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Violência. 22 milhões de europeus sofreram agressão física e um cada em quatro foi assediado
Mundo 4 min. 19.02.2021

Violência. 22 milhões de europeus sofreram agressão física e um cada em quatro foi assediado

Violência. 22 milhões de europeus sofreram agressão física e um cada em quatro foi assediado

Foto: Shutterstock
Mundo 4 min. 19.02.2021

Violência. 22 milhões de europeus sofreram agressão física e um cada em quatro foi assediado

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Inquérito da Agência para os Direitos Fundamentais da União Europeia, publicado esta sexta-feira, retrata a experiência de criminalidade entre a população da UE, ao longo de cinco anos.

Mais de um em cada quatro europeus foi vítima de assédio e 22 milhões foram fisicamente agredidos, no espaço de um ano. As conclusões são de um inquérito da Agência para os Direitos Fundamentais da União Europeia, publicado esta sexta-feira.

Com base em questionários realizados a 35 mil inquiridos, entre janeiro e outubro de 2019, que analisou os cinco anos anteriores, o estudo é considerado a primeira pesquisa europeia abrangente sobre a experiência de criminalidade entre a população da UE (e também Reino Unido e Macedónia do Norte), dando conta de uma realidade que é superior à revelada pelos números oficiais.

No ano que precedeu o inquérito, ou seja 2018, mais de um em cada quatro europeus foram vítimas de assédio, enquanto 22 milhões sofreram algum tipo de agressão física.

Por outro lado, quase uma em cada 10 pessoas na UE (9%) sofreu violência física nos cinco anos anteriores à sua realização. Um valor que varia entre 3% e 18%, dependendo do país. Já o assédio foi prática que atingiu 41% dos inquiridos, com variações entre 15 % e 62 % entre os países da UE.

"A grande diferença entre as figuras oficiais do crime e as experiências de crime das pessoas lança luz sobre a verdadeira extensão do crime na UE", refere  o diretor da FRA, Michael O'Flaherty, sobre o relatório agora publicado. 

Jovens, LGBTI, deficientes, minorias e mulheres são os mais afetados

De acordo com o responsável, as conclusões mostram "que os jovens, as pessoas que não se identificam como heterossexuais e as pessoas com deficiência são particularmente afetadas pela criminalidade".


Luxemburgo entre os 10 países da UE com mais vivência de violência e assédio
Um relatório da Agência para os Direitos Fundamentais da União Europeia, publicado esta sexta-feira, mostra que o Grão-Ducado ficou acima da médica comunitária no que respeita a episódios de violência e assédio vividos pela população.

Cerca de um quarto dos jovens (23% dos jovens entre os 16-29 anos) e um quinto das pessoas que se identificam como LGBTI (19%), têm uma deficiência (17%) ou são de uma minoria étnica (22%) relatam ter sido vítimas de ataques físicos nos últimos cinco anos antes de 2019.  

As mulheres são outro dos grupos afetados pela violência física e o mair entre as vítimas de assédio. Se mais de um terço da violência física contra as mulheres (37%) acontece em casa, com efeitos psicológicos para 69% das vítimas, cerca de três em cada quatro incidentes de assédio sexual (72%) contra as mulheres são perpetrados por alguém que elas não conhecem e a maioria ocorre em público.    

Vítimas em silêncio

Apenas um terço (30%) das vítimas comunicam, à polícia, os ataque físicos de que são alvo. E, menos de metade disso, um décimo (11%), denúncia as situações de assédio.  

Nas conclusões, o inquérito, que pretende ajudar os governos a apoiar as vítimas e a facilitar a denúncia de crimes, realça que as vítimas de crimes normalmente não relatam as suas experiências e que têm frequentemente dificuldades de acesso aos seus direitos, podendo sentir-se sem voz. 

O inquérito expõe também que muitas vezes as vítimas não se queixam por ter medo de represálias ou por intimidações por parte dos infratores.

Os níveis de denúncia diferem de país para país, refletindo diferenças culturais e níveis diferentes de confiança na justiça. 

As pessoas mais velhas, com níveis de educação mais baixos, ou que lutam para sobreviver, estão geralmente menos dispostas a envolver-se na aplicação da lei.

O que devem os estados fazer para dar mais segurança

"A UE tem legislação para satisfazer os direitos das vítimas da criminalidade, tal como está sustentada pela Carta dos Direitos Fundamentais da UE. Os governos nacionais precisam de fazer mais para conceder às vítimas os seus direitos e fornecer o apoio de que necessitam", refere Michael O'Flaherty.  

Com base nas conclusões do inquérito, o estudo defende que os países devem fornecer a todas as vítimas, incluindo as mais vulneráveis, informação adequada, apoio e proteção, e permitir a sua participação em processos criminais, assim como oferecer apoio direcionado de acordo com as características das vítimas.

"Os países devem prestar especial atenção às necessidades específicas de vários grupos para melhor os proteger da violência. Devem também informá-los sobre os seus direitos de formas que entendam", salienta o documento, acrescentando que deve haver uma abordagem sensível ao género, "quando se trata de sanções legais, educação e formação, proteção e apoio aos direitos das vítimas", o que inclui a prevenção do crime através da educação dos homens, que são a maioria dos perpetradores.

Por outro lado, o estudo incentiva os governos a facilitarem a denúncia de crimes de violência, sublinhando que precisam de fazer mais para encorajar essa denúncia. 

A utilização de outras vias além da judicial e criminal, como estruturas da sociedade civil ou serviços de saúde, para detetar situações de crime e informar as vítimas sobre os seus direitos, encaminhando-as para os serviços de apoio, é uma das propostas do estudo para capacitar as vítimas para tentarem obter justiça.



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