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UE teme “desvio considerável” do Irão de acordo nuclear por aumento de produção
Mundo 2 min. 04.01.2021

UE teme “desvio considerável” do Irão de acordo nuclear por aumento de produção

Peter Stano

UE teme “desvio considerável” do Irão de acordo nuclear por aumento de produção

Peter Stano
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Mundo 2 min. 04.01.2021

UE teme “desvio considerável” do Irão de acordo nuclear por aumento de produção

Lusa
Lusa
O Irão iniciou o processo de produção de urânio enriquecido a 20% na central nuclear subterrânea de Fordo, bem acima do limite estabelecido pelo acordo internacional de 2015, divulgou esta segunda-feira a televisão iraniana, citando o porta-voz do Governo.

A diplomacia da União Europeia (UE) disse hoje que se o Irão concretizar a produção de urânio enriquecido a 20%, como anunciado pelas autoridades iranianas, ficará “consideravelmente desviado” do acordo nuclear, o que terá “sérias consequências” no pacto.

“Nós tomamos nota do anúncio feito pelas autoridades iranianas […], mas se este for concretizado poderá representar um desvio considerável dos compromissos nucleares no Plano de Ação Conjunto Global com sérias consequências”, afirmou o porta-voz da diplomacia da UE, Peter Stano, na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, em Bruxelas.

Questionado na ocasião sobre o anúncio hoje feito pelas autoridades iranianas, Peter Stano realçou, em nome do Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borell, a “importância de evitar passos que podem colocar em causa a preservação do acordo nuclear”.

O porta-voz Peter Stano notou, ainda assim, que a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) ainda não confirmou esta informação, notando que a UE aguarda que isso aconteça, possivelmente durante o dia de hoje.

Numa carta datada de 31 de dezembro e enviada à AIEA, o Irão já tinha informado sobre o seu desejo de produzir urânio enriquecido a 20%.


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De acordo com o último relatório disponível da agência da ONU, publicado em novembro do ano passado, Teerão enriqueceu urânio com um grau de pureza superior ao limite previsto no acordo de 2015 (3,67%), mas não havia ultrapassado o limite de 4,5%, e ainda cumpria o regime de fiscalização muito rigoroso da Agência.

O Plano de Ação Conjunto Global – mais conhecido como acordo nuclear iraniano – é um acordo firmado a 14 de julho de 2015, em Viena, pelo Irão e pelos países com assento no Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido), mais a Alemanha, visando restringir a capacidade do Irão desenvolver armas nucleares.

Entre outras disposições, o acordo limita o número de centrifugadoras (utilizadas para enriquecer urânio) de que o Irão pode dispor.

A partir de maio de 2019, o Irão já tinha começado a libertar-se dos principais compromissos assumidos no acordo de Viena de limitar o seu programa nuclear em troca do levantamento das sanções internacionais contra o país.

Esse desvincular dos compromissos começou um ano após a retirada unilateral dos Estados Unidos, em maio de 2018, seguida pela reintrodução de pesadas sanções norte-americanas que privaram o Irão das esperadas consequências do acordo.

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