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Turismo astronómico em auge no Chile
Mundo 3 min. 29.06.2019 Do nosso arquivo online

Turismo astronómico em auge no Chile

Turismo astronómico em auge no Chile

Foto: AFP
Mundo 3 min. 29.06.2019 Do nosso arquivo online

Turismo astronómico em auge no Chile

O céu limpo que cobre o deserto do Atacama, o mais árido do mundo, transformou o Chile no epicentro da astronomia mundial, concentrando cerca de 45% da observação astronómica nos seus diferentes observatórios.

As mais de 300 noites por ano sem nuvens fazem do deserto de Atacama, no Chile, um destino único para observar o céu. Com uma oferta que vai desde pequenos telescópios até à visita aos maiores centros astronómicos, este tipo de turismo é cada vez mais popular na "capital mundial" da astronomia.

Nos arredores da cidade de Vicuña, 450 km a norte de Santiago, o observatório Mamalluca está, mais uma noite, cheio de turistas, antes do eclipse total do sol de 2 de julho, que vai escurecer completamente o céu nesta região do país.

"O boom que existe agora não é só pelo eclipse, mas por tudo que significa ter os principais centros de pesquisa astronómicos no Chile", diz à AFP Pablo Lara, diretor do observatório Mamalluca (ou "mãe que abriga" em língua quechua), que recebe mais de 60 mil visitas por ano e tem previstas várias atividades especiais para o dia do eclipse.

Em pleno Valle del Elqui, afastado da cidade e quase sem poluição luminosa, o observatório público foi construído em 1995, tornando-se pioneiro em desenvolver o conceito de turismo astronómico no Chile. Hoje, mantém praticamente cheias as reservas para as quatro visitas guiadas de duas horas que oferece no verão e para as três no inverno.

"É maravilhoso porque para além de poder ver a flora e a fauna que temos, podemos ver o que está sobre nós. Vemos sempre o que está em baixo ou no horizonte mas não conseguimos ver o que está em cima", diz entusiasmada Vanessa Arancibia, que acaba de terminar o passeio,  esta noite focado na observação de Júpiter e de várias constelações de estrelas.

"Nunca tinha visto o céu num lugar como este [...] é o melhor lugar para ver as estrelas, recomendo", diz Mie Thorsen, sobre a possibilidade que o observatório oferece de ver as estrelas através dos telescópios mas também a olho nu.

Cada vez mais alternativas

A maior oferta concentra-se no norte do país, no deserto de Atacama. Especialmente relevante é a atividade em torno ao pitoresco povoado de San Pedro de Atacama, em pleno deserto, um dos lugares mais visitados do país, onde a oferta de turismo astronómico é extensa, com a visita a lugares únicos, como o Valle de la Luna, o lugar mais parecido com Marte no planeta Terra.

"As pessoas procuram a possibilidade de ter um céu completamente limpo e aproveitar a experiência de perceber o quão imenso e importante é saber mais sobre estes temas", reflete Lara.

O céu limpo que cobre o deserto do Atacama, o mais árido do mundo, transformou o Chile no epicentro da astronomia mundial, concentrando cerca de 45% da observação astronómica nos seus diferentes observatórios, como o Paranal - que abriga o telescópio óptico mais potente do planeta - ou o radiotelescópio ALMA.

Com a inauguração de gigantescos projetos hoje em construção, como o Telescópio Gigante de Magallanes (GMT) ou o Telescópio Europeu Extremamente Grande (E-ELT), espera-se que o Chile concentre 75% da observação astronómica mundial a partir do ano que vem.

Situado a 5.100 metros de altura, um dos lugares mais espetaculares para a observação astronómica é a Planície Chajnantor, nas proximidades de San Pedro de Atacama. O céu excecionalmente seco e claro, com um nível pluviosidade extremamente baixo, é ideal para que as 64 antenas que formam o radiotelescópio ALMA captem as ondas emitidas pelos corpos celestes mais antigos e distantes do Universo.

Estes são os centros mais avançados de uma rede de outros observatórios como Tololo, La Silla ou Las Campanas, no norte do país.

AFP

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