Escolha as suas informações

União Europeia apresenta plano de saída da emergência climática
Mundo 4 min. 11.12.2019 Do nosso arquivo online

União Europeia apresenta plano de saída da emergência climática

Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

União Europeia apresenta plano de saída da emergência climática

Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Foto: AFP
Mundo 4 min. 11.12.2019 Do nosso arquivo online

União Europeia apresenta plano de saída da emergência climática

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
O Pacto Ecológico Europeu, apresentado esta quarta-feira, pela presidente da Comissão Europeia, tem como objetivo a neutralidade carbónica em 2050.

A presidente da Comissão Europeia apresentou hoje o Pacto Ecológico Europeu. Ursula von der Leyen divulgou a nova estratégia como um roteiro ambicioso para chegar à neutralidade carbónica em 2050 e que deverá fazer da Europa a potência líder na transição económica.

"Os cidadãos europeus pediram-nos nas ruas e nas urnas e nós estamos a responder-lhes. Será um caminho longo e difícil, mas compete-nos marcar o ritmo e não deixar ninguém para trás", disse a presidente da Comissão aos deputados em Bruxelas, ao início da tarde.

O Pacto Ecológico Europeu (PEE) foi apresentado como "a estratégia de crescimento europeia, uma estratégia que dá mais do que tira". E que mostra como "transformar a nossa forma de viver e de trabalhar" e que deverá ser aplicado a todos os setores da economia.

Numa altura em que os líderes mundiais reunidos em Madrid na COP25 não estão a fazer progressos a finalizar os compromissos para o Acordo de Paris (que entra em vigor em 2020), a União Europeia aposta em tomar a dianteira e dar uma bofetada de luva branca. "Ao mostrar ao resto do mundo como ser sustentável e competitivos podemos convencer outros países a seguir-nos", prometeu von der Leyen.

O tom do discurso de von der Leyen foi otimista. Começou por referir que a nova estratégia da União Europeia está alinhada com os desejos dos cidadãos e do setor económico, dando um exemplo: "Ainda na sexta-feira passada, 45 dos maiores investidores europeus, representando 60 biliões de ativos, pediram à UE que apresentasse legislação para atingirmos neutralidade carbónica em 2050. Exigem-nos responsabilidade e fiabilidade. Os investidores querem saber com o que contam".

Num momento em que os Estados Unidos iniciaram o processo de sair dos Acordos de Paris (cuja saída de facto depende do resultado das eleições norte-americanas no próximo ano), está nos planos da nova comissão transformar "a economia europeia num líder mundial, ao ser o primeiro e o mais rápido". Amanhã o plano deverá ser apresentado ao Conselho Europeu (organismo que reúne os chefes de governo dos países da UE) e na sexta-feira Frans Timmermas, o vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelo PEE, irá estar no dia de fecho da COP25, a apresentar o "Green New Deal" europeu.

 Lei Climática Europeia daqui a 100 dias

Os próximos passos já são conhecidos. Dentro de 100 dias será proposta a Lei Climática Europeia. E haverá também a apresentação da Estratégia para a Biodiversidade para 2030; a nova Estratégia Industrial e o Plano de Ação para a Economia Circular, a Estratégia Da Quinta para o Prato, para a alimentação sustentável e propostas para uma Europa sem poluição.

Do ponto de vista financeiro, atingir os objetivos de redução de 55% de emissões até 2030, irá requerer um investimento adicional de 260 biliões todos os anos, o que representa 1,5% do PIB da União Europeia. Mas é um investimento que irá mobilizar não só o setor público como também o privado.

O Plano de Investimento da Europa Sustentável será lançado já no início do próximo ano. Pelo menos 25% do orçamento a longo prazo da UE será destinado à ação climática e o Banco Europeu de Investimentos (que já anunciou que não irá fazer mais empréstimos a empresas de combustíveis fósseis) estará envolvido nestes financiamentos. Haverá também uma Estratégia de Financiamento Verde para a contribuição do setor privado na transição.

"Para quem acha que o custo é elevado, precisamos de contabilizar o preço da não ação. Todos os anos as cheias custam 5 mil milhões de euros e a seca 10 mil milhões. E isto é o início, mas podemos resistir. Não é demasiado tarde". Todo o pacote de medidas estará pronto para a próxima COP26 (a Conferência do Clima anual, em Glasgow),em novembro de 2020, prometeu von der Leyen.

Mobilizar e defender todos

Para garantir que "ninguém fique para trás", a comissão irá lançar o Mecanismo para a Transição Justa, com 100 milhões de euros. "Será essencial para os setores que terão que se adaptar", para regiões dependentes de indústrias emissoras de gases com efeitos de estufa e também para a reconversão de trabalhadores para novos trabalhos.

Em março, será lançado um Pacto Climático, no qual se pede aos cidadãos que participem, desenhando ações, partilhando informação e criando iniciativas e soluções. "Temos que mobilizar todo o continente, desde a mais pequena vila, sem isso nada será possível", disse van der Leyen.

Na final da apresentação na sessão plenária Ursula van der Leyen terminou dizendo que "há um ano ninguém imaginava que milhões sairiam às ruas para defender o clima. Os europeus pediram-nos que fossemos a força motriz da mudança. Compete-nos a nós responder a esse apelo".

Referindo-se à ambição de que todos os setores na Europa alcancem uma redução de 55% de emissões em 2030, Ursula von der Leyen propôs para as próprias instituições europeias uma meta ainda mais robusta: "Este colégio (a comissão) e o parlamento irão em 2030 ser neutros em emissões".

 


Notícias relacionadas

Num discurso do Estado da União apoiado pela maioria dos eurodeputados, a presidente da Comissão Europeia prometeu esperança: saída da crise, mais ambição climática, rever a política de migração, garantir a luta contra o racismo e discriminação e criar emprego.