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Supremo trava nomeação do antigo segurança de Bolsonaro para liderar Polícia Federal
Mundo 2 min. 29.04.2020 Do nosso arquivo online

Supremo trava nomeação do antigo segurança de Bolsonaro para liderar Polícia Federal

Supremo trava nomeação do antigo segurança de Bolsonaro para liderar Polícia Federal

AFP
Mundo 2 min. 29.04.2020 Do nosso arquivo online

Supremo trava nomeação do antigo segurança de Bolsonaro para liderar Polícia Federal

Alexandre Ramagem já não toma posse esta quarta-feira. A indicação do amigo e antigo segurança do Presidente para a direção da Polícia Federal não passou no teste de constitucionalidade.

"Diante de todo o exposto", Alexandre Moraes considerou que a indicação de Alexandre Ramagem teria como objetivo atender os interesses pessoais de Jair Bolsonaro. A decisão do juíz do Supremo Tribunal Federal (STF) responde a um pedido de suspensão da nomeação apresentado pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) que alega "flagrante abuso de poder, na forma de desvio de finalidade". 

Amigo do clã Bolsonaro, Alexandre Ramagem dirigia até aqui a Agência Brasileira de Inteligência. Antes, foi chefe de segurança da equipa de segurança pessoal de Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral. Escolhido para suceder a Maurício Valeixo na direção da Polícia Federal falha a tomada de posse marcada para esta quarta-feira por decisão judicial. 

De resto, a demissão e substituição do antigo líder do orgão de polícia levou à saída do então ministro da Justiça. Na última aparição, Sérgio Moro justificou o pedido de demissão com alegadas interferências do Presidente na Polícia Federal. 

As palavras do juiz que se notabilizou em Curitiba, na condução da Operação Lava Jato, fizeram eco em Brasília. Ao suspender a nomeação do amigo da família Bolsonaro, Alexandre Moraes citou Sérgio Moro e reconheceu que há indícios de desvio de finalidade na escolha de Ramagem, ""em inobservância aos princípios constitucionais da impessoalidade, da moralidade e do interesse público". Quer isto dizer, que tribunal considerou que a nomeação presidencial pôs em causa a separação de poderes. 

No despacho, o juiz sublinha que o próprio chefe de Estado deu a entender que gostaria de receber informações da Polícia Federal. "Essas alegações foram confirmadas, no mesmo dia, pelo próprio presidente da República, também em entrevista coletiva, ao afirmar que, por não possuir informações da Polícia Federal, precisaria 'todo dia ter um relatório do que aconteceu, em especial nas últimas vinte e quatro horas'", escreve o juiz. 

"Recado"

A decisão é um dos assuntos mais comentados do Twitter no Brasil. Entre vários líderes e rostos da política, o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, saudou a independência do tribunal. 

"URGENTE! STF suspende nomeação de Ramagem, amigo do Carluxo para diretor da PF. Sinal de que o país ainda não virou puxadinho do Vivendas da Barra", afirmou o ativista no Twitter.

Citada pela imprensa brasileira, a deputada federal Joice Hasselmann do antigo partido do Presidente, PSL, colou-se novamente às críticas da oposição. "Polícia Federal não é Gestapo de Bolsonaro. Nomear amiguinhos é CRIME!", escreveu nas redes sociais. 

"Recado é claro: STF impõe limites à atuação do PR. Bolsonaro não pode tudo! Não pode nomear amigo da família pra abafar investigação contra filhos", acrescentou numa série de publicações inflamadas. 

De crise em crise, o governo não reagiu à decisão judicial. Ainda antes do pronunciamento do STF, Bolsonaro desvalorizou o assunto. “E daí? Devo escolher alguém amigo de quem?”, ironizou, durante o fim-de-semana.


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