OPINIÃO: O futuro de Passos começa a 1 de Outubro

Pedro Passos Coelho
Pedro Passos Coelho
Foto: AFP

Sergio Ferreira Borges

A política está de volta, marcada pelas eleições autárquicas de 1 de Outubro e também pelo que sobra das tragédias de verão, como a enorme vaga de incêndios.

As eleições para as autarquias estão apontadas para uma questão decisiva, para o PSD. Nenhum partido arrisca tanto como os social-democratas e nenhum político arrisca tanto como Pedro Passos Coelho. Nessa noite eleitoral, todos os comentadores vão retirar ilações de nível nacional, antes de analisarem os resultados locais.

É evidente que a liderança de Passos Coelho vai estar em causa nessa noite. Se o PSD obtiver um resultado que possa ser considerado uma derrota, no plano nacional, é mais que certo que os seus opositores internos vão pedir a sua cabeça, vão pedir a convocação de um congresso, tudo isto, para culminar com um processo eleitoral interno para a escolha de um novo líder.

O grupo de apoiantes de Rui Rio está atento a todos os pormenores da vida interna do PSD e tem as facas afiadas para essa noite. Aos seus íntimos, Rio já disse quais eram as suas condições para avançar. De entre elas, realça-se uma que será a última esperança de Pedro Passos Coelho. Rui Rio tem dito que não quer disputar eleições internas contra o atual líder, mas os seus apoiantes tentam convencê-lo do contrário.

Conhecedor desta reserva de Rio, Passos Coelho tem dito que, se os resultados de 1 de Outubro não evidenciarem uma derrota inequívoca, está na disposição de se recandidatar à liderança. E nessas circunstâncias, ele acredita que Rui Rio voltará a recuar, como já aconteceu no passado recente. É bom notar que o ex-presidente da Câmara do Porto já fez marcha atrás, numa eventual candidatura à Presidência da República e noutra putativa candidatura à liderança do PSD.

Mas há que contar com o aparecimento de outsiders, ou de outros que querem marcar presença na grelha de partida. De entre estes, destaca-se o ex-lider parlamentar. Luís Montenegro já disse que o seu passado lhe permite um lugar na discussão do futuro do partido. Mas na mesma entrevista, reafirmou a sua lealdade a Passos Coelho.

Pode extrair-se daqui uma conclusão. Se a derrota nas autárquicas for pesada, Passos Coelho retira-se da liderança e, no seu lugar, avança Luís Montenegro para o confronto com Rui Rio. Este cenário colocaria dois homens do Porto, num frente-a-frente que podia retirar alguns apoios a Rio. E Montenegro, em caso de derrota, nunca perderia tudo. Geralmente, os candidatos derrotados são bem tratados pelo partido. Ele podia sempre assegurar um lugar como euro-deputado.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.