Timor-Leste

PR timorense evoca “jovens de coragem” no 26.º aniversário do massacre de Santa Cruz

O Presidente timorense homenageou hoje os "jovens de coragem" que lutaram contra a ocupação indonésia de Timor-Leste
O Presidente timorense homenageou hoje os "jovens de coragem" que lutaram contra a ocupação indonésia de Timor-Leste
Foto: António Amaral/Lusa

O Presidente timorense homenageou hoje os "jovens de coragem" que lutaram contra a ocupação indonésia de Timor-Leste, evocando as vítimas do massacre de Santa Cruz, de 1991, e apelando à "tranquilidade e espírito de paz" no atual momento político.

"Para desenvolver o país precisamos de tranquilidade e espírito de paz. As diferenças políticas são naturais em democracia. É natural surgirem diferenças de programas, de atitudes ou opiniões entre pessoas ou grupos", disse Francisco Guterres Lu-Olo, num discurso no maior cemitério da cidade de Díli.

Francisco Guterres Lu-Olo falava numa cerimónia evocativa do 26.º aniversário do massacre de Santa Cruz, acontecimento que, por ser filmado pelo jornalista Max Stahl deu a conhecer ao mundo o drama que se vivia com a ocupação indonésia de Timor-Leste.

A intervenção ocorreu num momento de tensão política em Timor-Leste com o Governo minoritário que tomou posse a 15 de setembro, liderado pela Fretilin, a poder cair se a oposição chumbar pela segunda vez o programa do executivo.

Uma multidão concentrou-se hoje no cemitério para recordar um dos momentos mais importantes dos anos finais de luta contra a ocupação indonésia.

A 12 de novembro de 1991 realizou-se uma missa e cerimónia em homenagem de Sebastião Gomes, morto por elementos ligados às forças indonésias uns dias antes no bairro de Motael, e milhares de pessoas dirigiram-se até ao cemitério de Santa Cruz.

Durante o percurso alguns abriram cartazes e faixas de protesto. As forças indonésias responderam com extrema violência, matando mais de 250 pessoas.

As imagens do massacre de Santa Cruz, recolhidas pelo jornalista inglês Max Stahl e que, para muitos marcaram um momento de viragem na questão de Timor-Leste saíram de Díli, dois dias mais tarde, a 14 de novembro de 1991, graças à intervenção da holandesa Saskia Kouwenberg, que escondeu a cassete numa ‘bolsa' improvisada entre duas cuecas cosidas uma à outra, conforme contou à agência Lusa.

No seu discurso, o chefe de Estado homenageou quer "o movimento dos jovens de coragem contra a ocupação e violação da dignidade do povo", os "jornalistas e amigos corajosos", como Max Stahl, Allan Nairn, Amy Goodman e Saskia Kouwenberg que "testemunharam e divulgaram os acontecimentos no estrangeiro".

Lu-Olo considerou a "paz e a independência a maior riqueza" que o país recebeu com a luta contra a ocupação, sendo crucial passar para as gerações futuras "o respeito pela dignidade de todos os timorenses, incluindo os jovens".

"Timor-Leste precisa de jovens preparados para responder às necessidades do desenvolvimento da agricultura em todo o país. Precisa também de empresas com sucesso, especialmente no setor do turismo, que tem um alto potencial de aumento nos próximos anos", disse.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.