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UE mais perto de embargo ao petróleo russo, mas não é para já
Mundo 5 min. 11.04.2022
Negócios Estrangeiros

UE mais perto de embargo ao petróleo russo, mas não é para já

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, fala aos jornalistas antes de uma reunião de ministros de Negócios Estrangeiros da UE, esta segunda-feira, no Luxemburgo
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UE mais perto de embargo ao petróleo russo, mas não é para já

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, fala aos jornalistas antes de uma reunião de ministros de Negócios Estrangeiros da UE, esta segunda-feira, no Luxemburgo
Foto: Kenzo Tribouillard/AFP
Mundo 5 min. 11.04.2022
Negócios Estrangeiros

UE mais perto de embargo ao petróleo russo, mas não é para já

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Os países da UE estão mais perto de aceitar um embargo ao petróleo russo, mas “cortar o petróleo não vai diminuir a a capacidade militar das tropas na batalha do Donbass, que é agora a principal preocupação”, disse o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, após a reunião dos ministros europeus dos Negócios Estrangeiros. Em vez disso, a UE anunciou mais 500 milhões de euros para armas.

Uma das coisas mais importantes a fazer é garantir que a Rússia vai ser responsabilizada pelos crimes de guerra cometidos na Ucrânia, disse na tarde desta segunda-feira o Alto Representante para os Negócios Estrangeiros da UE.

Josep Borrell justificou, assim, a presença do Procurador-geral do Tribunal Penal Internacional, Karim A. Khan, e da Procuradora-geral ucraniana, Iryna Venediktova na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27, que decorreu ao longo desta segunda-feira.


SWIFT retirado à Bielorrússia e mais 160 russos na lista negra da UE
No total, a UE passa a ter 862 indivíduos e 53 entidades alvo de sanções. As medidas vão desde o congelamento de bens ao impedimento de transações e depósitos em bancos europeus. E incluem a Bielorrússia de Lukashenko.

O chefe da diplomacia europeia já tinha anunciado que a União Europeia (UE) vai disponibilizar sete milhões de euros para a investigação de potenciais crimes de guerra e vai assegurar o envio de técnicos forenses para o terreno para recolher, classificar e preservar as provas.

Embargo total pararia guerra em oito semanas, diz ex-conselheiro de Putin

Esta segunda-feira, o Conselho Europeu aprovou um novo pacote de sanções, que vão também atingir a Bielorrússia, país alinhado com Putin. Além disso, foram incluídos mais políticos e oligarcas russos na lista negra europeia. Mas a grande questão que paira sobre os fóruns internacionais é se a UE vai ou não parar de importar petróleo e gás russo. 

Borrell já admitiu que “nada está fora da mesa”, mas um embargo ao petróleo não estava na agenda desta reunião dos MNE europeus, que decorreu no Luxemburgo. O que não quer dizer que não esteja a ser discutido noutras esferas. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já admitira que um embargo ao petróleo “pode estar por dias”. E há uma pressão internacional cada vez mais generalizada para que a UE aceite pagar essa fatura em troca da paz.

Um ex-conselheiro de Putin, Andrey Illarionov, explicou o impacto que uma decisão destas poderia ter no curso dos acontecimentos.  No domingo, em entrevista à BBC, avaliou que um embargo completo ao petróleo e gás russos levaria ao fim da guerra na Ucrânia em oito semanas. Para Illarionov, esta é a arma mais potente que o ocidente tem contra Putin.

A posição de Josep Borrell sobre o tema também é conhecida, até porque a abordou em público recentemente: “Até ao momento demos à Ucrânia mil milhões de euros – pode parecer muito, mas mil milhões de euros é o que pagamos a Putin todos os dias pela energia que lhe compramos”.


O ministro dos Negócios Estrangeiros português numa conferência de imprensa ao lado do primeiro-ministro, António Costa.
Portugal apoiaria embargo total da UE a gás e petróleo da Rússia
O ministro dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, está de acordo com a proposta recente do Parlamento Europeu.

Mesmo a Alemanha, que tem sido acusada de ter sido imprudente ao contratar o petróleo e gás russo quase em exclusivo, já está aparentemente mais próxima de aceitar o sacrifício de parar as importações. O próprio presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse num vídeo publicado domingo à noite que, em conversa com o chanceler alemão Olaf Scholz, verificou que a posição alemã “mudou recentemente em relação à Ucrânia”.

Na conferência de imprensa desta segunda, o chefe da diplomacia europeia acrescentou que, mesmo sem um embargo formal, há países que já tomaram decisões individuais quanto à importação de combustíveis russos. É o caso da Lituânia, que no início deste mês deixou de importar gás russo.

“Outros países estão já a tomar medidas para reduzir os consumos energéticos e podem fazê-lo de várias formas. O mais importante é que todos os países já têm planos para reduzir a dependência”, sublinhou Borrell.

 A "brutalidade da II Mundial" no Donbass muda prioridades  

O embargo europeu ao petróleo seria a maneira mais fácil de atingir o orçamento militar russo. “A conta do petróleo do ano passado foi quatro vezes maior do que a do gás. Por isso, é mais importante, e seria mais eficaz cortar as importações de petróleo”, admitiu Borrell, sem deixar de salientar que isto afetaria os países de maneiras muito diferentes, já que uns são totalmente dependentes dos russos e outros não. 

“É um choque assimétrico e tem de ser gerido combinando solidariedade. É fácil para os estados que não usam gás ou petróleo russos dizerem que se deve banir [estes combustíveis]”. Contudo, o fundamental agora é diversificar as fontes de energia e acelerar a transição para as renováveis. “A luta contra as alterações climáticas e os constrangimentos geopolíticos andam de mãos dadas”, lembrou.


Von der Leyen oferece a Zelensky dossiê para entrar mais depressa na UE
A presidente da Comissão e o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, prometeram ao presidente ucraniano mais dinheiro para armamento, um fundo de reconstrução e uma entrada na União Europeia mais rápida do que o normal. Mas não para amanhã.

Depois de, na sexta-feira, ter visitado Kiev com Ursula von der Leyen, onde pôde testemunhar o “falhanço russo” e o “horror” que está a ser infligido aos civis, incluindo na “cidade mártir de Mariupol”, o chefe da diplomacia europeia diz que a sua preocupação principal é o facto de o exército russo, “depois de ter percebido que não vai conseguir tomar Kiev, se estar a reagrupar no Donbass, onde se esperam batalhas com a brutalidade da II Guerra Mundial”.

Por isso, disse Borrell, “o que os ucranianos nos pedem agora é armas”. “Para estas batalhas que vão ocorrer, será indiferente se fizermos hoje um embargo ao petróleo, porque vai levar semanas a fazer efeito. Não seria nos próximos dias ou semanas que o exército russo teria menos meios de combate”, argumentou o chefe da diplomacia europeia.

Nesse sentido, foi anunciada na sexta-feira a entrega de mais 500 milhões de euros para equipamento militar por parte da UE. Esta verba acresce aos mil milhões que já foram disponibilizados através do Fundo Europeu para a Paz, um fundo fora do orçamento europeu e para o qual todos os países contribuem. No sábado, na sua incursão mediática por Kiev, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson anunciou a entrega de 100 milhões de libras em armamento à Ucrânia.

Propaganda russa: quem está a causar a fome no mundo?

Os ministros europeus discutiram também a propaganda russa e “a forma como as pessoas estão a percecionar o que se passa em todo o mundo”. Segundo Josep Borrell, é preciso continuar a “desmontar a narrativa do Kremlin junto da comunidade internacional”. E deu um exemplo: “Os russos estão a dizer que são as sanções que estão a levar à escassez alimentar.” 


Países da UE já congelaram cerca de 30 mil milhões de bens russos
Mais de metade dos países já enviaram relatório à Comissão sobre os bens de pessoas e entidades visadas. Barcos, helicópteros, propriedades imobiliárias e obras de arte encontram-se entre o material apreendido.

“Mas o que a está a criar é o facto de os russos bombardearem diretamente silos de trigo e não deixarem que navios carregados de trigo saiam dos portos. São eles quem está a criar fome no mundo. Por isso parem de culpar as sanções”.

 Atualmente, a região do planeta mais vulnerável à quebra de fornecimento vindo da Ucrânia são os países africanos, salientou Borrell.

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A poucos dias, ainda não se sabe e os diplomatas vão ter nova reunião no domingo. O que se sabe é que num conselho dedicado à crise energética, segurança alimentar e militar provocadas pela guerra na Ucrânia, Zelensky fará uma intervenção por vídeo. O secretário-geral da União Africana, Macky Sall, é outro dos convidados por causa da fome que a falta de cereais pode provocar em África.