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Von der Leyen anuncia missão para aumentar produção de vacinas
Mundo 4 min. 10.02.2021

Von der Leyen anuncia missão para aumentar produção de vacinas

Von der Leyen anuncia missão para aumentar produção de vacinas

Foto: AFP
Mundo 4 min. 10.02.2021

Von der Leyen anuncia missão para aumentar produção de vacinas

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
A presidente da Comissão explica atrasos da vacinação e mantém objetivo de vacinar 70% da população até ao outono.

No meio de acusações de que a Comissão Europeia está a perder a corrida às vacinas, Ursula von der Leyen explicou hoje ao Parlamento Europeu que “há lições a retirar deste processo. E já estamos a fazer isso”, disse, na abertura do plenário para onde foi convidada para responder aos percalços da vacinação. “Fomos demasiado confiantes de que a produção conseguiria acompanhar o ritmo”, disse hoje, dia 10, a presidente da Comissão Europeia no hemiciclo em Bruxelas. 

“A produção de vacinas é um processo muito complexo. Não é possível criar uma linha de produção de um dia para o outro”, justificou Ursula von der Leyen, anunciando que foi agora criada uma “task force” para acelerar a produção industrial de vacinas, que deverá ficar sob a alçada do comissário do Mercado Interno, Thierry Breton. “A ideia é detetar problemas e ajudar a resolvê-los”. 

“A indústria tem que corresponder ao espantoso ritmo da ciência”, disse von der Leyen, acrescentando que a Comissão mantém a meta de vacinar 70% dos cidadãos adultos da União Europeia até ao fim do verão. 


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Quanto à necessidade de haver preparação para futuras pandemias ou para o aparecimento de novas variantes, von der Leyen referiu que vai ser lançado para a semana o HERA (Autoridade de Saúde de Resposta de Emergência) que deverá também ter um papel na coordenação da produção de matérias primas para as vacinas. A questão das matérias-primas é uma das razões da complexidade do processo. Em média, as vacinas que estão a ser produzidas na Europa contra a covid-19 precisam de cerca de 400 matérias primas diferentes. 

Entre as lições que a Comissão tirou com os erros das últimas semanas, von der Leyen referiu a “melhoria da partilha de dados entre as clínicas europeias”, bem como a preparação de um novo quadro regulamentar para a Agência Europeia de Medicamento (EMA) ter mais agilidade e capacidade de intervenção. “A batalha contra o vírus é uma maratona, não um sprint. É preciso visão de fundo e capacidade para resistir. Sabemos que estas novas variantes vão continuar a emergir. E precisamos de saber e estar preparados o mais possível”. 

17 milhões de europeus vacinados 

Aceitando as críticas nos atrasos das últimas semanas e na falta de previsão em relação às entregas de vacinas por parte das farmacêuticas, von der Leyen referiu que, apesar de tudo, já foram vacinadas 17 milhões de pessoas no total dos 27 países da União Europeia, desde final do mês de dezembro. A Polónia foi apresentada como um caso de sucesso, com 94% dos profissionais de saúde e 80% da população com mais de 80 anos já vacinada. Von der Leyen defendeu que depois de ultrapassada a questão de se saber que as vacinas contra a covid- 19 são eficazes e seguras, é preciso agora resolver o problema número 2: produzir em escala, sendo que a procura é muito maior que a oferta. Aumentar a produção é agora a grande prioridade. 


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 No geral, os eurodeputados apoiaram a estratégia da Comissão Europeia de ter sido cautelosa na negociação com as farmacêuticas obrigando estas companhias a assinar contratos de responsabilidade civil contra defeitos. O processo da Agência Europeia de Medicamento (EMA) de aprovação de vacinas – mais demorado que o inglês ou que o norte-americano - foi igualmente elogiado. O eurodeputado Peter Liese, responsável da comissão de Saúde do PE, referiu que há alguns mitos em relação ao processo que têm que ser desmontados. “Um deles é que a Europa se atrasou. Mas o mais importante é que nenhum cidadão europeu aceitaria vacinar-se se soubesse que a Pfizer não iria indemnizar em caso de defeito das vacinas”. Liese referia-se à cláusula contratual que a Comissão negociou segundo a qual mesmo neste medicamento de emergência, a responsabilidade civil das farmacêuticas seria mantida. 

“Dinheiro público, contratos publicados, patentes no domínio público” 

Manon Aubry, eurodeputada do GUE, da esquerda radical, pediu à Comissão que obrigasse as farmacêuticas a tornarem públicos os contratos celebrados com a União Europeia, salientando que foram já pagos mais de €2,7 mil milhões de dinheiros públicos. Manon Aubry defendeu ainda que as farmacêuticas “não devem lucrar com a pandemia. As vacinas foram descobertas com o investimento público e as patentes devem cair no domínio público”. A lógica da eurodeputada francesa do GUE é de que “dinheiro público corresponde a contratos publicados e patentes no domínio público”. 


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De momento há três contratos de farmacêuticas que são conhecidos, mas grande parte das cláusulas - incluindo as referentes a preços e a responsabilidade civil - foram rasuradas. 

Dacian Ciolos, presidente do grupo Renew Europe, defendeu a necessidade de a Europa desenvolver a capacidade de produção industrial de medicamentos e de vacinas que “vão ser necessárias para os próximos anos”. E defendeu ainda uma maior ligação com o Parlamento Europeu para “aumentar a confiança com os cidadãos. E este debate é um bom exemplo”, adiantou.

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