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Áustria. Escândalo na extrema-direita provoca eleições antecipadas
Mundo 2 min. 21.05.2019

Áustria. Escândalo na extrema-direita provoca eleições antecipadas

Heinz-Christian Strache, do partido de extrema-direita austríaco FPÖ, governava em coligação com os democratas-cristãos desde 2017.

Áustria. Escândalo na extrema-direita provoca eleições antecipadas

Heinz-Christian Strache, do partido de extrema-direita austríaco FPÖ, governava em coligação com os democratas-cristãos desde 2017.
Foto: APA/Fotokerschi.At
Mundo 2 min. 21.05.2019

Áustria. Escândalo na extrema-direita provoca eleições antecipadas

Um vídeo comprometedor divulgado pelos media alemães mostra líder da extrema-direita austríaca e número dois do governo, Heinz-Christian Strache, a negociar troca de favores com uma suposta sobrinha de um oligarca russo.

A Áustria vai ter eleições antecipadas depois do verão na sequência da rutura da coligação entre conservadores e a extrema-direita que tinha chegado ao poder há cerca de um ano e meio. O anúncio foi feito pelo chefe do governo, Sebastian Kurz. 

Na base do desentendimento está um vídeo publicado por meios de comunicação alemães na semana passada. As imagens filmadas com câmaras oculta, terão acontecido em 2017 numa quinta na ilha de Ibiza, Espanha, e mostram o atual número dois e vice-chanceler do governo austríaco, Heinz-Christian Strache, a oferecer contratos e favores a uma suposta sobrinha de um oligarca russo a troco de ajuda financeira ao seu partido de extrema-direita, o FPÖ. Strache tenta também convencê-la a comprar um pacote de ações do diário mais influente da Áustria para forçar a subida ao poder do seu partido.

Perante o escândalo, o presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen, defendeu no domingo passado a celebração de eleições antecipadas no princípio de setembro de 2019. "De acordo com os prazos estabelecidos pela Constituição, defendo eleições, se possível, no princípio de setembro", declarou Van der Bellen à imprensa.

Após o vídeo comprometedor Heinz-Christian Strache acabou mesmo por se demitir, tendo reunido como chenceler austríaco Sebastian Kurz, do partido democrata-cristão ÖVP, para debater a situação política e delinear os próximos passos. 

O jovem chanceler austríaco Sebastian Kurz, de 32 anos, revelou que teve de aguentar vários escândalos ligados ao partido FPÖ, durante a coligação de ano e meio.
O jovem chanceler austríaco Sebastian Kurz, de 32 anos, revelou que teve de aguentar vários escândalos ligados ao partido FPÖ, durante a coligação de ano e meio.
Foto: AFP

"Propus ao presidente da República convocar eleições antecipadas o mais rapidamente possível", disse Kurz em conferência de imprensa após a demissão do líder do partido FPÖ. "Perdi a confiança em parte do governo", afirmou, reiterando que o ocorrido "não reflete o que é a Áustria" e que o país não merece um escândalo destes.

Kurz justificou também a decisão de se aliar ao FPÖ nas últimas legislativas, visto que considerou ser a única força política disposta a concretizar as mudanças que tinha prometido durante a campanha eleitoral. Admitiu que "nem sempre foi fácil" a cooperação e revelou que teve de aguentar vários escândalos. "Ainda que nem sempre o tenha dito publicamente, aconteceram situações muito difíceis de engolir. Para manter o trabalho desenvolvido não acabei com a coligação de imediato", justificou. "Mas depois do vídeo tenho que dizer: basta", manifestou o jovem líder de 32 anos.

"O que ali se diz sobre mim, desde insultos, acusações e calúnias, é algo secundário. O problemático e grave são as ideias de abuso de poder, a manipulação de dinheiro público e, claro, a forma de entender os meios de comunicação no nosso país", acrescentou ainda.

Strache, o principal envolvido no escândalo, atribuiu as imagens a uma "campanha de desinformação suja2 mas reconheceu que se comportou "como um adolescente" por causa do álcool e que cometeu um "erro" e uma "idiotice". Assegurou, ainda assim, que não fez nada de ilegal. Também o líder parlamentar do FPÖ, Johann Gudenus, que aparece no vídeo, abandonou todos os cargos políticos. 

Bruno Amaral Dias


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