Escolha as suas informações

Washington Post acusa Biden de falhar promessa eleitoral sobre Arábia Saudita
Mundo 3 min. 02.03.2021

Washington Post acusa Biden de falhar promessa eleitoral sobre Arábia Saudita

Washington Post acusa Biden de falhar promessa eleitoral sobre Arábia Saudita

Foto: AFP
Mundo 3 min. 02.03.2021

Washington Post acusa Biden de falhar promessa eleitoral sobre Arábia Saudita

O novo Presidente dos Estados Unidos prometeu durante a campanha mão dura contra a Arábia Saudita devido ao assassinato do jornalista dissidente Jamal Khashoggi mas decidiu não sancionar o príncipe saudita na semana passada.

Como era de esperar, o mandato de Joe Biden ainda agora começou mas o Médio Oriente entrou de cabeça na agenda política do novo Presidente dos Estados Unidos. A autorização de um bombardeamento na semana passada contra alegados milicianos do Irão na Síria foi a estreia dos novos inquilinos da Casa Branca no teatro de guerra naquela região do globo.

Vários democratas no Capitólio criticaram-no por ter levado a cabo o ataque sem a benção do Congresso. Para os presidentes dos Estados Unidos, o Médio Oriente é um teste constante.

Agora, Joe Biden enfrenta as críticas de Fred Ryan, editor e presidente executivo do Washington Post, um dos mais reputados jornais norte-americanos. O novo Presidente dos Estados Unidos prometeu durante a campanha mão dura contra a Arábia Saudita devido ao assassinato do jornalista dissidente Jamal Khashoggi em 2018 que escrevia na mesma publicação. Mas Joe Biden decidiu evitar sanções contra o príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman que, segundo os serviços secretos norte-americanos, ordenou a execução do colunista do Washington Post. Fred Ryan denuncia num duro artigo publicado segunda-feira que Biden isentou Salman de responsabilidade, concedendo-lhe "um passe para um homicídio gratuito", em troca de salvar a cooperação com Riade na conturbada região.

"Parece que sob a administração Biden, os déspotas que oferecem valor estratégico momentâneo aos Estados Unidos podem obter 'um passe de assassinato gratuito'", observa Ryan no artigo, três dias após a Casa Branca ter divulgado o relatório dos serviços secretos norte-americanos sobre a morte de Khashoggi, concluindo que o príncipe herdeiro deu luz verde para a operação, que teve lugar na Turquia. Um esquadrão da morte, de acordo com a investigação, viajou para Istambul e enganou o jornalista para que fosse ao consulado saudita para levar a cabo uma formalidade. Uma vez lá dentro, foi assassinado e desmembrado.

Há muito que se antecipavam estas conclusões do relatório, ao ponto de o candidato Biden ter falado sobre o assunto durante a campanha. O democrata, como o editor do Washinton Post recordou, prometeu "fazê-los pagar o preço e convertê-los, de facto, nos párias que são". "Khashoggi foi assassinado e desmembrado, creio eu, sob as ordens do príncipe herdeiro", disse então.

A promessa dava a entender que o candidato democrata inverteria a estratégia de Donald Trump de evitar a divulgação do relatório e de se recusar a responsabilizar os sauditas. Mas mal saiu o documento na sexta-feira, a administração Biden limitou-se a anunciar a imposição de restrições de vistos a 76 sauditas que "acredita terem estado envolvidos em ameaças a dissidentes no estrangeiro", de acordo com uma declaração do Departamento de Estado. Nem uma palavra sobre Salman. 

Segundo fontes da administração citadas nesse dia pelo New York Times, Biden receia que a punição direta do príncipe arruine a cooperação com a Arábia Saudita na guerra ao terrorismo e na tensão com o Irão. Mesmo com os sauditas a serem acusados frequentemente de patrocinar e estimular o terrorismo, o chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, considerou que "a relação com a Arábia Saudita é maior do que qualquer outro indivíduo".

Para Fred Ryan, também antigo conselheiro da administração Reagan, é lamentável que os presidentes dos EUA tenham tomado decisões erradas sobre o Médio Oriente tendo apenas preocupações a curto prazo, o que se repete com Biden. O editor do Washington Post escreve que os eleitores norte-americanos "tomaram Biden pela sua palavra de que restabeleceria os Estados Unidos como defensor dos direitos humanos e não permitiria exceções baseadas em relações pessoais ou nas necessidades estratégicas do momento". Para o jornalista, o presidente democrata enfrenta um teste decisivo às suas promessas eleitorais e "está prestes a falhar".

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas