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Venezuela. Maduro sugere eleições antecipadas para solucionar crise
Mundo 3 min. 21.05.2019

Venezuela. Maduro sugere eleições antecipadas para solucionar crise

Venezuela. Maduro sugere eleições antecipadas para solucionar crise

Foto: Pedro Mattey/dpa
Mundo 3 min. 21.05.2019

Venezuela. Maduro sugere eleições antecipadas para solucionar crise

A proposta de Nicolás Maduro surge quando governo e oposição dialogam na Noruega para tentar sair da crise política que abala a Venezuela.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou esta segunda-feira que pretende convocar eleições legislativas antecipadas. Num comício onde celebrava o primeiro aniversário da sua eleição como primeiro mandatário do país, lançou o repto à oposição que controla a Assembleia Nacional para uma disputa antes do fim do mandato legislativo que termina no fim de 2020. “Vamos realizar eleições, vamos a eleições antecipadas para a Assembleia Nacional para ver quem tem os votos, para ver quem ganha. Assumimos o repto, vamos para encontrar uma solução pacífica, democrática e eleitoral”, afirmou Maduro em Caracas perante milhares de apoiantes. No seu discurso, Nicolás Maduro apelou também à população a apoiar o trabalho da Assembleia Nacional Constituinte que esta segunda-feira prolongou o seu funcionamento até 31 de dezembro do próximo ano.


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Fotos. Portugueses em El Junquito resistem à espera de mudança na Venezuela
Um relato fotorgráfico da comunidade portuguesa emigrante em El Junquito, a cerca de 30 quilómetros da capital venezuelana Caracas.

A proposta de eleições antecipadas chega dois dias depois de uma delegação do governo chegar da Noruega onde esteve reunida com a oposição. Simultaneamente, uma missão do grupo de contacto da União Europeia visitou Caracas onde se reuniu com as duas partes para explorar a opção eleitoral como solução para a crise política, noticiou o El País. “Pudemos constatar fundamentalmente uma predisposição de todas as partes para participar num diálogo que conduza a essa solução através de ato eleitoral”, afirmou no sábado num encontro com correspondentes Juan Pablo de Laiglesia, secretário de Estado espanhol de Cooperação Internacional para a Iberoamérica e Caraíbas.

Desencontros na oposição venezuelana

Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional e líder da oposição, garante que está disposto a ouvir todas as propostas mas também adverte que não se deixa confundir. O representante de Guaidó em Washington, Carlos Vecchio, reuniu-se esta segunda-feira com o Departamento de Estado e o Pentágono “para discutir”, como anunciou, “todos os aspetos da crise da Venezuela”.


Nicolás Maduro reclama 28,35 MME retidos nos EUA e em Portugal
O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, voltou esta quinta-feira a reclamar os 28,35 mil milhões de euros retidos nos Estados Unidos e em Portugal, valor que disse estar destinado à importação de alimentos e medicamentos.

A verdade é que nem sempre a oposição se tem mostrado unida na estratégia para derrubar Nicolás Maduro. Mal se soube das negociações em Oslo vários dirigentes opositores apanhados de surpresa mostraram o seu desconforto. Foi o caso de Julio Borges, ex-presidente da Assembleia Nacional, exilado em Bogotá, que afirmou através do twitter que o seu partido só tinha sabido da iniciativa através da comunicação social.

Já nos diálogos entre o chavismo e a oposição que se realizaram na República Dominicana, em 2017, dos quais saíram as últimas eleições presidenciais, uma parte dos opositores optou por romper com as conversações e não reconhecer o plebiscito. As eleições que deram a vitória a Nicolás Maduro só tiveram a participação de uma parte da oposição.

Agora é a vez de Luís Almagro, secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), questionar os diálogos na Noruega. “Todo o esforço tem de ser reconhecido de alguma maneira. Mas a mim chamou-me a atenção o tema da Noruega porque isto não é um conflito. Isto é uma ditadura e trata-se de saber como se sai de uma ditadura. Não de como se medeia um conflito”, afirmou o dirigente latino-americano em entrevista à Infobae. Luís Almagro questionou ainda o facto de a Noruega reconhecer Nicolás Maduro.

A verdade é que entre a oposição divergem as posições sobre como retirar Maduro da presidência. É uma dinâmica que reflete também as diferenças entre as soluções apresentadas pela própria União Europeia que descartou desde o princípio o recurso à força e os Estados Unidos que não descartam a opção militar.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando Juan Guaidó, que é presidente da Assembleia Nacional, onde a oposição detém a maioria, se auto-proclamou presidente interino e prometeu organizar eleições.


Venezuela. Cinco mortos e 233 detidos nos acontecimentos de 30 de abril
O autoproclamado Presidente da Venezuela, Juan Gaidó, desencadeou no dia 30 de abril um ato de força contra o regime de Nicolás Maduro. Essa ação foi encarada por Maduro como uma tentativa de golpe de Estado, o que levou a vários confrontos na rua entre militares e civis.

Na madrugada de 30 de abril, um grupo de militares manifestou apoio a Juan Guaidó, que pediu à população para sair à rua e exigir uma mudança de regime, numa ação que alcançou os seus objetivos.

Nicolás Maduro, 56 anos, que cumpre o seu segundo mandato à frente da Venezuela, denunciou as iniciativas do presidente da Assembleia Nacional como uma tentativa de golpe de Estado liderado pelos Estados Unidos.


Bruno Amaral de Carvalho 


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