OPINIÃO: A derrota anunciada

Pedro Passos Coelho
Pedro Passos Coelho
Foto: Lusa

Sergio Ferreira Borges

A derrota do PSD foi por mim prevista nesta coluna ao longo de meses. E como o próprio Passos Coelho disse na noite eleitoral, foi a pior derrota de sempre do partido laranja.

Estamos perante um resultado severamente punitivo. O eleitorado não apreciou a estratégia de Passos Coelho durante os últimos dois anos e descarregou, nas urnas, a sua reprovação.

Passos começou por dizer que não se demitia, de imediato, e que ia entrar num período de reflexão, mas que não mexeria uma palha na sua estratégia. Disse-o de sua livre vontade, porque nenhum jornalista o interrogou sobre o assunto. Para alguns, isto é teimosia, para outros é coerência. Mas Passos Coelho acabaria por anunciar na terça-feira que não se recandidata à liderança do PSD.

A derrota começou há muito, quando não conseguiu encontrar candidatos fortes para as duas principais câmaras do país. As escolhas que acabou por fazer, em desespero, foram o primeiro sinal de uma derrota pesada que o eleitorado agora confirmou.

Em Lisboa, o CDS ajudou muito nessa derrota. Assunção Cristas anunciou há muito a sua candidatura, sem esperar que o PSD lhe propusesse uma coligação. Ficou desde logo claro que, a haver uma aliança em Lisboa, seria a líder do CDS a cabeça de lista.

Passos Coelho não gostou que os antigos parceiros de governo lhe condicionassem o espaço de manobra e decidiu que avançaria sozinho. Mas não conseguiu encontrar uma cabeça de lista com reais possibilidades de vitória.

Resultado: Cristas ultrapassou a candidata do PSD e, no fim, fez uma festa, como se tivesse conquistado a presidência da Câmara. Até mandou instalar um palanque à porta da sede do partido. Isto é um sinal de que o CDS também quer que o PSD mude de liderança, para uma futura coligação alternativa à geringonça.

Muitos comentadores tentaram dividir o chumbo da derrota entre o PSD e o Partido Comunista. Não há como escamotear que o PCP perdeu 10 câmaras, das 34 que detinha. Isto pesa, mas

não é culpa da geringonça, nem do PS, como alguns comentadores de direita pretendem fazer crer. O eleitorado de esquerda gosta desta convergência que sustenta o Governo e, portando, não puniu nenhuma das forças que a compõem.

Os maus resultados do PCP são cíclicos e, quase sempre, provocados pelo imobilismo e aparelhismo do partido. Os comunistas sempre tiveram grande dificuldade em inovar e renovar. E quando o eleitorado se cansa da fórmula, faz sentir isso nas urnas.

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