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Venezuela. Portugueses saíram à rua para apoiar Juan Guaidó
Mundo 4 min. 01.05.2019

Venezuela. Portugueses saíram à rua para apoiar Juan Guaidó

Venezuela. Portugueses saíram à rua para apoiar Juan Guaidó

Foto: AFP
Mundo 4 min. 01.05.2019

Venezuela. Portugueses saíram à rua para apoiar Juan Guaidó

À volta de 300 mil portugueses ou lusodescendentes vivem atualmente no país.

Vários portugueses e lusodescendentes responderam ao apelo feito ontem pelo autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó e juntaram-se à concentração de cidadãos venezuelanos na Praça Altamira (leste de Caracas) para apoiar o derrube do regime de Nicolás Maduro. O autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, desencadeou esta terça-feira de madrugada um ato de força contra o regime de Nicolás Maduro em que envolveu militares e para o qual apelou à adesão popular.

"Estou aqui, porque amo este país e quero a liberdade. Espero que todos venham para as ruas apoiar Juan Guaidó. Isto é para o bem de todos, para que não tenhamos todos os dias cinco mil venezuelanos a terem que deixar este país para ir a outros países", disse um comerciante de ferragens luso-venezuelano à agência Lusa.

Segundo José Gomes, "isto aqui é comunismo, isto é pior que (o ditador português Oliveira) Salazar. Há 21 anos que estamos vivendo isto, e é pior". "A minha mãe conta-me de quando Salazar. Com Salazar era miséria, isto é pior. Por isso eu acho que a posição de Portugal deve ser apoiar uma saída desta gente do poder", sublinhou.

Outro português, Alberto Pestana, disse à Lusa que foi à concentração "em busca de liberdade". "Há muito tempo que perdemos a liberdade na Venezuela e isto é uma oportunidade para recuperá-la. Tantas vezes temos esperado, porque parece que haverá pronto uma mudança de regime, mas não chega. Esta é uma nova oportunidade e acho que poderá acontecer (uma mudança de regime)", disse.

Referindo-se aos demais portugueses, Alberto Pestana quer que permaneçam tranquilos, que têm de ir "passo a passo, com calma" e que "continuem na Venezuela" e "tenham confiança em Deus de que as coisas vão melhorar em breve".


TOPSHOT - Members of the Bolivarian National Guard loyal to Venezuelan President Nicolas Maduro run under a cloud of tear gas after being repelled with rifle fire by guards supporting Venezuelan opposition leader and self-proclaimed acting president Juan Guaido in front of La Carlota military base in Caracas on April 30, 2019. - Guaido said on Tuesday that troops had joined his campaign to oust President Nicolas Maduro as the government vowed to put down what it called an attempted coup. (Photo by Yuri CORTEZ / AFP)
Fotos. Centenas de venezuelanos nas ruas de Caracas
O Presidente autoproclamado da Venezuela em janeiro passado, Juan Guaidó, anunciou hoje que os militares estão do seu lado e pediu aos venezuelanos que saiam à rua.

"Que todos apoiem o povo venezuelano que tem sofrido muito. Este é um momento bom para haver um câmbio político na Venezuela, e também para um mundo melhor porque isto (o que acontece na Venezuela) é chave para o que vai acontecer inclusive na América Latina. Este é um momento histórico e temos que acompanhar os políticos para que as coisas terminem de acontecer", disse.

O lusodescendente Juan Soares, administrador de empresas também saiu à rua para apoiar Juan Guaidó, porque quer ver uma mudança na economia do país. "Esta madrugada acordámos com a notícia de que o Presidente encarregado Juan Guaidó, com algumas forças leais, tinha tomado algumas bases, sobretudo a base da Força Aérea, e convocou as pessoas para saírem às ruas. Estamos na Praça de Altamira, uma praça muito emblemática para a oposição aqui na Venezuela", salientou.

Juan Soares vincou que esperando que os acontecimentos tenham um "termo feliz". "Espero que consigamos terminar com este pesadelo de há 20 anos, que destruiu completamente a economia venezuelana obrigando famílias a abandonarem o país", acrescentou.

"Portugal deve ter estatísticas dos (luso-)venezuelanos que regressam, que perderam tudo o que tinham aqui. É uma luta constante não sabemos o que o Governo quer, nem qual a sua ideologia, porque tem ocorrido uma destruição sistemática, da economia, da sociedade, da educação. As partes produtivas, pensantes do país foram esmagadas por esta gente (Governo)", acusou. Este lusodescendente frisou ainda confiar que "seja o passo final" que todos aguardam.

"Para que consigamos aquela Venezuela que os portugueses que vieram para cá e que eu vivi e que sei que poderemos (voltar a) ter", concluiu o lusodescendente. 


30.04.2019, Venezuela, Caracas: Ein Demonstrant sucht Schutz hinter einem Baum, während Demonstranten mit Sicherheitskräften des venezolanischen Staates zusammenstoßen. Der venezolanische Oppositionsführer Guaido und der inhaftierte Oppositionsführer Lopez riefen Soldaten und die Bevölkerung dazu auf, gegen die Regierung auf die Straßen zu gehen. Foto: Ruben Sevilla Brand/dpa +++ dpa-Bildfunk +++
Venezuela. União Europeia exige "máxima contenção"
O autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, desencadeou esta terça-feira de madrugada um ato de força contra o regime de Nicolás Maduro em que envolveu militares e para o qual apelou à adesão popular.

Familiares de portugueses devem contactar embaixada, diz governo luso

O secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, aconselhou a comunidade portuguesa e lusodescendente residente na Venezuela a adotar medidas de segurança e comportamentos prudentes nas próximas horas, face à situação que se vive no país.      

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas referiu que os cidadãos nacionais que tenham dificuldades em contactar as famílias na Venezuela devem recorrer à embaixada ou aos movimentos associativos da comunidade lusófona naquele país. O secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, aconselhou, por isso, a comunidade portuguesa e lusodescendente residente na Venezuela a adotar medidas de segurança e comportamentos prudentes nas próximas horas, face à situação que se vive no país.   

"Os portugueses que tenham dificuldades no contacto com as famílias podem fazer o contacto com a embaixada e procurar articular-se com o movimento associativo português", afirmou José Luís Carneiro, referindo que as associações naquele país estão "em contacto com milhares de portugueses".

Em conferência de imprensa em Lisboa, depois de uma reunião que juntou governantes, entre os quais o ministro da Defesa, José Luís Carneiro admitiu que "possa haver interrupções ou falhas dos serviços consulares", porque algumas vias de comunicação foram bloqueadas.

Cerca de 3,4 milhões de pessoas já deixaram a Venezuela desde o início da atual crise política e económica. À volta de 300 mil portugueses ou lusodescendentes vivem atualmente no país. Só nos consulados de Caracas e Valência estão inscritos 180 mil portugueses e lusodescendentes.

Lusa