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Transmissão humana em surto mortal de um desconhecido vírus na Bolívia
Mundo 3 min. 17.11.2020

Transmissão humana em surto mortal de um desconhecido vírus na Bolívia

Transmissão humana em surto mortal de um desconhecido vírus na Bolívia

Foto: AFP
Mundo 3 min. 17.11.2020

Transmissão humana em surto mortal de um desconhecido vírus na Bolívia

O vírus Chapare reapareceu em 2019, depois de um surto em 2004, e produz sintomas parecidos ao do Ébola. Ainda não há qualquer tratamento para esta doença.

Investigadores descobriram que um vírus mortal que foi detetado na Bolívia pode transmitir-se de pessoa para pessoa, o que despertou o alarme sobre a possibilidade de surtos no futuro, de acordo com as novas informações apresentadas na segunda-feira pela Sociedade Americana de Medicina e Higiene Tropical (ASTMH).

A investigação também fornece provas preliminares relativamente às espécies de roedores que transportam o vírus e que podem transmiti-lo a pessoas ou outros animais.

Investigadores dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA apresentaram novas pistas para as muitas dúvidas em torno do vírus Chapare, que causou pelo menos cinco infeções perto da capital da Bolívia, La Paz, em 2019, três das quais fatais.

Antes disso, o único registo da doença tinha sido num pequeno grupo e um único caso confirmado em 2004 na província boliviana de Chapare. O recente surto foi uma surpresa para as autoridades sanitárias, pois inicialmente só sabiam que se tratava de uma febre hemorrágica que produzia sintomas semelhantes a doenças como o Ébola. Isto levou a uma rápida mobilização de peritos em doenças infecciosas do Ministério boliviano da Saúde, dos CDC e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para investigar as origens da doença.

"O nosso trabalho confirmou que um jovem médico residente, um médico de ambulância e um gastroenterologista contraíram o vírus depois de testarem com doentes infetados, e dois destes profissionais de saúde morreram mais tarde", afirmou Caitlin Cossaboom, epidemiologista da Divisão de Patogénicos e Patologia de Altas Consequências dos CDC. "Acreditamos agora que muitos fluidos corporais podem potencialmente transportar o vírus", de acordo com o El Mundo.

Caitlin Cossaboom explicou que a confirmação da transmissão de pessoa para pessoa mostra que os prestadores de cuidados de saúde e qualquer outra pessoa que lide com casos suspeitos devem ter extremo cuidado para evitar o contacto com artigos que possam estar contaminados com sangue, urina, saliva ou sémen.

O Chapare pertence a um grupo de vírus chamados arenavírus. Estes incluem agentes patogénicos perigosos, como o vírus Lassa, que causa milhares de mortes todos os anos na África Ocidental, e o vírus Machupo, que tem causado surtos fatais na Bolívia.

Tal como estes agentes patogénicos, o vírus Chapare pode causar febres hemorrágicas, uma condição também observada em doentes com Ébola que pode levar a problemas graves em vários órgãos, fazendo com que os doentes tenham dificuldade em sobreviver.

Caitlin Cossaboom relatou que no surto de Chapare de 2019 os pacientes sofriam de febre, dores abdominais, vómitos, sangramento das gengivas, erupções cutâneas e dor atrás dos olhos. Não há tratamento específico, pelo que os pacientes são cuidados principalmente com fluidos intravenosos, entre outros.

A responsável apresentou novas provas de RNA viral Chapare detetado em roedores recolhidos numa área em redor da casa e nas terras agrícolas próximas do primeiro doente identificado no surto de 2019: um trabalhador agrícola que também morreu. Adverte que as provas não significam que os roedores foram a fonte desta infeção embora forneça uma pista importante.

"A sequência genómica do RNA que isolámos em amostras de roedores corresponde bastante bem com o que vimos em casos humanos", observou. As espécies de roedores que deram positivo para o RNA viral foram encontradas na Bolívia e em vários países vizinhos. Os roedores são uma fonte ou reservatório chave de vírus semelhantes, incluindo o vírus Lassa.

Os cientistas acreditam que o vírus Chapare pode ter circulado na Bolívia durante vários anos, mas é possível que os doentes infetados tenham sido mal diagnosticados com dengue, uma doença que é comum na região e que pode produzir sintomas semelhantes.

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