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Tensão Ucrânia-Rússia. "Não nos devemos colocar numa lógica de guerra", defende Asselborn
Mundo 4 min. 24.01.2022
Conflito

Tensão Ucrânia-Rússia. "Não nos devemos colocar numa lógica de guerra", defende Asselborn

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Tensão Ucrânia-Rússia. "Não nos devemos colocar numa lógica de guerra", defende Asselborn

Foto: AFP
Mundo 4 min. 24.01.2022
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Tensão Ucrânia-Rússia. "Não nos devemos colocar numa lógica de guerra", defende Asselborn

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
O Ministro dos Negócios Estrangeiros e Assuntos Europeus participa esta segunda-feira, em Bruxelas, numa reunião com os seus homólogos europeus e o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken.

O Governo luxemburguês apela à contenção no escalar da tensão entre a Rússia e a Ucrânia e os países aliados da NATO, que no início desta semana voltou a subir de tom. 

O ministro dos Negócios Estrangeiros e Assuntos Europeus, Jean Asselborn, avisa que "não nos devemos colocar numa lógica de guerra". A declaração foi feita à chegada do governante ao Conselho dos Negócios Estrangeiros de hoje, em Bruxelas.

Os titulares das pastas dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) estão reunidos esta segunda-feira, na capital belga, para discutir a situação de segurança na Ucrânia, face a uma potencial invasão da Rússia, embora Vladimir Putin negue essa intenção. 


Mais de 10.000 soldados russos em manobras nas fronteiras com Ucrânia e Geórgia
A equipa de investigação Conflict Intelligence Team (CIT) relatou que a Rússia está a mover armamento pesado, incluindo tanques e lança-mísseis, por via-férrea do Extremo Oriente e da Sibéria oriental para a parte europeia do país.

A reunião dos ministros europeus conta com a participação, por videoconferência, do secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken e acontece numa altura em que os países da NATO colocaram forças em alerta e enviaram navios e aviões de combate para reforçar a defesa na Europa Oriental contra a atividade militar russa nas fronteiras da Ucrânia, segundo anunciou hoje a Aliança Atlântica, numa declaração citada pela agência Lusa.

O organismo deu conta da mobilização de meios militares na região, em curso e a breve prazo, por parte de países como a Dinamarca, Espanha, França, Países Baixos e Estados Unidos.

“A NATO continuará a tomar todas as medidas necessárias para proteger e defender todos os Aliados, inclusive através do reforço da parte oriental da Aliança. Responderemos sempre a qualquer deterioração do nosso ambiente de segurança, inclusive reforçando a nossa defesa coletiva”, disse o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, na declaração.

A Rússia concentrou cerca de 10.000 soldados na sua fronteira com a Ucrânia nos últimos meses, o que levou os EUA e os aliados da NATO a acusar Moscovo de pretender invadir novamente o país vizinho, depois de ter ocupado e anexado a Crimeia em 2014.

Segundo a declaração divulgada hoje pela Aliança Atlântica, a Dinamarca “está a enviar uma fragata para o Mar Báltico e prepara-se para enviar quatro caças F-16 para a Lituânia para apoiar a missão de policiamento aéreo de longa data da NATO na região”.

Este anúncio do reforço das forças da NATO coincidiu com a notícia da autorização da retirada de funcionários diplomáticos dos Estados Unidos da sua embaixada em Kiev, capital da Ucrânia, face à crescente ameaça de uma invasão da Rússia.


NATO considera "inaceitável" exigência russa de retirada de Bulgária e Roménia
Cerca de mil soldados americanos, 140 soldados italianos e 250 polacos estão estacionados na Roménia e a França já anunciou que está preparada para enviar soldados para a região.

Embora a situação na região seja cada vez mais tensa, a Ucrânia considerou a decisão "prematura e de "cautela excessiva".

"Respeitando o direito dos Estados estrangeiros de garantir a segurança das suas missões diplomáticas, consideramos tal ação dos Estados Unidos prematura e uma demonstração de cautela excessiva", disse o porta-voz da diplomacia ucraniana, Oleg Nikolenko, num comunicado citado pela agência Lusa.

Apesar da tensão atual, "a situação de segurança não sofreu nenhuma mudança radical nos últimos tempos: a ameaça de novas ondas de agressão russa permanece constante desde 2014 e o aumento de tropas russas na fronteira (ucraniana) já começou em abril último", acrescentou.

Já chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, afirma que a UE não pondera, de momento, a retirada do seu pessoal diplomático da Ucrânia, a menos que o Governo norte-americano partilhe, na reunião de hoje “mais informação” que justifique essa medida.

Sanções ameaçam transporte de gás russo para a União Europeia 

Ainda que apelando ao aliviar da tensão bélica entre os dois países do leste europeu, Jean Asselborn sublinha que a UE está a disposta a responder com fortes sanções contra a Rússia em caso de invasão militar da Ucrânia.

Embora parte da Europa dependa energeticamente do gás proveniente da Rússia, as sanções europeias contra Vladimir Putin poderão passar por um bloqueio desses acordos, avançou o ministro luxemburguês numa entrevista à rádio alemã, citada pela agência Bloomberg.

O gasoduto Nord Stream 2 entre a Rússia e a Alemanha, que está quase concluído não seria autorizado a funcionar se Moscovo decidisse invadir a Ucrânia, segundo revelou o Ministro dos Negócios Estrangeiros luxemburguês. "Se houver uma intervenção russa então estaremos numa situação totalmente diferente", afirmou que "todos sabem, incluindo Putin, que se houver uma invasão, nenhum gás passará através deste gasoduto".

O Kremlin continua a negar qualquer intenção bélica em relação a Kiev mas quer garantias, como o não alargamento da NATO à Ucrânia para diminuir a sua presença militar junto ao país.  

Com agências

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