OPINIÃO: Um bloco de interesses sem interesse nenhum

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Sergio Ferreira Borges

A dois anos de distância das eleições legislativas, multiplicam-se os comentários e previsões sobre a futura solução governativa. E há muita gente que deseja a reinvenção de um bloco central, para afastar a influência do PCP e do Bloco de Esquerda da esfera governativa.

Sobretudo nos meios empresariais, surgem muitas opiniões que defendem a reconstituição do bloco central, especialmente se for o PS a vencer as eleições, como vão indicando as sondagens. Esta solução pretende, unicamente, afastar da área governativa os dois partidos de esquerda que, em convergência parlamentar, têm assegurado a estabilidade do governo minoritário do PS. Querem no poder um bloco de interesses.

Mas há quem pense de maneira diferente. Neste aspeto, torna-se muito interessante a recente entrevista da líder do CDS ao Diário de Notícias. Assunção Cristas exclui, liminarmente, qualquer possibilidade de o seu partido se vir a coligar com o PS, na sequência das próximas eleições. Pelo contrário, diz que o CDS está inteiramente disponível para repetir a coligação com o PSD.

Para que isto seja possível é condição necessária que o PSD vença as próximas eleições, o que, para já, não parece muito possível. É certo que o partido laranja está sem liderança e ocupado com a disputa entre Pedro Santana Lopes e Rui Rio, para saber qual deles vai substituir o desgastado Pedro Passos Coelho. E pode muito bem acontecer que o novo

líder, seja ele qual for, dê um novo alento ao PSD e que este consiga inverter a atual tendência das sondagens. Mas pouca gente acredita nisso, porque a maioria dos portugueses manifesta-se satisfeita com o atual Governo, que foi capaz de reverter o ciclo de austeridade e continua empenhado na devolução de rendimentos que foram sonegados pelo governo de Passos Coelho. E isso é mais importante que a série de azares de António Costa a que fiz referência no meu artigo da última semana.

Essa política está plasmada no Orçamento de 2018, e é certo que será ainda mais evidente no Orçamento de 2019, aquele que vai anteceder as eleições.

E aqui coloca-se outra questão que não é despicienda. Se o PS ganhar as eleições, como prevêem todos os indicadores até agora conhecidos, o novo líder do PSD estaria disposto a integrar um futuro bloco central, como segundo partido? Eu penso que não, embora em política já se tenha visto tudo.

É muito cedo para se pensar em qualquer solução governativa para substituir a atual geringonça. É melhor esperar para ver e, sobretudo, esperar pelas eleições internas no PSD.