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Talibãs visitam Europa pela primeira vez desde que voltaram ao poder
Mundo 3 min. 24.01.2022
Diplomacia

Talibãs visitam Europa pela primeira vez desde que voltaram ao poder

Delegação liderada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Amir Khan Muttaqi, chegou a Oslo no sábado à noite num avião fretado pela Noruega.
Diplomacia

Talibãs visitam Europa pela primeira vez desde que voltaram ao poder

Delegação liderada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Amir Khan Muttaqi, chegou a Oslo no sábado à noite num avião fretado pela Noruega.
Foto: AFP
Mundo 3 min. 24.01.2022
Diplomacia

Talibãs visitam Europa pela primeira vez desde que voltaram ao poder

AFP
AFP
Os talibãs e os diplomatas ocidentais estão reunidos em Oslo, na Noruega, esta segunda-feira, para discutir a crise humanitária no Afeganistão e os direitos humanos, especialmente os direitos das mulheres, que estão a ser violados pelo novo regime.

Na primeira visita dos talibãs à Europa desde o seu regresso ao poder no Afeganistão, a delegação liderada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Amir Khan Muttaqi, reúne-se com representantes dos Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, União Europeia e Noruega.

Realizadas à porta fechada no hotel Soria Moria, numa encosta perto de Oslo, as conversações deverão centrar-se na emergência humanitária no Afeganistão e nos direitos humanos, uma vez que milhões de afegãos estão a passar fome no país, que está privado de ajuda internacional e afetado por várias secas.

"Ao mesmo tempo que procuramos resolver a crise humanitária, prosseguiremos uma diplomacia de olhos claros com os talibãs, pelo nosso interesse permanente num Afeganistão estável, respeitador dos direitos e inclusivo", escreveu no domingo o representante especial dos EUA, Thomas West, no Twitter.

Nenhum Estado reconheceu ainda o governo dos talibãs, fundamentalistas isla que foram expulsos do poder em 2001, mas recuperaram o controlo do país em agosto do ano passado, após uma ofensiva relâmpago.

Foto: AFP

A Noruega salientou que as conversações, criticadas por peritos e algumas pessoas da diáspora, "não constituem uma legitimação ou reconhecimento". "Mas temos de falar com as autoridades que de facto dirigem o país", disse na sexta-feira o chefe da diplomacia, Anniken Huitfeldt.

Por seu lado, o porta-voz do governo islâmico, Zabihullah Mujahid, disse à AFP no sábado que esperava que as conversações ajudassem a "mudar o ambiente bélico (...) para uma situação pacífica". 


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Desde agosto de 2021, a ajuda internacional que financia cerca de 80% do orçamento afegão parou com os EUA a congelarem 9,5 mil milhões de dólares em ativos do Banco Central Afegão. O desemprego disparou no país e os salários dos funcionários públicos não foram pagos durante meses. 

A fome ameaça agora 23 milhões de afegãos, 55% da população, segundo a ONU, que este ano pediu 4,4 mil milhões de dólares aos países doadores.

 "Um quebra-gelo positivo"  

No domingo, no primeiro dia da visita de três dias, os talibãs reuniram-se com membros da sociedade civil afegã, incluindo mulheres ativistas e jornalistas, para conversações sobre direitos humanos.

Uma das ativistas feministas, Jamila Afghani, chamou-lhe "um quebra-gelo positivo". "Os talibãs mostraram boa vontade", disse numa mensagem à AFP. "Vamos ver se as suas ações vão seguir as suas palavras".

Contudo, a comunidade internacional aguarda para ver como governam os fundamentalistas islâmicos, após terem violado os direitos humanos no país durante a sua primeira investida no poder, entre 1996 e 2001.

Apesar das promessas recentes aquando da tomada do poder em agosto de 2021, as mulheres são largamente excluídas dos empregos no setor público e as escolas secundárias para raparigas continuam em grande parte fechadas.

Duas ativistas femininas desapareceram ainda esta semana em Cabul.


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Presença de Anas Haqqani criticada

Os participantes sublinharam "que todos os afegãos devem trabalhar em conjunto para a melhoria política, económica e de segurança no país", disse o porta-voz talibã Zabihullah Mujahid no Twitter, no que descreveu como uma "declaração conjunta".

Também reconheceram que "a compreensão e a cooperação conjunta são as únicas soluções para todos os problemas do Afeganistão".

Presença de Anas Haqqani (à direita), um líder da rede Haqqani, tem sido duramente criticada nas redes sociais.
Presença de Anas Haqqani (à direita), um líder da rede Haqqani, tem sido duramente criticada nas redes sociais.
Foto: AFP



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Entre os 15 membros da delegação só de homens que chegaram no sábado à noite num avião fretado pela Noruega estava Anas Haqqani, um líder da rede Haqqani, clã considerado como grupo terrorista pelos EUA.

A sua presença em Oslo é particularmente criticada nas redes sociais. Responsável por vários ataques mortais no Afeganistão, o grupo tornou-se uma componente importante do novo regime talibã. 

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