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Trump. Relatório conclui que houve abuso de poder
Mundo 3 min. 04.12.2019

Trump. Relatório conclui que houve abuso de poder

Trump. Relatório conclui que houve abuso de poder

Foto: AFP
Mundo 3 min. 04.12.2019

Trump. Relatório conclui que houve abuso de poder

Donald Trump terá abusado das suas funções enquanto presidente dos Estados Unidos ao pressionar o seu homólogo ucraniano em proveito político próprio e ainda terá obstruído a investigação iniciada pelo Congresso.

São conclusões do relatório da Comissão de Inteligência da Câmara depois de dois meses de investigação. O documento de 300 páginas, apresentado na terça-feira, vai servir como base para o debate, que começa esta quarta-feira no Comité Judiciário da Câmara dos Representantes, sobre se o 45.º presidente dos Estados Unidos deve ser destituído.

"Este relatório é a crónica de um plano do presidente dos EUA para coagir um aliado, a Ucrânia, que está em guerra com um adversário, a Rússia, a fazer o trabalho político sujo do presidente", afirmou Adam Schiff, responsável Comité antes de acusar Trump de violar “o juramento que fez" sobre a Constituição.

O relatório da Comissão de Inteligência de maioria democrata considerou que Donald Trump "colocou os seus interesses pessoais acima do interesse nacional, procurou minar a integridade do processo eleitoral presidencial dos EUA e pôs em perigo a segurança nacional". 

O documento inclui novos detalhes, tais como registos de chamadas, que revelam mais contatos do que se pensava anteriormente entre Rudy Giuliani, advogado pessoal de Trump e congressistas republicanos destacados. Também denuncia uma "campanha de obstrução sem precedentes na investigação", como Adam Schiff, presidente da Comissão de Inteligência, já havia sugerido durante as audiências referindo-se às ordens do presidente norte-americano dadas a potenciais testemunhas, bem como a agências governamentais para que não fornecessem aos investigadores os documentos que estes solicitaram. 

Agora começa uma nova fase no processo de destituição de Donald Trump que optou por não enviar nenhum assessor jurídico à primeira audiência pública a ser realizada pelo Comité de Justiça da Câmara dos Deputados, esta quarta-feira. Terminados os testemunhos no Comité de Inteligência, o caso avança para novas instâncias com Donald Trump a manter a estratégia de menosprezar o ‘impeachment’ considerando-o ilegítimo.

A Câmara dos Deputados abriu o processo contra o presidente em setembro, graças à maioria que detém nesta casa, depois de vir a público que Trump terá pressionado o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, no sentido de investigar uma empresa ucraniana de gás da qual foi administrador o filho do ex-vice-presidente Joe Biden, dado como favorito a concorrer pelos democratas nas eleições de 2020, em troca de ajuda militar dos EUA.

Se o prazo para a participação da defesa de Trump terminou na tarde de domingo, a Casa Branca enfrenta outra data decisiva. Até à próxima sexta-feira, o advogado deve determinar se vai trabalhar na defesa do presidente e se vai chamar testemunhas ou apresentar provas. Até ao momento, foram os congressistas republicanos presentes no Comité de Inteligência da Câmara que estiveram responsáveis por assumir a defesa de Trump e de enfrentar as testemunhas que acusaram o presidente norte-americano de chantagear o seu homólogo ucraniano. Depois, a Câmara dos Deputados será chamada a votar e o caso passaria, então, para as mãos dos senadores, que são maioritariamente republicanos, e onde a destituição de

Trump será improvável porque seriam precisos dois terços dos seus membros. Contudo, se cair, Trump torna-se no primeiro presidente dos EUA afastado através do processo de destituição. Richard Nixon demitiu-se em 1974 perante a iminência de um inquérito motivado pelo caso Watergate. Bill Clinton, em 1998, e Andrew Johnson, em 1868, foram alvo de processos de impeachment que foram aprovados no Congresso mas que naufragaram no Senado.

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