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Universidades mandam estudantes para casa para travar protestos na China
Mundo 2 3 min. 29.11.2022
Protestos

Universidades mandam estudantes para casa para travar protestos na China

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Universidades mandam estudantes para casa para travar protestos na China

Foto: AFP
Mundo 2 3 min. 29.11.2022
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Universidades mandam estudantes para casa para travar protestos na China

Redação
Redação
O objetivo do regime chinês é dispersar o ativismo contra a estratégia "covid zero" que está presente, sobretudo, entre os jovens.

No rescaldo dos protestos mais importantes na China deste as manifestações pró-democracia em 1989, algumas universidades estão a exercer pressão para que os estudantes voltem às terras de origem, segundo a Associated Press. Isto porque as universidades são o foco dos protestos contra a política "covid zero" adotada pelo regime de XI Jinging. 

“Vamos providenciar [aulas e exames ‘online’] aos estudantes dispostos a regressar às suas cidades de origem”, disse a Universidade Florestal de Pequim no site oficial. A universidade também disse que o corpo docente e os estudantes foram testados à covid-19 e não há registo de qualquer infeção.


Protestos são desencadeados sobretudo por jovens.
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As manifestações que estão a marcar os últimos dias em território chinês são as primeiras em larga escala desde os protestos pró-democracia de 1989, que resultaram em centenas de mortes.

A Universidade de Tsinghua, ‘alma mater’ do Presidente Xi Jinping, onde estudantes protestaram no domingo, e outras escolas em Pequim e na província de Guangdong (sul, adjacente a Macau e a Hong Kong) disseram que estavam a proteger os estudantes da covid-19 ao enviá-los para casa.

No entanto, é do conhecimento geral que esta é uma das táticas usadas pelo Governo para dispersar os ativistas. 

Nas últimas semanas, surgiram protestos contra as medidas em algumas zonas da China, que se agravaram nos últimos dias, depois de 10 pessoas terem morrido num incêndio num edifício em Urumqi, a capital da região ocidental de Xinjiang, na quinta-feira passada.

Vídeos que circularam nas redes sociais pareceram mostrar que as medidas anticovid atrasaram o socorro às vítimas, provocando a ira de muitos chineses, que chegaram a pedir a demissão de Xi em protestos realizados em pelo menos oito cidades, incluindo Pequim e Xangai.

O Governo chinês adotou, desde o início da pandemia, a política “zero covid”, que tem implicado medidas draconianas para isolar cidades inteiras com milhões de habitantes e severas restrições à circulação de pessoas no país. Os confinamentos têm abrandado tudo na China, desde as viagens ao tráfego retalhista, até à venda de automóveis na segunda maior economia do mundo.  

Início de vida adiado 

O perito em política chinesa da Universidade de Chicago Dali Yang disse à AP  que o confinamento dos estudantes destruiu perspetivas de emprego e de negócios, e gerou frustrações que agora se manifestam pela contestação. “Tem havido uma certa ansiedade”, disse Yang.

Numa entrevista também à AP, a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, defendeu que a China deve mudar a sua política para conter a pandemia “sem custos económicos significativos”. Georgieva também exortou a China a analisar as políticas de vacinação e a concentrar-se na vacinação das “pessoas mais vulneráveis”.

Uma baixa taxa de vacinação entre os idosos é uma das principais razões dos confinamentos, a par do surgimento de variantes mais contagiosas do vírus.

Apesar de ser o país mais populoso do mundo, com mais de 1.450 milhões de habitantes, a China registou apenas 15.970 mortes atribuídas à covid-19 em mais de 3,6 milhões de casos de infeção, segundo os dados da Johns Hopkins.

Folha branca, o símbolo da repressão

Os manifestantes recorreram à utilização de folhas de papel A4 em branco nos protestos do fim de semana e a tática não é nova. 

A ação começou em Hong Kong durante os protestos contra a lei de segurança nacional aprovada em 2020, na sequência de manifestações de rua generalizadas um ano antes. 

A lei estabeleceu uma série de sanções destinadas a reprimir as manifestações públicas de oposição ao domínio do Partido Comunista na antiga colónia britânica. Ao segurar folhas de papel em branco, os manifestantes argumentaram que não podiam ser acusados de expressar quaisquer insultos ao regime porque não tinham nada escrito.

Dois anos volvidos, os jovens que protestam na China estão a passar a mesma mensagem. 

(Com agências*)


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