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UE condena carga policial no funeral de jornalista palestiniana assassinada
Mundo 3 min. 14.05.2022
Palestina

UE condena carga policial no funeral de jornalista palestiniana assassinada

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UE condena carga policial no funeral de jornalista palestiniana assassinada

Foto: AFP
Mundo 3 min. 14.05.2022
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UE condena carga policial no funeral de jornalista palestiniana assassinada

Lusa
Lusa
Durante as cerimónias fúnebres, um grupo de pessoas pegou na urna da jornalista, morta enquanto cobria uma operação militar das tropas de Israel na Cisjordânia, e enfrentou agentes da polícia israelita, que golpearam os participantes no cortejo com cassetetes, quase fazendo cair o caixão.

União Europeia, Estados Unidos e Nações Unidas condenaram, esta sexta-feira,  os distúrbios ocorridos durante o cortejo fúnebre da jornalista palestiniana Shireen Abu Akleh, baleada na cabeça na quarta-feira enquanto cobria uma operação militar israelita na Cisjordânia.

A UE repudiou "o uso desproporcionado da força e o comportamento desrespeitoso da polícia israelita" contra os participantes nas exéquias da jornalista da estação televisiva Al-Jazeera.

"A UE está horrorizada com as cenas hoje ocorridas durante o cortejo do funeral da jornalista norte-americana e palestiniana Shireen Abu Akleh", disse o Alto Representante para a Política Externa da UE, Josep Borrell, em comunicado.

O chefe da diplomacia europeia acrescentou que "permitir uma despedida pacífica e que se chore a sua morte em paz, sem assédio e humilhação, é o mínimo respeito humano".

A UE voltou também a exortar a uma investigação independente que esclareça as circunstâncias da morte da jornalista e permita levar perante a Justiça os responsáveis.

Durante as cerimónias fúnebres, um grupo de pessoas pegou na urna da jornalista em ombros e enfrentou agentes da polícia israelita, que golpearam os participantes no cortejo com cassetetes, quase fazendo cair o caixão.

O serviço de emergências palestiniano Crescente Vermelho indicou que 33 pessoas precisaram de assistência médica após a carga policial e seis delas tiveram que ser transportadas para um hospital.

A polícia israelita, por seu lado, afirmou que "desordeiros atiraram pedras e outros objetos aos agentes que, em resposta, agiram para os dispersar".

A força policial disse que seis pessoas foram detidas durante as cerimónias fúnebres de Shireen Abu Akleh, que contaram com a presença de cerca de 10.000 pessoas, segundo a imprensa israelita.

EUA condenam imagens "profundamente perturbadoras" mas não comentam carga policial

Nos Estados Unidos, a Casa Branca também se declarou "profundamente perturbada" com as imagens das exéquias da jornalista palestiniano-norte-americana, marcadas pela violência policial israelita sobre o cortejo fúnebre.

"Todos nós vimos as imagens, elas são profundamente perturbadoras. Lamentamos a intrusão no que deveria ter sido uma procissão pacífica", declarou a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki.

"Pedimos respeito para o cortejo fúnebre, para os amigos da falecida e a sua família, neste contexto sensível", prosseguiu Psaki, prestando homenagem à "jornalista notável" morta na quarta-feira durante uma operação militar israelita em Jenin, na Cisjordânia ocupada.

Ao contrário da União Europeia, a porta-voz da Presidência dos Estados Unidos escusou-se a condenar o uso de força desproporcional pela polícia israelita durante a cerimónia.

"Quando dizemos que elas (essas imagens) são perturbadoras, é evidente que não as consideramos justificadas", limitou-se a afirmar.

Questionado sobre o incidente à margem de um evento na Casa Branca, o presidente norte-americano Joe Biden salientou a necessidade de uma investigação.

"Não tenho todos os detalhes, mas sei que [o incidente] precisa ser investigado", disse Biden.

ONU pede respeito pelos direitos humanos fundamentais

Também o secretário-geral das Nações Unidos, António Guterres, declarou ter acompanhado "com grande tristeza" o funeral de Shireen Abu Akleh e afirmou ter ficado "comovido com a manifestação de simpatia dos milhares de palestinianos enlutados nos últimos dois dias".

Guterres "ficou profundamente perturbado com os confrontos entre as forças de segurança israelitas e os palestinianos reunidos no Hospital St. Joseph, e com o comportamento de alguns polícias presentes no local", segundo um comunicado divulgado pelo seu porta-voz adjunto, Farhan Haq.

O secretário-geral "continua a exortar ao respeito pelos direitos humanos fundamentais, incluindo os direitos à liberdade de opinião e expressão e à reunião pacífica", concluiu a nota das Nações Unidas.

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