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Trump: União Europeia é inimiga dos EUA
Mundo 4 min. 16.07.2018

Trump: União Europeia é inimiga dos EUA

Trump: União Europeia é inimiga dos EUA

Foto: AFP
Mundo 4 min. 16.07.2018

Trump: União Europeia é inimiga dos EUA

O presidente norte-americano, que reúne esta segunda-feira com o seu homólogo russo, considera a Rússia e a China “concorrentes” “eficientes” e a UE inimiga dos americanos devido às suas práticas comerciais que prejudicam Washington.

Numa entrevista, este domingo, à estação televisiva norte-americana CBS, Donald Trump deixou a cereja no topo do bolo daquilo que tem sido a sua estratégia de confronto com os seus aliados europeus, nesta visita que começou com a ida à Cimeira da Nato, continuou com a visita ao Reino Unido e encerra com o encontro em Helsínquia com Vladimir Putin. “Temos muitos inimigos. Creio que a União Europeia é um inimigo, por aquilo que nos faz em termos comerciais. Não o pensaria antes da UE, mas é um rival”, afirmou o presidente dos EUA, na resposta à questão de quem são os principais inimigos dos Estados Unidos. Sobre a China e a Rússia teve palavras mais matizadas: “A Rússia é um inimigo em certos aspetos. China é-o economicamente, mas isso não significa que sejam maus, significa que são competitivos”. Sobre as práticas comerciais da UE que seriam atos de inimizade comparável aos chineses, Trump explicou, “a UE é provavelmente tão má como a China, só que mais pequena. É terrível o que nos fazem”. O locatário da Casa Branca tem repetidamente acusado a UE de manter um excedente comercial com os EUA de mais de 151.000 milhões de dólares - na realidade são 100.000 milhões, dos 600.000 milhões do défice comercial dos EUA.

As declarações de Trump levaram o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, a responder no terreno do “inimigo”, o Twitter: “Os EUA e a UE são os melhores amigos. Quem diz que somos inimigos está a difundir 'fake news'”. Recorde-se que já em 16 de maio passado, o Donald polaco, tinha reagido às declarações do seu congénere dos EUA de que ia colocar taxas sobre o aço europeu, dizendo que “com amigos assim, não são precisos inimigos”.

Parece que Donald Trump quer refazer a célebre frase de Clausewitz que a “guerra é a continuação da política por outros meios”, para a ideia que o “comércio é uma forma de guerra por outros meios”. Os ataques à chanceler Angela Merkel, por causa do novo gasoduto russo para a Alemanha; e à primeira-ministra britânica Theresa May por causa do Brexit suave, demonstram a intenção de usar o peso da maior potência militar global para forçar os concorrentes económicos a fazer acordos mais à medida dos EUA. Em relação à UE, parece que Trump pretende vender segurança em troca da inversão dos défices comerciais.

A cólera do presidente americano em relação ao projeto do gasoduto Nord Stream 2, que prevê fornecer à Alemanha mais de 55 milhares de milhões de metros cúbicos do gás, mais do que uma preocupação da dependência energética de Berlim em relação a Moscovo, deve-se ao seu projeto de fazer os países da UE consumiram o gás de xisto dos EUA que chegaria à Europa por barco. A ameaça de sanções americanas para dificultar a construção do gasoduto levou a que uma fonte do Kremlin apelidasse os ataques da administração norte-americana ao projeto, como “concorrência desleal”.

A “guerra comercial” dos EUA com a UE insere-se numa política da nova administração de romper com os grandes acordos comerciais, por os considerar prejudiciais em relação aos interesses de Washington. No entanto, a política de Trump pretende cavar a divisão no seio dos países da UE, sabendo que parte dos Estados membros são contrários a um gasoduto russo que não passe na Ucrânia, que outros são crescentemente desfavoráveis às políticas da Alemanha mais abertas em matéria de imigração, e que muitos países europeus também sofrem com o acumular de grandes excedentes comerciais por parte da economia germânica. Conflitos de interesse que levaram um analista próximo do Kremlin a sublinhar que “nem no tempo da União Soviética os aliados europeus dos EUA estiveram tão próximo da divisão”.

China quer aliança com a Europa contra os EUA

No mesmo dia que Putin se encontra com Trump, uma delegação ao mais alto nível da União Europeia, com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker encontra-se em Pequim para conversações com o governo chinês.

A China quer forjar uma aliança com a UE contra as políticas protecionistas de Donald Trump. As autoridades chineses proporão medidas concretas que possam forçar os EUA a reconsiderar na guerra comercial que estão a fazer contra os países que têm excedentes comerciais nas relações com Washington.

A esta aproximação de Pequim a UE reage com receio. Nesta segunda-feira, Donald Tusk apelou para que os EUA, a China e a Rússia “evitem o conflito e o caos”, como se a Europa estivesse fora do conflito. “É por isso que apelo aos nossos hóspedes chineses, mas também como os presidentes Trump e Putine, a empenharem-se conjuntamente no processo de reforma completa da Organização Mundial do Comércio”. Como reconhece Tusk, os tempos estão difíceis, e nada será como dantes: “Estamos conscientes que a arquitetura mundial está em vias de mudar sob os nossos olhos”.

Nuno Ramos de Almeida

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