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Venezuela. Possível diálogo entre governo e oposição na Noruega
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Venezuela. Possível diálogo entre governo e oposição na Noruega

Foto: dpa
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Mundo 3 min. 16.05.2019

Venezuela. Possível diálogo entre governo e oposição na Noruega

A iniciativa de tentar uma saída dialogada para a crise da Venezuela não recolhe consenso na oposição do país. Numa altura, que continua a escalada das sanções da Casa Branca à Venezuela.

No dia em que quatro ativistas pró-Maduro foram detidos dentro da embaixada da Venezuela, em Washington, pela polícia norte-americana, conhece-se que o objetivo destes encontros exploratórios é encontrar uma solução para a crise política, noticiaram hoje vários meios internacionais. O El País cita três fontes que confirmam que representantes de Nicolás Maduro e Juan Guaidó exploram essa possibilidade com a mediação de Oslo. Nos últimos dias, Jorge Rodríguez, ministro da Comunicação, e o governador do Estado de Miranda, Héctor Rodríguez, por um lado; e o ex-deputado Gerardo Blyde, o ex-ministro do governo de Carlos Andrés Pérez, Fernando Martínez Mottolla, e o vice-presidente da Assembleia Nacional, Stalin González, por outro, têm mantido conversações em separado com representantes do Ministério norueguês dos Negócios Estrangeiros.


Mas as conversações não recolhem unanimidade dentro da oposição venezuelana e alguns dos dirigentes opositores foram apanhados de surpresa. É o caso de Julio Borges, ex-presidente da Assembleia Nacional, exilado em Bogotá, que afirmou através do twitter que o seu partido só tinha sabido da iniciativa através da comunicação social. 



Juan Guaidó tem o apoio de Leopoldo López, dirigente opositor que violou a prisão domiciliária com o apoio de vários militares e se encontra agora na embaixada de Espanha, em Caracas. O auto-proclamado presidente da Venezuela não negou os contactos e afirmou que não é a única iniciativa em andamento. “Para os venezuelanos, o caminho é claro: fim da usurpação, governo de transição e eleições livres”.


Estados Unidos suspendem voos para a Venezuela

O governo norte-americano ordenou, ontem, a “suspensão imediata” de todos os voos entre os Estados Unidos e a Venezuela por “ameaças à segurança” pela crise que atravessa o país latino-americano. “O Departamento do Interior concluiu que as condições na Venezuela ameaçam a segurança dos passageiros, aeronaves e tripulação que viajam de e para o país, e que o interesse público requer a suspensão imediata de todos os voos comerciais de passageiros ou mercadorias entre os Estados Unidos e a Venezuela”, refere uma nota do Departamento de Transporte.


A proibição acontece depois de várias companhias aéreas terem deixado de voar para o país, entre elas a American Airlines que era a única companhia que mantinha voos regulares depois de a United e a Delta terem deixado de operar na Venezuela em 2017. Outras companhias como a Lufthansa, Dynamic, Air Canada, Aeroméxico, Alitalia e a Avianca também suspenderam os voos para Caracas nos últimos anos. Na escala de recomendações de viagens do Departamento de Estado, a Venezuela aparece como um dos destinos a evitar.


Por sua vez, Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, afirmou que esta decisão é uma medida que não traz vantagens a Washington e que só prejudica os cidadãos “que utilizam a liberdade de circulação através dos voos comerciais”. Numa declaração transmitida em direto pela televisão pública venezuelana, o mandatário assegurou que a ordem ditada pelos Estados Unidos foi tomada “por ódio, vingança e despeito”. Acrescentou ainda que esta proibição afeta também a classe média e os grupos empresariais que viajam frequentemente entre os dois países.

Venezuela quer designar um Estado para proteger embaixada

Mantém-se a tensão dentro e fora da embaixada da Venezuela em Washington com quatro ativistas pró-Maduro que se encontravam no edifício há várias semanas detidos pela polícia norte-americana esta tarde. O embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, deu uma conferência de imprensa onde propôs ao governo norte-americano designar um terceiro Estado para proteger a embaixada. “Essa é a forma histórica de solucionar este tipo de problemas”, disse Moncada em Nova Iorque onde recordou que a Venezuela já tinha proposto a Turquia mas que Washington se recusa a aceitar a ideia. Insistiu que a figura do terceiro Estado está dentro do marco da Convenção de Viena sobre relações diplomáticas entre países.

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“Fizemos duas reuniões, das quais não posso adiantar detalhes porque devo respeitar a confidencialidade das mesmas, mas foram reuniões em que nos escutámos”, disse o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, em declarações à estação de televisão estatal Telesur.