Eleições autárquicas

Ivan Cação Coelho “O LSAP defende a população e os seus direitos”

 Ivan Cação quer um dia liderar a autarquia de Dudelange
Ivan Cação quer um dia liderar a autarquia de Dudelange
Foto: Caroline Martin

Ivan Cação Coelho nasceu há 27 anos em Dudelange e é presidente dos Jovens Socialistas. Entrou para o LSAP em 2013 e é candidato às eleições comunais na localidade pelo partido, que governa o Executivo camarário há mais de cinco décadas. O português, com dupla nacionalidade, quer um dia chegar a burgomestre. Esta é a última entrevista do Contacto a candidatos lusófonos dos seis principais partidos luxemburgueses às eleições municipais, que se disputam no próximo domingo.

Por Álvaro Cruz

Qual a razão que o levou a candidatar-se a estas eleições?

Nasci nesta cidade e trago-a no coração. Sinto-me na obrigação de dar o melhor de mim em prol do bem-estar da população e da vida comunitária em Dudelange.

Há quantos anos está na política e porque escolheu o Partido Operário Socialista do Luxemburgo (LSAP)?

Sou membro do partido há quatro anos e resolvi ingressar na política porque nas últimas eleições, em 2011, tive alguma dificuldade em fazer as minhas escolhas. Desde então, senti uma necessidade de assumir de forma mais efetiva o meu papel de cidadão. Comecei a interessar-me e fui analizando os programas de cada partido e aquilo que cada um deles propunha. Identifiquei-me facilmente com os ideais do LSAP, que nos últimos tem feito um excelente trabalho.

O que pensa da fraca participação dos portugueses nas eleições?

É um facto indesmentível que somos a comunidade estrangeira dominante no país, tal como em Dudelange, e que a nossa participação podia e devia ser bastante mais significativa. Os portugueses já estão no Luxemburgo há tempo suficiente para poderem ter um peso importante nas decisões políticas globais. Penso que as gerações mais recentes estão preparadas que assumir de uma vez por todas essa responsabilidade nas escolhas do futuro do país.

No poder há várias décadas, quais são as prioridades do LSAP em Dudelange?

Essencialmente o bem-estar geral da população, com particular atenção para crianças e jovens. Dudelange tem vindo a desenvolver-se bastante, com um reforço substancial do nível de vida dos seus habitantes. Sofreu várias transformações e modernizações e teve uma grande evolução nestes últimos anos, em todos os aspetos. Tem uma vida ativa e cultural das melhores do país e a aposta nas infraestruturas desportivas tem sido reforçada, com resultados bastante positivos. Os responsáveis da autarquia vão de encontro às necessidades da população e ouvem as pessoas, numa interação que julgamos ser fundamental, apesar de termos consciência de que não se pode agradar a toda a gente.

Em que pelouro gostaria mais de trabalhar?

No pelouro da economia ou do desporto, mas essencialmente no desporto, porque é um fator de congregação entre povos e culturas, independentemente de credos, raças, partidos ou religiões. Desde miúdo que estou ligado ao desporto e em especial ao futebol. Fui jogador e agora sou treinador. Por isso, acredito que poderia trazer algumas ideias inovadoras e desenvolver várias atividades em prol da população neste domínio.

Que ambições tem na sua carreira política?

Quero contribuir de uma forma geral para a melhoria das condições de vida na minha cidade e no país e também para o seu crescimento económico. Pessoalmente, como português, gostaria de sensibilizar e trazer mais compatriotas para a política, reforçando o impacto da comunidade lusa no país e, quem sabe, chegar um dia a burgomestre de Dudelange. Sou presidente dos Jovens Socialistas e no futuro pretendo integrar um dos principais cargos na cúpula do partido e chegar ao Governo.

Há quem diga que há muitos candidatos lusófonos que servem apenas de ’alibi’ para os partidos irem buscar votos à comunidade lusófona. Concorda com esta afirmação?

Não é bem assim. Muitas vezes as pessoas são levadas a pensar isso, mas não basta apenas ter um português conhecido numa lista para se pretender angariar votos por essa razão. As pessoas não são burras. Existe todo um trabalho elaborado por uma vasta equipa, que no caso do partido socialista tem candidatos de várias nacionalidades. Os membros das listas defendem ideias e programas eleitorias comuns do partido. Não digo que para os portugueses que ainda têm algumas dificuldades linguísticas e se queiram informar sobre os programas dos partidos não seja mais fácil falar com um português que integre as listas, mas se for meramente uma ’figura decorativa’ e não souber esclarecer devidamente os eleitores, de nada vale ter membros de ’fachada’.

Acha que a barreira da língua luxemburguesa é um obstáculo para que outros portugueses integrem as listas dos partidos políticos?

Poderá ter alguma influência, mas não pode ser um impedimento. Para uma melhor integração é claro que falar luxemburguês facilita as coisas, mas se uma pessoa que não fale tiver vontade de intervir na vida política do país, poderá fazê-lo. O Grão-Ducado é um país multicultural e tem que estar aberto às ideias de todos, independentemente de se falar ou não luxemburguês.

Apenas 7,4% dos candidatos são estrangeiros nestas eleições municipais. Que comentário lhe merece esta porcentagem?

É baixa, claro. Num país que alberga um tão grande número de estrangeiros e nacionalidades, é fundamental que todos participem ativamente na vida da sociedade.

O que é que o LSAP tem diferente dos outros partidos?

É um partido que se preocupa com a o bem-estar da população e com os seus direitos fundamentais. A igualdade social, a liberdade, a solidariedade, a justiça, o ensino, a saúde, a habitação, o direito ao trabalho e a segurança, entre outros, são valores que defendemos intransigentemente. O diálogo e a preocupação de ir ao encontro dos problemas e necessidades da população são critérios fundamentais da nossa forma de estar na sociedade.

Que resultado pessoal espera atingir nestas eleições?

É difícil responder, apesar de estar otimista. É a primeira vez que participo em eleições e sei que tenho muito caminho pela frente na política. Espero que as pessoas acreditem no meu trabalho, ideias e convicções.


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