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Tira, não tira. EUA anunciam retirada das tropas do Iraque mas afinal foi engano
Mundo 2 min. 07.01.2020 Do nosso arquivo online

Tira, não tira. EUA anunciam retirada das tropas do Iraque mas afinal foi engano

Tira, não tira. EUA anunciam retirada das tropas do Iraque mas afinal foi engano

AFP
Mundo 2 min. 07.01.2020 Do nosso arquivo online

Tira, não tira. EUA anunciam retirada das tropas do Iraque mas afinal foi engano

Teresa CAMARÃO
Teresa CAMARÃO
As tropas norte-americanas receberam "por engano" uma carta com ordem de retirada do Iraque em plena crise desencadeada pelo ataque que matou o número dois Irão. Washington fala num "erro cometido de boa fé" numa altura em que Donald Trump ameaça sanções em retaliação à moção aprovada pelo parlamento iraquiano com vista à expulsão das forças norte-americanas de Bagdad.

Divulgada esta segunda-feira, a carta de um general do Exército dos EUA a anunciar a deslocação das tropas norte-americanas para uma eventual retirada do Iraque, lançou a confusão no debate sobre a manutenção dos militares naquele país. 

Dirigida ao exército iraquiano, a missiva do general William Seely assegura que as forças norte-americanas serão "reorganizadas" com vista a "uma retirada segura e eficaz" do país. 

Uma alta patente dos norte-americanos já confirmou a autenticidade da carta ao Washington Post, pouco mais de 24h depois do parlamento iraquiano ter aprovado uma moção que insta o governo a expulsar as tropas estrangeiras na sequência do ataque que vitimou, entre outras figuras do exército iraniano, o general Qasem Soleimani em Bagdad. 

Citada pela France Press, a comunicação da polémica diz que os EUA respeitam "a decisão soberana de ordenar a nossa partida". A intenção já foi desmentida pelo ministro da Defesa norte-americano. Confrontado com a carta, Mark Milley garantiu que nunca "houve nenhuma decisão de qualquer tipo para deixar o Iraque". Perante a insistência dos jornalistas reforçou que não só não sabia da existência da alegada ordem. "Estamos a tentar descobrir de onde veio e o que é. Mas não foi tomada nenhuma decisão de deixar o Iraque. Ponto Final". 

Minutos depois, o chefe do gabinete do líder do Pentágono confirmou que, apesar de autêntico, o documento foi enviado por engano. "Era um rascunho de uma carta não assinada. Um erro cometido de boa fé".


Irão classifica todas as forças norte-americanas de "terroristas"
Os parlamentares alteraram uma lei recente que já declarava as forças dos EUA enviadas do Corno de África à Ásia Central, passando pelo Médio Oriente, como "terroristas" e estenderam agora essa denominação ao Pentágono.

Trump ameaça com sanções

Assim que tomou conhecimento da moção com vista à expulsão dos norte-americanos do Iraque, o presidente dos EUA ameaçou o Iraque com um pacote de sanções. A bordo do Air Force One presidencial, Trump garantiu que, em comparação, "as sanções no Irão vão parecer suaves". 

Ameaçou inclusivamente forçar Bagdad a pagar os custos da deslocalização da base área localizada no território. "Temos lá uma base aérea extraordinariamente cara. A construção custou milhões de dólares, feita muito antes de eu chegar. Não vamos embora a menos que sejamos pagos por isso". 

Na reação à ameaça, o chefe da diplomacia alemã, Heiko Maas, advertiu que "não é muito útil" ameaçar o Iraque não apenas do ponto de vista militar, mas também na ajuda à estabilização para reconstruir o país".

As forças armadas alemãs anunciaram, esta terça-feira, a retirada de parte dos soldados atualmente estacionados no Iraque em missões de formação. 




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Mais de uma dúzia de mísseis iranianos foram lançados esta quarta-feira de madrugada contra duas bases iraquianas, em Ain al-Assad e Arbil, que albergam tropas norte-americanas. Uma ação considerada uma operação de vingança na sequência da morte do general Qassem Soleimani.
No total, Berlim conta atualmente cerca de 120 militares no país. Vão ser transferidos para o Koweit e para a Jordânia na sequência da moção do parlamento iraquiani que exige a retirada das tropas estrangeiras do país.