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Von der Leyen oferece a Zelensky dossiê para entrar mais depressa na UE
Mundo 5 min. 08.04.2022
Visita a Kiev

Von der Leyen oferece a Zelensky dossiê para entrar mais depressa na UE

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Von der Leyen oferece a Zelensky dossiê para entrar mais depressa na UE

Foto: Michael Fischer/dpa
Mundo 5 min. 08.04.2022
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Von der Leyen oferece a Zelensky dossiê para entrar mais depressa na UE

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
A presidente da Comissão e o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, prometeram ao presidente ucraniano mais dinheiro para armamento, um fundo de reconstrução e uma entrada na União Europeia mais rápida do que o normal. Mas não para amanhã.

O momento chave da conferência de imprensa que reuniu a presidente da Comissão Europeia, Volodomyr Zelensky e o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrel, foi aquele em que Ursula von der Leyen entregou ao presidente ucraniano uma pastinha azul e amarela, onde disse que estava o formulário de adesão à União Europeia - um longo desejo dos ucranianos, que levou até a um banho de sangue em 2014.

Von der Leyen salientou que naquele dossiê (que parece tão volumoso como uma adesão a uma apólice de seguros) estava um inquérito à situação do país e que os técnicos da Comissão Europeia iriam estar nas próximas semanas disponíveis 24 horas todos os dias da semana para ajudar o governo ucraniano a responder às perguntas.  Zelensky retorquiu “Ursula, envio-lhe as respostas dentro de uma semana”.

Mas não é assim tão simples. O processo de adesão da Ucrânia à UE está a ser super expedito, e Ursula von der Leyen fez questão de dizer que a Ucrânia faz parte da família europeia e que a UE vai estar a ajudar agora na guerra e depois a ajudar na reconstrução. O pedido de adesão foi depositado há poucas semanas e esta sexta-feira Zelensky já recebeu em mãos uma lista de perguntas.

“Neste envelope, caro Volodymyr, há um importante passo para a vossa entrada na UE como membros. É aqui que começa o processo de entrada na UE. É um momento histórico”, sublinhou, Von der Leyen, sorrindo para a fotografia.


Von der Leyen visita a Ucrânia. "Em Bucha, a nossa humanidade foi despedaçada"
No passado fim de semana foram descobertos, após a retirada das tropas russas, dezenas de cadáveres espalhados nas ruas da cidade dos arredores de Kiev e outros em valas comuns. Zelensky agradeceu rondas de sanções da UE, mas diz que "não foi suficiente" .

Como vai a Ucrânia entrar na UE?

Não será certamente nos próximos meses que Kiev será uma capital da UE e que Zelensky se sentará à mesma mesa de Orbán e de Charles Michel. Mas o que aconteceu foi, e Von der Leyen sublinhou-o, extremamente rápido: “Normalmente depois de um país entregar um pedido de adesão, o Conselho Europeu tem que dar uma opinião, um processo que demora anos. Aqui demorou semanas”.

Depois, acrescentou , “a Comissão elabora um questionário e esse questionário é respondido pelo país para percebermos em que estado se encontra, e isso também demora anos”. Mas agora, salientou a presidente da Comissão, “comprometemo-nos a trabalhar juntos neste processo. Há muitas questões para responder. Temos que trabalhar juntos para pintar o cenário do país. E depois a opinião da Comissão é remetida para o Conselho e será o Conselho a saber quais os próximos passos a dar”.

Um jornalista, na sala da conferência em Kiev, fez a pergunta essencial: “Presidente Von der Leyen está preparada para a União Europeia lutar contra a Rússia, uma vez que a Ucrânia fará parte do bloco europeu”?  

O Tratado da União tem um artigo semelhante ao da NATO, em que em caso de ataque a um país todos os outros têm que responder a essa agressão. Von der Leyen salientou ter “a certeza que a Ucrânia vai vencer esta guerra e que vai poder escolher o seu futuro e nós estaremos a ajudar a reconstruir a com um investimento massivo e a apoiar a entrada da Ucrânia na EU”. O que significa que, mesmo neste processo expedito, a Ucrânia está cada vez mais perto de Bruxelas, mas ainda tem muito que lutar pela frente.

Von der Leyen: “Estamos convosco”

A presidente da Comissão salientou que embora os europeus “nunca possam igualar o sacrifício do povo ucraniano, vamos usar todo o nosso poder económico para fazer Putin pagar. Já criámos um quinto pacote de sanções e já estamos a prever um novo. E as sanções estão a causar efeito pesado na economia russa”. 

Von der Leyen recordou os números que foram divulgados hoje de que já foram apreendidos 2,9 mil milhões de euros de bens de indivíduos que estão debaixo das sanções da União Europeia. “A Rússia vai enfrentar uma decadência financeira económica e tecnológica, enquanto a Ucrânia terá um futuro na União Europeia”, resumiu. “Estou aqui para enviar uma mensagem forte, caro Volodymyr: ‘Estamos do vosso lado, esta é uma mensagem para si e para todo o povo ucraniano'” .

Além das mensagens, Ursula von der Leyen anunciou um cheque de mil milhões de euros para o governo ucraniano. Ao presidente em Kiev, prometeu que a UE irá cuidar dos seus concidadãos refugiados em vários países “enquanto não puderem voltar para uma Ucrânia próspera e em paz ”. Von der Leyen garantiu que “vão ter acesso a habitação, apoio médico, escolas e emprego”.

Borrell: “Já foi dado mil milhões para armas e mais 500 milhões serão entregues rapidamente”

Josep Borrel, que acompanhou a presidente da Comissão na visita, iniciada na cidade massacrada de Bucha, disse que duas palavras lhe vinham à mente: “O falhanço das tropas russas perante a coragem dos ucranianos”, mas também “o horror pela morte indiscriminada de civis”.

Borrell recordou que através do Fundo Europeu de Paz, já foi enviado para a Ucrânia “mil milhões de euros para compra de equipamento letal, e serão entregues mais 500 milhões, para que possam ter o melhor armamento para lutar contra o exército russo”.

Quanto aos crimes de guerra, recordou que a EU já enviou peritos que estão a trabalhar com a Procuradoria ucraniana e que foi alocado o valor de 7 milhões de euros para a investigação e recolha de provas para os casos serem apresentados no Tribunal Penal Internacional. “E sei que outros países se vão juntar nestes esforços para investigar crimes de guerra”.

Borrell acrescentou ainda a ideia de que os ucranianos estão a sacrificar-se pela Europa e que são a barreira entre nós e Putin e que portanto responder ao pedido de “armas, armas e armas”, que esta quinta-feira o ministro da defesa ucraniano fez durante uma reunião da NATO não é em vão: “Tenho que sublinhar que os ucranianos estão a lutar por nós”.

“Esta guerra é um enorme desafio para toda a comunidade internacional e é um momento muito decisivo na História”, salientou von der Leyen.

 

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