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Todos em Bruxelas. Os 27 líderes encontram-se em cimeira histórica
Mundo 5 min. 09.12.2020

Todos em Bruxelas. Os 27 líderes encontram-se em cimeira histórica

Todos em Bruxelas. Os 27 líderes encontram-se em cimeira histórica

Foto: AFP
Mundo 5 min. 09.12.2020

Todos em Bruxelas. Os 27 líderes encontram-se em cimeira histórica

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
A cimeira deverá aprovar novas metas para 2030 da Lei do Clima e discutir vacinações e contra-terrorismo. À margem da agenda, os líderes rezam para que o pós-Brexit se resolva e que a Polónia e a Hungria parem de bloquear o orçamento para sete anos.

Vai ser muito rápido ou muito demorado, admitiu uma fonte próxima de Charles Michel, em relação ao que pode acontecer na cimeira europeia dos próximos dois dias em Bruxelas (10 e 11 de dezembro). A agenda em cima da mesa dos 27 líderes que se encontram presencialmente é intensa. Mas se as negociações que decorrem paralelamente para que a Hungria e a Polónia assinem o acordo do orçamento europeu não derem resultado, é possível que a cimeira que deverá acabar na sexta, dia 11, depois de almoço, se prolongue. Sem prazo. 

Muito rápido ou demorado. O orçamento na agenda sombra 

“É a maneira que temos de apoiar o turismo de Bruxelas”, ironizou um representante do Conselho Europeu, lembrando a cimeira de julho que levou os líderes europeus a marcarem quatro noites adicionais nos hotéis de Bruxelas. “Tanto pode ser muito rápido como muito demorado”, disse, salientando que se houver a noção de que o impasse não se desatará a nível dos chefes de Estado e de governo, as negociações com a Polónia e a Hungria serão feitas de novo ao nível da diplomacia em Bruxelas. 

Hoje, dia 9, durante a tarde, houve uma reunião dos embaixadores europeus em Bruxelas para discutir a nova proposta que Angela Merkel fez a Orbán e a Mateusz Morawiecki. Uma proposta que levou Orbán a dizer à televisão estatal húngara, na terça-feira, dia 8, que “está a centímetros de assinar” o acordo do orçamento europeu para 2021-27 e o plano de recuperação que totalizam €1.8 biliões. 

Por isso, os líderes europeus esperam que até à conclusão da cimeira o assunto se resolva e seja apenas preciso selar o acordo e festejar o desfecho. A Hungria e a Polónia recusaram há três semanas assinar o orçamento por serem obrigados a cumprir uma cláusula de Estado de Direito que os obriga a cumprir regras democráticas. Na carta em que convidou os líderes para o encontro em Bruxelas, Charles Michel referiu o assunto laconicamente :“Estou confiante que possamos encontrar um acordo para permitir a rápida implementação do Quando Financeiro Plurianual [orçamento 2021-27] e o Fundo de Recuperação”. 


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Se isso não acontecer, a Comissão Europeia já começou a preparar um plano de contingência para estender o atual orçamento para os primeiros meses de 2021. E isso significaria que este dossiê iria parar à presidência portuguesa da União Europeia. Um cenário que ninguém quer. António Costa já disse que isso não irá acontecer porque acredita que Angela Merkel vai deixar o assunto resolvido. A Alemanha detém a presidência da União Europeia até 31 de dezembro e a chanceler alemã é vista como a pessoa ideal para dobrar Orbán. 

Lei Clima: o peso de Orbán e Morawiecki 

 A situação da pandemia e a vacinação na Europa deverá ser um dos primeiros temas discutidos pelos chefes de governo e chefes de Estado que voltam amanhã, dia 10, a reunir-se no edifício Europa, em Bruxelas, a partir das 13h. O presidente do Conselho Europeu, o belga Charles Michel, prefere, para desempatar negociações difíceis o encontro de todos cara a cara e se há negociações que podem tornar-se problemáticas as desta reunião serão seguramente. 

A sessão da tarde será dedicada à Lei do Clima, que é um dos dossiês difíceis: é preciso aprovar a nova ambição de redução de emissões de gases com efeito de estufa para 55% em 2030. E nem todos estão de acordo em assumir o fardo da mesma maneira. Uma das questões que se coloca é se cada um dos 27 países tem que cumprir a meta, ou se os 55% de redução é a soma dos esforços de todos. 


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E há outra questão que uma fonte do Conselho referiu. Sem o orçamento aprovado – dependente da assinatura da Polónia e da Hungria – discutir a Lei do Clima torna-se “abstrato”, uma vez que a transição climática europeia para o objetivo de reduzir as emissões em 55% em relação a 1990 precisa de muito investimento. De todos os 30% que o orçamento europeu lhe deverá atribuir. Por isso, indiretamente, Orbán e Morawiecki vão fazer uma grande sombra a esta cimeira. 

Outros dos tópicos, são as relações com a administração Biden que tomará posse a 20 de janeiro de 2021 e a maneira como a Europa irá fazer face à cada vez maior ameaça de terrorismo. A cimeira europeia terminará com uma ligação ao Eurogrupo e à presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, para discutir a União Bancária Europeia, uma ideia que ganha força nas capitais dos 19 países da moeda única. 

Ursula janta com Boris, líderes só querem ser informados 

As relações pós-Brexit entre a União Europeia e o Reino Unido é outro dos assuntos que vão morrer nos próximos dias. E os chefes de Estado vão apenas ser “briefados” por Ursula von der Leyen sobre o estado das negociações. Não haverá, pelo menos formalmente, debate sobre o assunto. 


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Hoje, a presidente da Comissão recebe Boris Johnson no Berlaymont, em Bruelas, para um jantar que poderá determinar o futuro da nossa relação com os habitantes do Reino Unido. No fim de semana passado von der Leyen foi a Downing Street, mas voltou dececionada, sem ter registado avanço nas negociações. A possibilidade de um “no deal” é cada vez maior, estando a chegar ao fim o prazo para ratificar um acordo antes de 31 de dezembro. 

De qualquer maneira, a posição do Conselho é que o assunto está entregue ao negociador Michel Barnier e a Ursula von der Leyen, e é quanto basta.

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