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Trump ameaça: a guerra será "o fim oficial do Irão"

Trump ameaça: a guerra será "o fim oficial do Irão"

Foto: AFP
Mundo 3 min. 20.05.2019

Trump ameaça: a guerra será "o fim oficial do Irão"

As declarações do Presidente dos EUA na sua conta do Twitter aumentam os receios de um conflito entre os dois países. Numa altura que se fala que Trump pretende ir para guerra sem autorização do Congresso.

 O Presidente norte-americano, Donald Trump, avisou hoje o Irão para “nunca mais” ameaçar os Estados Unidos da América, e advertiu Teerão que, se quiser lutar, será o seu “fim oficial”.

“Se o Irão quiser lutar, esse será o fim oficial do Irão. Nunca mais ameacem os Estados Unidos!”, publicou o chefe de estado na sua conta oficial na rede social Twitter, numa altura de crescente tensão entre Washington e Teerão.

Donald Trump publicou a declaração horas depois de o líder dos Guardiães da Revolução, Hossein Salami, ter dito que o Irão não teme uma guerra, ao contrário dos Estados Unidos, advertindo que o Médio Oriente pode converter-se "num paiol" para Washington.

"Não procuramos a guerra nem a tememos. É a diferença em relação a eles [Estados Unidos], que têm medo da guerra", afirmou num discurso durante uma cerimónia militar, que foi difundido pela televisão estatal iraniana.

Salami avisou que, quando a ameaça é remota, as forças iranianas apenas planeiam uma resposta estratégica, mas que, quando a ameaça se aproxima, também entram em ação "em termos operativos".

A tensão na região do Golfo tem aumentado e os Estados Unidos decidiram enviar para o Golfo Pérsico um navio de assalto anfíbio, um porta-aviões e caças-bombardeiros e designaram em abril os Guardiães da Revolução, uma força militar de elite, como grupo terrorista.

Na última semana agravou-se após a sabotagem de quatro petroleiros num porto dos Emirados Árabes Unidos e os ataques com 'drones' a um oleoduto saudita, com Riade a acusar o Irão de ter ordenado esta ação contra os rebeldes Huthis do Iémen.

A maioria das autoridades iranianas, como o líder supremo, Ali Khamenei, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif Khonsari, descartou uma guerra com os Estados Unidos.

"Nem nós nem eles procuramos uma guerra", assegurou Ali Khamenei, insistindo que o confronto não é de natureza militar, mas "um choque de vontades".

Por sua vez, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem referido que está disposto a negociar com os líderes iranianos.

Casa Branca prepara a guerra sem aprovação do Congresso

Comentadores afirmam que a administração Trump pode tentar ir para a guerra com o Irão sem aprovação do Congresso dos EUA. Para isso, quer fazer uso das leis aprovadas em 2001 - aprovadas para perseguir, de forma expedita, os autores dos ataques do 11 de Setembro no mesmo ano - que permitiram a invasão do Afeganistão e do Iraque. Expediente que vários dos membros do Congresso e do Senado acham injustificado, dado que o Irão não tem nenhuma relação com esses ataques.

Recentemente, fontes da administração Trump acusaram o Irão de apoiar a al-Qaeda. "Tudo está a ser construído com a ideia de não ir ao Congresso para aprovação [da guerra]", afirma o professor de Yale  Harold Koh, que trabalhou com Hillary Clinton na administração Obama, à NBC News. Para este académico a tentativa de ir à guerra contra o Irão, ao abrigo da legislação aprovada de 2001 é um absurdo ilegal: "A insinuação que o Irão atacou os EUA no 11 de setembro é só ridícula".    

 Também, em artigo no New York Times, a antiga secretária de Estado Wendy R. Sherman defendeu que o "Congresso devia usar os seus poderes para chamar a si a autoridade legal para declarar a guerra com o Irão", "limitando as capacidades da administração Trump poder declarar a guerra".   

Com Lusa

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