OPINIÃO: Um sábado laranja

Rui Rio e Santana Lopes.
Rui Rio e Santana Lopes.
Foto: Lusa

Sergio Ferreira Borges

O PSD vai escolher, este sábado, em eleições diretas, o seu próximo líder. Na corrida, estão Rui Rio e Pedro Santana Lopes que, até agora, não conseguiram criar grande entusiasmo, nem no eleitorado laranja, nem na opinião pública.

Os dois candidatos já se encontraram num debate televisivo que pareceu inconclusivo, embora haja comentadores que atribuam a vitória a Santana Lopes. Houve mesmo quem fosse ao exagero de dizer que ele “encostou Rui Rio às cordas”. É um comentário vindo de alguém que confunde a realidade com os seus próprios desejos.

As sondagens, entretanto conhecidas, também não apontam a vitória clara de qualquer dos candidatos. Mas convém sublinhar que as sondagens, num universo restrito, como são os militantes do PSD, são de muito difícil execução e com resultados problemáticos que, muitas vezes, se afastam da realidade.

A única grande conclusão a que se pode chegar é esta: Rui Rio tem a maioria da sua quota eleitoral no norte do país e sente grande dificuldade em penetrar no sul. Pelo contrário, Santana Lopes está muito confortável no sul e consegue sucesso em algumas franjas do norte.

Por tudo isto, pode concluir-se que a votação será renhida e, provavelmente, decidida pelos sindicatos de voto que se organizam sempre, nestas alturas. Para usarem o seu direito de voto, os militantes são obrigados a ter as quotas em dia. No PSD, como noutros partidos, há sempre uma maioria que deixa relaxar essa obrigação. Aparece então a generosidade de alguém que paga as quotas dos outros, geralmente, em troca da promessa de os relapsos votarem em determinado candidato. E isto acaba por distorcer as vontades.

Em jogo, nestas eleições, está uma questão importante: saber qual dos dois candidatos está em melhores condições, para derrotar António Costa, nas legislativas de 2019. E, pelo que se pode ver, a tarefa é muito difícil para qualquer dos dois. Pedro Santana Lopes será sempre confrontado com o seu passado na chefia do governo, marcado por uma sucessão de trapalhadas que conduziu à sua demissão. Rui Rio tem feito disto uma das suas linhas de ataque ao adversário. Do lado de Rui Rio, a grande dificuldade está na pouca penetração que tem no eleitorado do sul. Santana Lopes está atento a isso e diz que Rio é “limitado e paroquial”.

Pelas insuficiências de Santana e Rio, o PS continua a liderar confortavelmente as sondagens. No sábado se ficará a saber em quem é que o PSD confia a difícil tarefa de enfrentar o PS e conter o CDS.

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