidadãos poderem acompanhar a cerimónia, restrita a figuras de Estado e personalidades convidadas, Marcelo Rebelo de Sousa, atual Presidente da República, fez uma última homenagem ao antigo Presidente da República Jorge Sampaio, afirmando que "amou Portugal pela fragilidade" e "não pela força", e que "nunca que quis ser herói, mas foi".  

"Nunca quis ser herói, mais foi, em tantos e tantos dos seus lances de vida, heroico. Daquele heroísmo discreto, mais lírico do que épico, mais doce do que impulsivo. Firme, mas doce. E também por isso o recordamos com doçura. E lhe agradecemos o amor que nunca negou a Portugal, à sua maneira de amar Portugal", acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa.  


Jean Asselborn presente no funeral de Jorge Sampaio
Funeral de Estado realizou-se este domingo de manhã, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. Ministro dos Negócios Estrangeiros representou o Luxemburgo numa cerimónia reservada a 300 pessoas.

Outro dos discursos coube ao primeiro-ministro, António Costa, que se referiu à sua profunda ligação pessoal, profissional e política com o chefe de Estado de Portugal entre 1996 e 2006. O líder do Governo caracterizou Jorge Sampaio como “um exemplo de rigor ético, de sobriedade e honradez pessoal, de simpatia e empatia humana, de proximidade às pessoas, sobretudo às mais desfavorecidas, excluídas ou esquecidas”.

“Fazia isso com a autenticidade que punha em tudo e com a seriedade que nunca cedia à demagogia ou ao populismo. Nestes tempos de tantas tentações antidemocráticas, este património é fundamental. Mostra-nos como se pode ser um atento e vigilante defensor da democracia, não pactuando nunca com aquilo que a desvirtua ou desvaloriza, e fazendo tudo para denunciar e corrigir o que nela está mal, mas usando sempre esse combate e a denúncia dessas fraquezas para aperfeiçoar e reforçar a democracia - e nunca contra ela, para a depreciar ou desacreditar”, defendeu António Costa.

Para o primeiro-ministro a democracia portuguesa “pode e deve orgulhar-se por ter sido servida por um político maior como Jorge Sampaio e a República deve louvar-se por ter sido presidida por um cidadão exemplar como ele”.

A chegada do cortejo fúnebre do antigo Presidente da República Jorge Sampaio, ao Mosteiro dos Jerónimos, pelas 10h35, já tinha sido recebida pelos aplausos das centenas de pessoas que permaneciam no exterior para assistir ao funeral através de um ecrã gigante.


Jorge Sampaio, na altura presidente da Câmara Municipal de LIsboa, no meio da multidão no desfile comemorativo do 25 de Abril, na praça do Rossio, em Lisboa, em 1990.
Jorge Sampaio. Presidente, socialista, paciente e conciliador
Foi um dos protagonistas da crise académica do princípio dos anos 60, que gerou um longo e generalizado movimento de contestação estudantil ao Estado Novo.

No discurso mais pessoal e emotivo da cerimónia, os filhos do antigo Presidente da República, Vera e André, recordaram o seu pai como “um homem bom”, que sabia que na vida e na política “nada se pode fazer sozinho”.

Coube à filha mais velha o primeiro discurso na cerimónia oficial no claustro do Mosteiro dos Jerónimos, numa intervenção em que quis recordar o pai com a “autenticidade e proximidade” com que falava com os filhos.

“O nosso pai era um homem bom, atento e disponível, para quem as pessoas contavam cima de tudo, não as pessoas em geral, mas cada pessoa com nome e rosto”, destacou.

Jorge Sampaio, sublinhou, “não gostava de arrogância” e “cultivava a amizade e a camaradagem porque sabia que, na vida e na política, nada se pode fazer sozinho”.

André Sampaio, visivelmente emocionado, recordou o pai como um homem “popular sem ser populista, sempre próximo sem nunca banalizar a proximidade, que foi estadista e simultaneamente cidadão comum, que foi amado sem gostar de ser venerado”.

Rosas brancas adornam a charrete da GNR que transportou a urna, coberta pela bandeira nacional, e puxada por quatro cavalos brancos, num cortejo escoltado pela Guarda de Honra da GNR a cavalo.

Batedores da PSP, a Guarda de Honra da GNR, uma viatura também da GNR transportando as insígnias do antigo chefe de Estado e uma outra viatura transportando a família compuseram o cortejo.

À chegada ao mosteiro, a urna foi retirada por cadetes dos três ramos das Forças Armadas e recebeu novamente aplausos dos populares, desta vez mais longo e intenso.


Jorge Sampaio com as duas gémeas de Mafômedes que conseguiu que voltassem à escola.
Um homem com “um entusiasmo contagiante”
“Às vezes parecia uma criança pequena, na forma como se entusiasmava”, relata comovido Tiago Monte Pegado que foi consultor para a juventude no primeiro mandato da presidência de Jorge Sampaio.

O antigo chefe de Estado recebeu honras de Estado pelo batalhão com banda e fanfarra da GNR, as três insígnias foram transportadas por três oficiais das Forças Armadas.

A mulher de Jorge Sampaio, Maria José Ritta, e os filhos, André e Vera, juntaram-se ao Presidente da República, presidente do parlamento e primeiro-ministro enquanto o batalhão da GNR tocou a marcha fúnebre.

Iniciada a cerimónia, no exterior, a grande maioria das pessoas que aplaudiu a chegada do cortejo fúnebre aos Jerónimos continuou, apoiada nas barreiras de segurança, em silêncio, a ver a transmissão do funeral no ecrã gigante instalado perto da entrada do mosteiro.

No sábado, as portas do antigo picadeiro real, onde decorreu o velório de Jorge Sampaio, encerraram pelas 23h, depois de milhares de portugueses anónimos e também personalidades de vários quadrantes da sociedade, entre os quais o atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues e o primeiro-ministro, António Costa, prestarem homenagem ao antigo Presidente da República, mas também os líderes dos partidos, e os ex-presidentes da República, António Ramalho Eanes e Aníbal Cavaco Silva.

 O secretário-geral das Nações Unidas e antigo chefe do executivo, António Guterres, os antigos primeiros-ministros Pedro Passos Coelho, Pedro Santana Lopes e Francisco Pinto Balsemão e, também, o primeiro-ministro de Cabo Verde, José Ulisses Correia e Silva foram outros dos presentes para homenagear o “humanista” Sampaio, adjetivo utilizado ao longo do dia para o descrever.  


Imagem de arquivo
Bispo timorense e Nobel da Paz, D. Ximenes Belo, presta homenagem a Jorge Sampaio em Lisboa
"Estamos tristes, estamos comovidos", disse o antigo bispo de Dili, em nome dos timorenses, numa breve declaração aos jornalistas à saída do antigo Museu dos Coches, em Belém, onde decorre o velório do antigo Presidente da República.

O bispo timorense e Nobel da Paz, D. Ximenes Belo, também marcou presença no velório para prestar, em nome do povo timorense, o "agradecimento sincero e profundo à contribuição" de Jorge Sampaio para a independência timorense. 

As cerimónias fúnebres, que começaram ontem, com o velório no antigo Museu dos Coches e prosseguiram hoje com a cerimónia de Estado, desta manhã, nos Jerónimos, culminou com o cortejo fúnebre em direção ao Cemitério do Alto de São João, em Lisboa, onde o corpo de Jorge Sampaio ficará sepultado. 

Também aí, onde a cerimónia foi mais restrita, algumas dezenas de populares se reuniram, no exterior, para se despedir de Jorge Sampaio.

 As cerimónias oficiais do funeral do antigo Presidente da República Jorge Sampaio terminaram perto das 13h de hoje no cemitério do Alto São João, em Lisboa, seguindo-se um momento reservado à família.  

com Lusa

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