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Uma modesta proposta para poupar e reforçar os serviços consulares e de apoio aos emigrantes portugueses
Editorial Mundo 3 min. 08.01.2020

Uma modesta proposta para poupar e reforçar os serviços consulares e de apoio aos emigrantes portugueses

Uma modesta proposta para poupar e reforçar os serviços consulares e de apoio aos emigrantes portugueses

Editorial Mundo 3 min. 08.01.2020

Uma modesta proposta para poupar e reforçar os serviços consulares e de apoio aos emigrantes portugueses

Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Nuno RAMOS DE ALMEIDA
É imbuído desse espírito da quadra que pretendo num gesto propor uma medida que resolvesse alguns problemas no atendimento e apoio aos emigrantes portugueses no estrangeiro.

"Uma modesta proposta para prevenir que, na Irlanda, as crianças dos pobres sejam um fardo para os pais ou para o país, e para torná-las benéficas para a República" era o título curtinho do panfleto de Jonathan Swift que propunha em 1729 acabar com a fome, dando a comer aos mais endinheirados as crianças dos pobres famintos. "Quem quer que possa encontrar um método justo, barato e fácil para transformar estas crianças em membros saudáveis e úteis à comunidade, deverá não só merecer a aprovação do público, como ver ser-lhe erguida uma estátua como salvador da nação.", eram as pias intenções do autor das "Viagens de Gulliver".

É imbuído desse espírito da quadra que pretendo num gesto propor uma medida que resolva alguns problemas no atendimento e apoio aos emigrantes portugueses no estrangeiro.

Durante meses o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, ignorou golpes de Estado e massacres de indígenas, como na Bolívia; assobiou para o lado em relação ao assassinato de um general iraniano por um míssil disparado por um drone dos EUA. Na sequência do acontecido o Ministério da Defesa português veio esclarecer, na TSF, que os 30 militares que o país tem no Iraque não podem ser retirados por ordem do Governo de Lisboa, só, pelos vistos, por decisão da Nato e dos EUA.


Debandada no funeral de Soleimani deixa 40 mortos e mais de 200 feridos
A debandada ocorreu em Kerman, onde dezenas de milhares de pessoas se concentraram esta terça-feira para as cerimónias fúnebres do general iraniano.

O que nos leva a uma questão: se o MNE está calado com a hipótese de um ato ilegal dos EUA poder levar o planeta a uma guerra com consequências devastadoras; e se o executivo de Lisboa não manda nas tropas nacionais, porque não poupar dinheiro gastos nesses dois ministros e nos seus respetivos assessores, dando os serviços a quem de facto manda? Os mais argutos dirão: há o problema da língua. É preciso, portanto, conseguir que o Departamento de Estado e o Pentágono possam comunicar as suas decisões ao nativos lusos. Mas, para isso, certamente que um grupo de tradutores sairia mais barato que os inúteis atuais ministros.

O dinheiro excedente seria muito melhor usado, pelos embaixadores, em atividades de apoio aos emigrantes portugueses.

Mas isso não é um exagero? É sim, mas é um maior exagero Portugal e a União Europeia perante a um ato que viola grosseiramente o direito internacional e pode levar o planeta a uma guerra mundial assobiem como quem não vê nada.

O direito internacional é uma barreira à violência sem fim nem sentido, não é apenas para usar com as pessoas que nos convém e para não respeitar sempre que não gostarmos dos governantes de outros países.

Quando o Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça bombardear os locais culturais e religiosos iranianos está a violar grosseiramente a carta das Nações Unidas e a ameaçar cometer crimes de guerra sancionados pelo direito internacional. O silêncio da União Europeia ameaça contribuir para uma escalada que pode levar o planeta à beira de um precipício. Estar calado não vai salvar ninguém. Nem os dirigentes da UE.

Nota: este texto foi escrito a horas antes do lançamento de mísseis iranianos contra bases dos EUA no Iraque. Não era necessário ser bruxo para prever o que iria acontecer. 

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