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"Volto para defender a minha família e a minha terra". Ucranianos regressam ao país para lutar
Mundo 4 min. 28.02.2022 Do nosso arquivo online
Guerra

"Volto para defender a minha família e a minha terra". Ucranianos regressam ao país para lutar

Guerra

"Volto para defender a minha família e a minha terra". Ucranianos regressam ao país para lutar

AFP
Mundo 4 min. 28.02.2022 Do nosso arquivo online
Guerra

"Volto para defender a minha família e a minha terra". Ucranianos regressam ao país para lutar

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
À medida que o número de pessoas em solo ucraniano que fogem do conflito armado aumenta, também há quem tenha deixado as suas vidas noutros países para voltar à Ucrânia e lutar contra as forças russas. "Ucrânia, estamos a caminho para vos ajudar", dizem.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky fez o apelo: "Ucranianos, lutem pelo vosso país", logo após o início da invasão militar por parte da Rússia, que já dura há cinco dias. 

Com um arsenal militar inferior ao da Rússia, Zelensky conta com a ação da população para aguentar a ofensiva. Na semana passada, ativou a lei marcial e todos os homens, dos 18 aos 60 anos, estão proibidos de deixar o país. Dos milhares que já cruzaram para os países vizinhos (as estimativas apontam para quase 400 mil refugiados até agora), a maioria são mulheres e crianças. 

Se as fronteiras estão entupidas de pessoas que fogem do conflito, em sentido contrário chega quem não aguentou assistir à distância à guerra no seu país - onde muitos têm família - e tenha tomado a difícil decisão de voltar. O objetivo? Derrotar Vladimir Putin.

De Portugal, um autocarro saiu no domingo rumo à Ucrânia. Nele, seguiam 20 ucranianos com vontade de defender a sua pátria. 

Sergey Kolesnikov está há 20 anos em solo português mas o país onde nasceu precisa de si, afirmou. O ucraniano disse à SIC Notícias, antes de embarcar, que tem de ir porque tem lá o filho e o resto da família. 

  "Ucrânia, estamos a caminho para vos ajudar"  

"Volto para defender também a minha família e a minha terra", disse. Não esconde que o medo "é normal", assume perante as câmaras de televisão, mas tem a convicção de que a sua ida "vai dar uma ajuda" a quem está em território ucraniano a resistir. Sergey não vai sozinho. A mulher também vai com ele para cuidar da família, que reside em Lviv. 

Sergey Kolesnikov vai fazer o que o Governo lhe pedir. "Fiz lá a tropa, ainda na União Soviética. Se tiver de pegar em armas, sim, claro que o farei", diz. 

No mesmo autocarro segue Orgy, 54 anos, ex-militar. Toda a família -  filhos e netos -, estão em Portugal, mas há "um problema com Putin e com Rússia". A mulher também vai voltar e, perante as câmaras, deixa uma mensagem: "Ucrânia, estamos a caminho para vos ajudar", diz em lágrimas. 

Para além do grupo, seguem várias caixas com bens de primeira necessidade, medicamentos e mantimentos para o exército ucraniano e para a população.


A visão de uma escola destruída como resultado de uma luta não muito longe do centro da cidade ucraniana de Kharkiv, localizada a cerca de 50 km da fronteira ucraniana-russa, a 28 de fevereiro de 2022.
Enquanto se negoceia cessar-fogo, russos matam 11 pessoas em bairro de Kharkiv
"Kharkiv. Um ataque impiedoso e sem sentido a um bairro residencial com mísseis! Cadáveres nas ruas", escreveu Anton Guerashenko, assessor do Ministério do Interior da Ucrânia.

Histórias semelhantes são contadas na fronteira da Ucrânia com a Polónia. Em Medyka, Yuri contou ao The New York Times que vai para a guerra. O jovem ucraniano explica que a família vai dividir-se. "O meu irmão vai ficar com a minha mãe. Eu e a minha avó vamos com o meu pai para a guerra", disse ao NYT. 

Na fronteira de Przemysl, Jani está pronto a voltar. "Falei com a minha família, chorei e decidi que não posso simplesmente ficar na Polónia e assistir à Rússia a destruir a nossa independência, as nossas cidades, matar os nossos cidadãos, as crianças, os idosos. Somando todas as circunstâncias, decidi retornar à Ucrânia e lutar", desabafou. 

"Lado a lado com os ucranianos"

Zelensky também apelou aos cidadãos de países estrangeiros amigos da Ucrânia para se juntarem à luta contra a agressão russa, integrando uma espécie de nova Legião Estrangeira.

Através de uma mensagem de vídeo, Zelensky assinala que todos aqueles que queiram juntar-se "à defesa da segurança na Europa e no mundo" podem ir para a Ucrânia e lutar "lado a lado com os ucranianos contra os invasores do século XXI".

A agência noticiosa Efe adianta que, segundo as normas o serviço militar nas Forças Armadas, os cidadãos estrangeiros podem aderir voluntariamente a unidades como as forças de defesa territorial.

Reclusos juntam-se à luta

Nesta segunda-feira, o Presidente ucraniano decidiu libertar os presos com experiência militar para se juntarem à luta contra as forças russas, que há cinco dias lançaram uma ofensiva contra a Ucrânia. "Sob a lei marcial, os participantes nas hostilidades, ucranianos com experiência de combate, serão libertados e poderão expiar a sua culpa nos lugares mais perigosos da guerra. A chave agora é a defesa", afirmou Zelensky. 

"Qualquer pessoa que se possa juntar à luta contra os ocupantes deve fazê-lo. A decisão não foi fácil, do ponto de vista moral, mas útil do ponto de vista de nossa proteção", declarou o Presidente ucraniano.

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