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Trump entre o medo e a pouco vergonha
Opinião Mundo 3 min. 19.11.2020

Trump entre o medo e a pouco vergonha

Trump entre o medo e a pouco vergonha

Foto: AFP
Opinião Mundo 3 min. 19.11.2020

Trump entre o medo e a pouco vergonha

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Enquanto Joe Biden é crescentemente reconhecido como presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump transmite a ideia de quem vai falando sozinho, assaltado por um medo crescente.

No dia 20 de Janeiro, Joe Biden será empossado como Presidente dos Estado Unidos e, nesse mesmo instante, Donald Trump perde a imunidade de que ainda goza, como mais alto magistrado da União. Ficará então ao dispor da justiça, sobretudo do Tribunal Fiscal de Nova York que o quer julgar por fraude fiscal e fuga aos impostos. E, se for condenado, terá de pagar aos cofres públicos uma fortuna enorme. Ao todo, é acusado em 12 processos.

Alguns observadores norte-americanos colocam a hipótese de Trump, antes de abandonar a Casa Branca, assinar um decreto, com o seu próprio perdão. Outros avisam que isso seria perigoso, porque o destino de tal decreto seria o Supremo Tribunal. E aqui, apesar da maioria conservadora, Trump podia perder, porque juízes como Brett Kavanaugh e Neil Gorsuch podiam decidir desfavoravelmente a Trump, como o fizeram há pouco tempo.

Apesar de ambos terem sido nomeados pelo ainda presidente, os dois magistrados não hesitaram em votar a favor da Procuradora-Geral do estado de Nova York, obrigando Donald Trump a apresentar todas as declarações de impostos que lhe foram exigidas pelos tribunais. Coisa que ele ainda não fez. Portanto, se agora o Supremo tivesse de analisar um decreto de autoperdão, seria bem possível que a maioria dos juízes considerasse esse diploma inconstitucional. Com esta possibilidade descartada, Trump pensa numa outra, mais maquiavélica, mas que já foi usada. Trata-se de uma combinação entre ele e o seu vice-Presidente, Mike Pence. 

Nos termos desse acordo, Trump abdicaria do seu cargo, uns dias antes de 20 de Janeiro, a tempo de Mike Pence ainda poder ser empossado como presidente. Depois, Pence assinaria o tal decreto que ilibaria Trump dos 12 processos que tem na justiça fiscal. Se tal vier a acontecer, não será nada de inédito. A 9 de Agosto de 1974, o então presidente, Richard Nixon, renunciou ao cargo, ara escapar a um processo de impeachment que o levaria a um posterior processo judicial. Foi substituído pelo seu vice, Gerald Ford, que de imediato decretou o perdão do presidente cessante, com o argumento de que ele já tinha liquidado 465 mil dólares de impostos em falta. Mas não era isso que estava em causa. Richard Nixon tinha processos em tribunal, relacionados com o escândalo Watergate, mas escapou com a cumplicidade e o pouco decoro de Ford. Quem sabe se Trump vai pedir a Pence a mesma falta de escrúpulos.

Enquanto Trump se prepara para sair com a maior redução de custos possível, Joe Biden prepara-se para entrar, com o seu staff já a trabalhar. Na agenda, tem duas prioridades. Em primeiro lugar, está o combate à pandemia que o seu antecessor sempre negou até ao limite do possível. Em segundo lugar, está a política externa, com o objectivo de recuperar a reputação internacional que Trump malbaratou.


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Nos próximos dias, Biden vai revelar algumas das medidas de combate à covid, esperando para isso que as farmacêuticas lhe passem informações sobre o estádio de desenvolvimento das vacinas e dos medicamentos. Sendo que as primeiras estão mais adiantadas que os segundos.

Na política externa, Biden quer relevar alguns dos distúrbios da administração anterior. Um deles será a manutenção dos Estados Unidos nos Acordos de Paris, sobre política ambiental. Mas pretende igualmente recolocar Washington nos areópagos multilaterais, contrariando a política da dupla Trump/Pompeo.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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