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Áustria chocada com morte de médica assediada por anti-vacinas
Mundo 2 3 min. 05.08.2022
Pandemia

Áustria chocada com morte de médica assediada por anti-vacinas

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Áustria chocada com morte de médica assediada por anti-vacinas

Foto: AFP
Mundo 2 3 min. 05.08.2022
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Áustria chocada com morte de médica assediada por anti-vacinas

AFP
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Lisa-Maria Kellermayr, 36 anos, foi encontrada morta a 29 de julho, no seu consultório. A médica terá posto fim à própria vida depois de meses de assédio e ameaça de negacionistas da covid-19.

Em Viena, os sinos da Catedral de Santo Estêvão tocaram esta semana e as velas formaram um "mar de luzes" contra a "violência psicológica" e o "terror" online. 

Lisa-Maria Kellermayr, 36 anos, foi encontrada morta na sexta-feira, 29 de julho, no seu consultório na Alta Áustria (norte). A autópsia, realizada a pedido dos seus familiares, confirmou que a médica tinha cometido suicídio. 

Numa mensagem publicada no final de junho no seu website profissional, Lisa-Maria Kellermayr tinha anunciado que deixaria de dar consultas. "Há mais de sete meses que recebemos ameaças de morte de círculos que se opõem às medidas e vacinações covid", escreveu. A médica austríaca disse que tinha "investido mais de 100.000 euros" para garantir a segurança dos seus pacientes, e referiu-se a uma situação insustentável. 

"No limite"

"Estou no limite, ameaçada de insolvência", chegou a dizer à imprensa. A sustentar essas declarações revelou mensagens de um utilizador da internet que ameaçava fazer passar-se por paciente para cometer um ataque contra ela e o seu pessoal. 

Lisa-Maria Kellermayr começou a ser visada depois de ter criticado um protesto contra a vacinação obrigatória no outono de 2021. Desde então, alertou sem sucesso as autoridades e apareceu frequentemente nos meios de comunicação social para partilhar a sua angústia. 

A vida desta médica com um grande sorriso e uma paixão pelo seu trabalho tinha-se tornado um inferno. 

Daniel Landau, organizador da cerimónia de homenagem, em Viena, conheceu-a no seu consultório em meados de julho. "Ela vivia lá há semanas, não se atrevia a sair", disse à AFP. 

A polícia, que tinha acusado Kellermayr de explorar o caso "para sua própria notoriedade", disse que tinha sido tudo feito para a proteger. O Ministério Público de Wels também negou qualquer ato ilícito. "Assim que recebemos o relatório policial (identificando um dos suspeitos), enviámo-lo às autoridades competentes na Alemanha", explicou o porta-voz Christoph Weber.

Cientistas "amordaçados" 

As homenagens à médica chegaram dos mais altos quadrantes políticos do país. O presidente Alexander Van der Bellen visitou a pequena comunidade onde Lisa-Maria Kellermayr viveu, em Seewalchen, na segunda-feira, para depositar flores. O chefe de Estado também deixou uma mensagem aos cidadãos.

"Vamos pôr fim à intimidação e ao medo. O ódio e a intolerância não têm lugar na Áustria", afirmou, pouco depois da morte da médica ter sido anunciada. 

Nos grupos da rede Telegram, continuam a circular comentários maliciosos. Alguns utilizadores da internet "celebram a sua morte, outros culpam a vacina", relata Ingrid Brodnig, uma especialista em redes sociais, explicando que a covid, ao polarizar a sociedade, "provocou um fenómeno de agressão extrema entre alguns". "Leis rígidas" existem "mas ainda são mal aplicadas", disse, na esperança de melhorias "depois deste caso que abalou a nação". 

Em França, Karine Lacombe, uma cientista "vilipendiada" no auge da pandemia, lamenta igualmente "a falta de feedback das autoridades", bem como o facto de as suas duas queixas terem sido "tomadas de ânimo leve" e arquivadas "muito rapidamente". 

Embora tenha conseguido ultrapassar esta provação graças ao apoio da sua equipa hospitalar, a infecciologista, que está envolvida num grupo de cientistas conhecidos pela sua luta contra a desinformação sobre a covid, optou por manter-se resguardada da exposição pública. 

"Eu era muito procurada em 2022, mas fiz muito poucas aparições nos meios de comunicação para evitar este surto de violência. Acho que não vale a pena", afirmou, mas lamentando: "Nesse sentido, eles (os agressores) ganham, amordaçam-nos". 

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