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Trump quer aliados da NATO a pagar 4% do PIB em despesas militares
Mundo 5 min. 12.07.2018

Trump quer aliados da NATO a pagar 4% do PIB em despesas militares

Trump quer aliados da NATO a pagar 4% do PIB em despesas militares

Foto: AFP
Mundo 5 min. 12.07.2018

Trump quer aliados da NATO a pagar 4% do PIB em despesas militares

O presidente dos EUA já não se contenta com o cumprimento, em 2024 ,da meta que todos os países da NATO devem gastar cerca 2% do PIB em defesa. Exigiu 4% e para já. A Casa Branca quer trocar armas pelo défice comercial com a Europa.

“Os Estados Unidos pagam a proteção da Europa e perdem milhares de milhões no comércio [com a Europa]. Têm que gastar 2% do PIB [na defesa] imediatamente, não em 2025”, tuítou Donald Trump entre reuniões da Cimeira da Nato, revelando ao que vinha.

No pequeno almoço com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, o presidente dos EUA atacou a Alemanha por participar na construção de um novo gazoduto que ligue esse país à Rússia, dizendo que “A Alemanha é refém da Rússia”, porque tem 70% de dependência em relação a Moscovo. Na reunião dos líderes na Cimeira da NATO exigiu que os seus aliados subissem as suas despesas militares, não para 2% até 2024, como tinha ficado estabelecido na Cimeira de Gales em 2014, mas para 4%, e já. Os EUA querem usar a pressão para o rearmamento forçado da Europa como arma de arremesso para consequirem vantagens comerciais que permitam compensar o seu défice comercial. Nesse sentido, Donald Trump, não olha a meios, nem sequer mede números para conseguir esse propósito.

Na conferência de imprensa depois da reunião dos 28 chefes de Estado dos países da NATO, perguntaram a Stoltenberg se as exigências do locatário da Casa Branca prejudicavam a coesão da Aliança Atlântica, o secretário-geral apressou-se a responder que “a minha função é que permaneçamos juntos”. Donald Trump tem repetidamente dito que os EUA pagam a NATO e a defesa da Europa, afirmações que não parecem resistir à prova dos números. Segundo um estudo do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IIEE) essa contabilidade está longe da verdade. A sua autora, Lucie Béraud-Sudreau, garante que os gasto direto na defesa europeia feito pelos EUA foi de 30,7 milhar de milhões de dólares em 2017, o que é bastante inferior dos gastos totais de defesa dos aliados europeus da NATO que foram de 239 mil milhões de dólares em igual período.

O estudo da IIEE divide em três esse contributo dos EUA para a defesa da Europa: contribuição directa dos EUA nos gastos da NATO; despesas com as as bases norte-americanas e o seu pessoal em território europeu, que servem para missões dos EUA noutras zonas do mundo, como África e Médio Oriente; e programas de assistência militar aos seus parceiros. Essas três alíneas somadas dão 30, 7 mil milhões de dólares e representam apenas 5% da despesa de defesa dos EUA.

De facto, Washington paga 70% das despesas da NATO (em 2011 pagava 77%), mas só uma muito pequena parte dessas despesas são em território europeu. A maior parte das despesas são com a defesa do território dos EUA, o maior membro da Aliança Atlântica.

Na sexta-feira passada, Vladimir Putin recebeu em Sochi a chanceler alemã, Angela Merkel, os dois países têm relações tensas desde a integração por Moscovo da península da Crimeia, há quatro anos, mas compartilham um projeto comum da construção do gasoduto North Stream 2, que levará diretamente combustível da Rússia para a Alemanha, passando pelo fundo do Mar Báltico, um projto que conta com a oposição dos EUA que ameaçam com sanções os dois países.

Nesse encontro, o presidente russo garantiu que resistirá a qualquer tentativa dos norte-americanos de bloquearem a construção desta infraestrutura: “Donald Trump não é só presidente dos EUA, também é um grande empresário, acho que está a defender o interesse económico das empresas norte-americanas de impingir gás esquisito no mercado europeu”, e acrescentou, “acredito que o gasoduto será benéfico para nós [ Rússia e Alemanha] e lutarei por ele”, garantiu

A administração de Trump considera que a iniciativa do Kremlin pretende o duplo efeito de amarrar a Alemanha à dependência energética russa e golpear a Ucrânia que se veria privada das receitas da passagem do gás russo no seu território, podendo Moscovo usar a ameaça de não fornecer a Europa de Leste, continuando a vender à Alemanha e Europa Ocidental.

Algo que Putin se apressa a desmentir, “o fornecimento [através do território ucraniano continuará economicamente rentável”, garantindo o líder russo que o seu país está disponível para negociar garantias com o governo de Kiev, ainda que os ucranianos não desejam oficialmente manter relações com o seu poderoso vizinho, “querem continuar a receber cerca de 2000 a 3000 milhões de dólares anualmente pela passagem do combustível”, garante Putin.

Segundo afirma o diário norte-americano New York Times, também sobre esta questão os argumentos de Donald Trump estão longe da verdade. O presidente dos EUA garante que a Alemanha “recebe 60 a 70% da sua energia da Rússia”, mas de facto esse número corresponde à totalidade das compras de energia que a Alemanha faz ao estrangeiro, incluindo a energia que lhe é fornecida por importantes parceiros como a Holanda e a Noruega. Já em relação ao medo que o novo gasoduto pudesse significar o corte de fornecimentos à Europa de Leste, parece ser economicamente muito difícil. Segundo o especialista do Oxford Institute for Energie Studies, Stern, isso não é provável, até porque o novo pipeline não conseguirá satisfazer todas as necessidades da Europa e as vendas de combustível aos países do velho continente são o maior mercado para o gás russo. Cortar o atual pipeline que passa pela Ucrânia teria um custo económico incomportável.

Às acusações de Trump que a Alemanha “é prisioneira da Rússia devido ela depender energeticamente da Rússia” e que “este país [a Alemanha] paga milhares de milhões de dólares à Rússia e nós somos obrigados a defender [ essa mesma Alemanha] da Rússia (…) E isso não é normal”, responde a chanceler Alemã que o seu país toma decisões de uma forma “independente” e relembra que nasceu e viveu a sua juventude na extinta RDA (República Democrática da Alemanha): “Aproveito por lembrar que vivi pessoalmente numa parte da Alemanha que era controlada pela Rússia”, e que nada disso se passava agora. Mais duro foi o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, o social-democrata Heiko Mass, que usando a arma favorita da política externa e interna de Trump, o Twitter, escreveu: “Não somos prisioneiros, nem da Rússia nem sequer dos Estados Unidos”.

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