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Trump quer substituir May por Boris

Trump quer substituir May por Boris

Foto: dpa
Mundo 2 min. 13.07.2018

Trump quer substituir May por Boris

No primeiro dia da sua visita ao Reino Unido, o presidente dos Estados Unidos lançou uma bomba atómica, desta vez não escolheu o Twitter, usou o The Sun do seu amigo Murdoch para dizer que o Brexit suave liquida qualquer acordo com os norte-americanos e que gostava muito de ver Boris Johnson como futuro primeiro-ministro do Reino Unido. Isso no dia em que a primeira-ministra que o recebe, e o trata por "querido amigo", apresentou o seu plano de saída da União Europeia.

Numa extraordinária entrevista dada a um jornal, The Sun, do seu apoiante Rubert Murdoch, no dia em que começa a sua visita ao Reino Unido, Donald Trump, manda às urtigas a diplomacia e ataca a política do Brexit suave da sua anfitriã a primeira-ministra britânica, Theresa May, e “recomenda” Boris Johnson como novo primeiro-ministro.

Segundo as declarações do presidente dos EUA, o plano da primeira-ministra britânica pode “matar provavelmente” a possibilidade de um acordo de livre comércio com os EUA. “Se aprovam um acordo como este, teremos que tratar dos assuntos com a União Europeia em lugar do Reino Unido , e isso pode provavelmente matar o acordo”, declarou. “Teria feito tudo de uma maneira muito diferente, De facto, disse-o a Theresa May como o fazer, no entanto ela não esteve de acordo, não me ouviu. Queria seguir outro caminho”, criticou Trump as políticas do governo britânico, concluindo que a primeira-ministra britânica fez tudo mal: “De facto ela foi pelo caminho contrário. Deveria ter negociado da melhor forma que consiga. Mas o que está a acontecer é muito mau”.

A humilhação pouco protocolar à sua anfitriã não ficou por aqui. Donald Trump sugeriu mesmo que o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Boris Johnson, que se demitiu em oposição à adoção pelo governo da política do Brexit suave, seria “um grande primeiro-ministro (…) tem tudo o que é preciso”, declarou o visitante. Sobre a mulher que o recebeu dizendo que “é o mais próximo aliado do Reino Unido e o amigo mais querido”, Donald Trump conseguiu dizer que “é uma pessoa simpática”.

O presidente dos EUA que assim intervir diretamente na política do Reino Unido, numa altura que Theresa May apresentou na quinta-feira o seu plano, de 100 páginas, para um Brexit suave. Segundo este plano de um acordo entre o Reino Unido e a União Europeia, depois do Brexit, previsto para março de 2019, haverá uma nova “zona de comércio livre para mercadorias”, destinada a manter comércio sem fricções com os 27 estados membros da UE. Isso seria feito através de um “acordo aduaneiro simplificado”, “evitando uma fronteira dura entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda”. Segundo a proposta negocial do governo britânico, não haverá “taxas para nenhum produto” industrial ou do setor agroalimentar, mas o mesmo não se aplicaria ao vasto setor dos serviços do Reino Unido. Os bancos, em particular, perderiam o atual acesso ao mercado da UE, já que o governo abandonará o pensado anteriormente que passava por ambas as partes reconhecerem as regulações do outro. Os serviços representam 80% da economia britânica e vão deparar-se com mais barreiras ao acesso do Reino Unido ao mercado da União Europeia. TheCityUK, a associação que representa os serviços financeiros britânicos, considerou “lamentável e frustrante”, que o governo enterre o anterior plano, e Catherine McGuinness, chefe administrativa da City de Londres, considerou que a situação “é um duro golpe para o sector financeiro”.

Para além da oposição do poderoso setor financeiro, que deseja um Brexit que não seja de todo um Brexit, Theresa May tem um partido dividido: cerca de 49% dos militantes conservadores defende uma saída dura do Brexit sem acordo com a União Europeia.

Nuno Ramos de Almeida

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