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Venezuela. Guaidó admite intervenção militar dos EUA

Venezuela. Guaidó admite intervenção militar dos EUA

Foto: AFP
Mundo 3 min. 09.02.2019

Venezuela. Guaidó admite intervenção militar dos EUA

"Faremos o que for preciso", reconhece o autoproclamado Presidente interino que pretende "proteger as comunidades portuguesa, italiana e espanhola", além dos venezuelanos "que estão a ser perseguidos".

O presidente do parlamento da Venezuela, Juan Guaidó, afirmou hoje que, se necessário, pode autorizar uma intervenção militar dos Estados Unidos para forçar Nicolás Maduro a deixar o poder e a acabar com a crise humanitária no país. Além disso, em entrevista à RTP, Guaidó prometeu ainda fazer tudo para "proteger os portugueses" que vivem no país. "Houve 700 mil mortos em 15 anos. Caracas é a capital mais violenta do mundo, mas estamos a fazer todos os possíveis para salvaguardar a comunidade portuguesa na Venezuela, para nós importantíssima, porque trouxe um grande desenvolvimento ao nosso país, nomeadamente à nossa indústria e ao nosso comércio", afirmou, acrescentando querer proteger também as comunidades italiana e espanhola, além dos venezuelanos "que estão a ser perseguidos".

“Nós faremos o que for necessário. Essa [intervenção militar dos Estados Unidos] é, evidentemente, uma questão polémica, mas fazendo uso da nossa soberania, do exercício das nossas prerrogativas, faremos o que for necessário”, disse Guaidó, numa entrevista à France Presse, depois de questionado se usaria os seus poderes legais como Presidente interino para autorizar uma possível intervenção militar.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, de 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres. Rússia, China, Cuba e Bolívia foram alguns dos países que se colocaram ao lado de Maduro.

Nicolás Maduro, de 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do Presidente do Parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos, cortou relações com os EUA e deu ordem de expulsão aos diplomatas norte-americanos. Entretanto, escreveu ao Papa, enviando um pedido de mediação que o Sumo Pontífice aceitou desde que as duas partes concordem com a sua intervenção. Por outro lado, recusou a entrada de qualquer tipo de ajuda humanitária, sublinhando que "a Venezuela não precisa de esmolas".

A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconhece Guaidó como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes. Portugal tentou enviar uma força do Grupo de Operações Especiais da PSP para reforço de proteção à embaixada, mas os oito elementos que viajaram para a Venezuela foram impedidos de ficar pelas autoridades, tendo de regressar a Lisboa. E Portugal, Espanha e Alemanha foram mesmo acusados de colocar em risco a segurança dos seus próprios cidadãos no país.

A repressão dos protestos antigovernamentais desde 23 de janeiro provocou já 40 mortos, de acordo com várias organizações não-governamentais.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.

Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300 mil portugueses ou lusodescendentes.

Lusa

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