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Vacina russa. OMS só tem registo da primeira fase de testes
Mundo 3 min. 11.08.2020

Vacina russa. OMS só tem registo da primeira fase de testes

Vacina russa. OMS só tem registo da primeira fase de testes

Foto: AFP
Mundo 3 min. 11.08.2020

Vacina russa. OMS só tem registo da primeira fase de testes

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
Numa reação imediata ao anúncio russo da descoberta de uma vacina contra a covid-19, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reiterou hoje que a "pré-qualificação" e o licenciamento de uma vacina exige procedimentos "rigorosos". De acordo com o organismo, o estudo russo está listado na primeira fase de testes.

(CO/AFP)

O principal organismo da resposta global à pandemia da covid-19 reagiu de forma cautelosa ao anúncio feito esta terça-feira pela Rússia, que afirma ter descoberto a vacina contra a covid-19. De acordo com a OMS, 26 vacinas candidatas estão em ensaios clínicos (em testes em humanos) em todo o mundo e 139 estão em avaliação pré-clínica. Dos 26, só seis tinham atingido a fase 3 de desenvolvimento no final de julho. Ora, o organismo mundial explica que o que está a ser desenvolvido pelo instituto de investigação russo Gamaleya foi listado na primeira fase. 

A Rússia anunciou hoje oficialmente a descoberta de uma vacina contra a covid-19, desenvolvida pelo Instituto de Epidemologia e Microbiologia Gamaleya e o Fundo de Investimento Direto Russo. O porta-voz da OMS, Tarik Jasarevic, salientou durante uma conferência de imprensa que está a organização está em "contacto direto com os russos e as discussões prosseguem". 

Apesar do anúncio de hoje, a Rússia não publicou nenhum estudo detalhado dos resultados dos ensaios para estabelecer a eficácia dos produtos que diz ter desenvolvido. Um artigo de 20 de julho da Bloomberg escreve que o instituto Gamaleya não terá sequer publicado os resultados da primeira fase do estudo que envolveu 40 pessoas. E acrescentava que os russos já teriam avançado mesmo para a segunda fase que envolve testes em mais pessoas.  

"A pré-qualificação inclui a revisão e avaliação de todos os dados necessários de segurança e eficácia dos ensaios clínicos", disse, sublinhando que o processo é o mesmo para qualquer candidato a vacina. Para além das autorizações concedidas pelas agências nacionais de cada país, "a OMS estabeleceu um processo de pré-qualificação tanto para vacinas como para medicamentos. Os fabricantes pedem a pré-qualificação da OMS porque é uma espécie de garantia de qualidade", explicou Tarik Jasarevic. 

Já na semana passada, a organização mostrou-se cética logo após o anúncio russo de que a vacina estaria quase pronta, lembrando que qualquer produto farmacêutico deve "ser submetido a todos os diferentes ensaios e testes antes de ser licenciado para ser implantado". Até à data, o organismo não tem conhecimento de "nada de oficial", refere. 

"Sputnik V" 

O Presidente russo Vladimir Putin anunciou esta terça a "primeira" vacina contra o novo coronavírus, a Sputnik V. Putin assegurou a  "imunidade duradoura" do medicamento e acrescentou que uma das suas filhas tinha sido inclusive uma das primeiras a ser inoculada. O Ministro da Saúde Mikhail Murashko disse que "os ensaios clínicos com vários milhares de pessoas vão continuar". 


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Segundo a Bloomberg, a vacina russa já estaria a ser testada desde abril nas elites políticas e económicas. O nome Sputnik foi o mesmo dado ao primeiro satélite a ser enviado para o espaço, visto como uma vitória política da ex-URSS durante a Guerra Fria. "Mais de mil milhões de doses foram pré-encomendadas por 20 países estrangeiros", afirmou o gestor do fundo Kirill Dmitriev à agência de notícias russa Tass.

"Recebemos pedidos preliminares de compra de mais de mil milhões de doses da vacina de 20 estados. Estamos prontos a assegurar a produção de mais de 500 milhões de doses de vacina juntamente com os nossos parceiros estrangeiros em cinco países, e planeamos aumentar ainda mais a nossa capacidade de produção", declarou. Dmitriev disse ainda à Tass que os estados interessados na compra situam-se na América Latina, Médio Oriente e Ásia. 

Segundo as autoridades russas, os ensaios da terceira fase começarão esta quarta-feira e a produção em larga escala deverá arrancar em setembro.  

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