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Taiwan afirma estar-se a "preparar para a guerra sem procurar a guerra"
Mundo 6 min. 04.08.2022
Tensão

Taiwan afirma estar-se a "preparar para a guerra sem procurar a guerra"

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Taiwan afirma estar-se a "preparar para a guerra sem procurar a guerra"

Foto: AFP
Mundo 6 min. 04.08.2022
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Taiwan afirma estar-se a "preparar para a guerra sem procurar a guerra"

Redação
Redação
Depois da visita da congressista americana, Nancy Pelosi, à ilha reclamada por Pequim, a China fez os maiores exercícios militares da história em torno do território.

As forças armadas de Taiwan disseram esta quinta-feira que se estão a "preparar para a guerra sem procurar a guerra", momentos depois da China ter iniciado as maiores manobras militares da história em torno da ilha, como resposta à visita de Nancy Pelosi, líder da Câmara dos Representantes do Congresso dos EUA, esta semana, àquele território.

"O Ministério da Defesa Nacional sublinha que respeitará o princípio de se preparar para a guerra sem procurar a guerra", disse o Ministério da Defesa de Taiwan em comunicado.


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União Europeia já condenou as manobras militares "agressivas" de Pequim.

A China iniciou esta quinta-feira os exercícios militares, que incluem fogo real nas imediações de Taiwan, noticiou a televisão estatal chinesa CCTV.

As manobras militares surgem em resposta à visita da congressista norte-americana Nancy Pelosi a Taiwan, vista como uma grave provocação pela China. 

Pelosi, líder da Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos, é a mais importante responsável norte-americana a visitar a ilha em 25 anos. Contudo, a visita acontece numa altura em que as relações bilaterais entre Pequim e Washington estão particularmente tensas. Os EUA têm também um porta-aviões e outro equipamento naval na região.

Nancy Pelosi chegou na noite de terça-feira a Taiwan e visitou na quarta-feira o Parlamento, tendo-se também encontrado com a chefe de Estado da ilha, Tsai Ing-wen, a quem transmitiu "apoio".

Pequim fala em "traição deplorável", Taiwan denúncia incursões militares

A deslocação de Pelosi agravou as tensões na zona, tendo Pequim considerado a visita uma "grande provocação" e apelidado a deslocação de "farsa" e "deplorável traição".

Nos últimos dias, o Governo chinês respondeu com sanções económicas a Taiwan.

A polícia chinesa deteve na quarta-feira um cidadão de Taiwan, Yang Chih-yuan, a viver na cidade de Wenzhou, alegadamente por se envolver em "atividades separatistas" e "pôr em perigo a segurança nacional", noticiou esta quinta-feira a imprensa estatal chinesa.


China. Se Pelosi visitar Taiwan EUA terão de arcar com "as consequências"
Visita a líder do Congresso americano à ilha ainda não está confirmada, mas exército dos EUA já prepara planos de segurança caso isso venha a acontecer.

No início da quarta-feira, o Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, do Governo chinês, anunciou "punições" para organizações "relacionadas com elementos extremistas que procuram a independência de Taiwan" e acusou a Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, e o seu partido, o Partido Democrático Progressista (DPP), atualmente no poder, de "conluio com forças estrangeiras" e de "arrastar Taiwan para um desastre".

Por sua vez, o Ministério da Defesa de Taiwan denunciou a incursão de 27 aviões militares chineses na Zona de Identificação de Defesa Aérea (ADIZ) na quarta-feira, dia da visita da congressista norte-americana Nancy Pelosi. Na terça-feira, o Governo de Taipé já tinha dado conta da incursão de 21 aviões chineses, horas antes de Pelosi aterrar na ilha.

Em ambas as ocasiões, de acordo com o comunicado, o ministério ativou uma patrulha aérea de combate, emitiu avisos de rádio e ativou sistemas de defesa antimísseis para monitorizar as aeronaves chinesas.

A ADIZ não é definida ou regulada por qualquer tratado internacional e não é equivalente ao espaço aéreo de Taiwan, cobrindo uma área maior, que inclui áreas da China continental.

No ano passado, o número de incursões chinesas aumentou, ações que foram condenadas tanto por Taiwan como pelos EUA.

Este movimento atingiu o seu auge no início de outubro, quando Pequim celebrou o aniversário da fundação da República Popular da China.

O exército chinês anunciou exercícios militares com fogo real em seis zonas marítimas perto de Taiwan a partir desta quinta-feira e até domingo, em resposta à controversa visita da líder da Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos.  

ASEAN pede a EUA e China para evitarem provocações  

A Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) apelou esta quinta-feira à calma no Estreito de Taiwan, aconselhando contra qualquer "ação provocatória" na sequência da visita a Taipé da líder da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.

Numa rara declaração sobre este tipo de questões, os ministros dos Negócios Estrangeiros das dez nações da ASEAN, reunidos em Phnom Penh, capital do Camboja, expressaram preocupação com a possibilidade da situação poder "desestabilizar a região e eventualmente levar a um erro de cálculo, a um confronto sério, a conflitos abertos e a consequências imprevisíveis entre grandes potências".

Constituída pelo Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar (antiga Birmânia), Filipinas, Singapura, Tailândia e Vietname, a ASEAN apela à "máxima contenção" e a que os envolvidos "se abstenham de ações provocatórias".

"O mundo precisa urgentemente da sabedoria e responsabilidade de todos os líderes para defender o multilateralismo e a parceria, a cooperação, a coexistência pacífica e a competição saudável para os nossos objetivos comuns de paz, estabilidade, segurança e desenvolvimento inclusivo e sustentável", escreveram os chefes da diplomacia.

"Devemos agir em conjunto e a ASEAN está pronta a desempenhar um papel construtivo na facilitação do diálogo pacífico entre todas as partes", acrescentaram.

 UE condena manobras militares "agressivas" de Pequim  

Já o chefe da diplomacia da União Europeia condenou as manobras militares "agressivas" da China no Estreito de Taiwan.


Asselborn. Visita de Pelosi a Taiwan é "uma provocação inútil à China”
Jean Asselborn lamenta a visita da líder do Congresso americano numa altura de tensão nas relações sino-americanas.

Josep Borrell sustentou que não há "nenhuma justificação" para as ações e que Pequim está a utilizar a visita a Taiwan da congressista americana Nancy Pelosi "como pretexto".

"É normal para os deputados dos nossos países fazerem viagens internacionais", escreveu esta quinta-feira na rede social Twitter a partir da capital do Camboja, à margem de uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

Por que é que Pequim reclama Taiwan?

Pequim reclama a soberania sobre Taiwan e considera a ilha uma província separatista desde que os nacionalistas do Kuomintang se retiraram para o seu território em 1949, depois de perderem a guerra civil contra os comunistas.

Taiwan, com o qual os EUA não têm relações oficiais, é uma das maiores fontes de conflito entre a China e os EUA, principalmente porque Washington é o principal fornecedor de armas da ilha e seria o seu maior aliado no caso de um conflito militar com o gigante asiático.

A China reclama a soberania sobre a ilha desde que os nacionalistas do Kuomintang liderados por Chiang Kai-shek foram derrotados pelas forças comunistas chefiadas por Mao Tsé-Tung durante a guerra civil na segunda metade da década de 1940.

Os nacionalistas refugiaram-se na ilha do Estreito da Formosa e estabeleceram em Taiwan, em 1949, a República da China (ROC - sigla oficial) - fundada em 1912 por Sun Yat-sen, em Nanquim. 


Avião militar dos EUA na chegada a Taiwan.
Nancy Pelosi está em Taiwan para garantir "apoio incondicional" dos EUA
"Os Estados Unidos vão ter que pagar o preço pelo ataque à soberania e segurança da China", afirmou porta-voz da diplomacia chinesa.

Embora a ilha não seja internacionalmente reconhecida como independente, também não está sob a alçada do Governo de Pequim, mantendo um estatuto de soberania. 

Apesar das disputas políticas, Taiwan e China são parceiros comerciais, tendo a China continental sido o principal destino das exportações de Taiwan em 2021.

 A última vez que ocorreu uma visita de alto nível de um político americano a Taiwan foi em 1997, com a deslocação do então presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Newt Gingrich, e numa em que as relações entre China e EUA estavam mais pacificadas. No entanto, o antigo congressista considerou que Pelosi deveria prosseguir com os seus planos de visitar Taiwan, porque um recuo encorajaria a China, que, segundo afirmou em entrevista à Fox News, não está numa posição forte para intimidar os EUA, defendendo que as suas ameaças não passam de "bluff".

(Com Lusa)

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