Escolha as suas informações

Tensão na Cimeira da NATO nos 70 anos da organização
Mundo 3 min. 03.12.2019

Tensão na Cimeira da NATO nos 70 anos da organização

Tensão na Cimeira da NATO nos 70 anos da organização

Foto: AFP
Mundo 3 min. 03.12.2019

Tensão na Cimeira da NATO nos 70 anos da organização

Donald Trump não gostou das críticas de Emmanuel Macron à NATO e considerou as declarações do presidente francês "insultuosas".

A Cimeira da NATO que decorre até quarta-feira em Londres e que assinala os 70 anos da Aliança Atlântica não podia ter começado da pior forma quando as tensões entre Estados Unidos e a União Europeia atingem um nível inédito. As duras críticas do presidente francês Emmanuel Macron à NATO, há alguns dias, irritaram Donald Trump, que até há pouco tempo era o que mais questionava a organização. O presidente dos EUA não hesitou esta terça-feira em chamar as declarações de Macron, que atribuiu à NATO "um estado de morte cerebral", de "insultuosas". Trump criticou a França depois da reunião com o secretário-geral da Aliança, Jens Stoltenberg, horas antes do início da cimeira.

Trump, que se deve reunir ainda hoje com Emmanuel Macron, juntou-se em Londres, aos líderes de 30 países, incluindo o primeiro-ministro português, António Costa. Em Londres, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, disse que a organização tem “medidas preparadas” e “recursos” destinados à defesa dos três países bálticos e da Polónia, num evento paralelo ao início da cimeira de líderes. Após um pequeno almoço de trabalho com o Presidente dos EUA Donald Trump, o ex-primeiro-ministro social-democrata norueguês participou hoje num seminário com outros líderes políticos e académicos, para debater algumas das questões mais prementes sobre o futuro e a função da Aliança.

Entre as questões mais difíceis assinalou a advertência do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de que se oporá aos planos da Aliança para o reforço militar dos Estados do Báltico (Estónia, Letónia e Lituânia) e Polónia face a uma possível ameaça por parte da Rússia, caso a NATO não reconheça como uma “organização terrorista” as milícias curdas da Síria.

A tensão entre o país euro-asiático e os aliados relaciona-se com a rejeição por alguns membros da Aliança à ofensiva turca no nordeste da Síria e à compra por Ancara do sistema russo de defesa antiaérea S-400.

A última ofensiva no norte da Síria, desencadeada em 09 de outubro, ocorreu três dias após os Estados Unidos terem ordenado a retirada das tropas norte-americanas da zona fronteiriça com a Turquia, deixando sem apoio logístico e militar as milícias sírias curdas Unidade de Proteção Popular (YPG), seus aliados no combate ao grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico nessa região.

“Temos planos para proteger os países bálticos e outros aliados; e mais que planos, temos recursos humanos”, assegurou o secretário-geral da NATO face à advertência de Erdogan.

Stoltenberg acrescentou ainda que a deslocação de forças militares “constitui a expressão mais forte" do "compromisso de defesa coletiva”, porque “envia uma mensagem muito clara" sobre a "determinação em defender" os aliados.

O chefe da NATO esclareceu ainda “que não é correto” referir, como alguns argumentam, que os Estados Unidos “vão abandonar” a NATO, assegurando pelo contrário que “está a aumentar a sua presença da Europa”.

Jens Stoltenberg também abordou os polémicos comentários do Presidente francês Emmanuel Macron sobre o estado de “morte cerebral” da organização militar aliada a nível estratégico.

O ex-líder social-democrata norueguês recordou que a NATO é uma organização que demonstra diariamente que “é ágil, ativa e apresenta resultados”, e considerou que “não se deve questionar a unidade e a determinação política” [dos aliados] de se manterem unidos e de se defenderem.

Apesar de reconhecer que uma organização com 29 Estados-membros registe “divergências”, sustentou que a NATO demonstrou “uma incrível fortaleza e resiliência e capacidade de resolver diferenças”.

Stoltenberg também se referiu a outro ponto determinante, o crescente poderio da China, um tema que passou a estar incluído na agenda dos líderes da aliança militar ocidental devido aos “desafios” colocados pela potência asiática.

“No passado a China não era um problema para a NATO, mas agora reconhecemos que tem implicações de segurança para todos os aliados”, admitiu.

Referiu-se ainda à questão do orçamento da Aliança e à expectativa de que os aliados aumentem as suas contribuições e cumpram o compromisso de investir 2% do seu produto interno bruto (PIB) na Defesa até 2024.

A NATO compromete-se “a investir mais e gastar melhor”, concluiu o político norueguês.

Com Lusa

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.


Notícias relacionadas

Trump faz de cobranças difíceis na Cimeira da NATO
O presidente dos EUA continua os seus ataques no Twitter aos seus aliados europeus, a quem acusa de roubar os contribuintes norte-americanos, enquanto faz elogios a Vladimir Putin com quem tem encontro a 16 de julho.