Escolha as suas informações

"Sputnik V". Os países interessados na vacina russa
Mundo 3 min. 12.08.2020

"Sputnik V". Os países interessados na vacina russa

"Sputnik V". Os países interessados na vacina russa

Foto: AFP
Mundo 3 min. 12.08.2020

"Sputnik V". Os países interessados na vacina russa

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
A Rússia anunciou na terça-feira ter descoberto a primeira vacina contra a covid-19, apesar dos especialistas da OMS recomendarem cautela nos avanços russos. Entretanto, várias nações já demonstraram interesse na poção russa.

(CO/AFP e TASS)

Já há países interessados em adquirir a vacina contra a covid-19, chamada de Sputnik V, anunciada a 11 de agosto pela Rússia. Mesmo após as reticências da OMS sobre o feito, afirmando mesmo que só tem registo da primeira fase de testes, alguns países demonstraram interesse em assegurar a 'poção' russa.

Logo após o anúncio, o diretor do fundo de investimento russo envolvido na investigação, Kirill Dmitriev, afirmou que as Filipinas e os Emirados Árabes Unidos demonstraram interesse na Sputnik V, num total de 20 países da  América Latina, Médio Oriente e Ásia. 

Entretanto o estado brasileiro do Paraná anunciou também que um acordo com a Rússia está para breve. O contrato deverá ser assinado esta quarta-feira, disse na televisão brasileira Jorge Callado, presidente do Instituto de Tecnologia de Curitiba (Tecpar). A agência de notícias TASS acrescenta mesmo que os testes da vacina russa deverão arrancar no Brasil na próxima semana, apesar de a autoridade sanitária brasileira Anvisa ter dito que não recebeu qualquer pedido de teste ou registo da vacina. 

Também a ministra da Saúde israelita, Juli Edelstein, anunciou que Israel está interessado em saber mais sobre a vacina russa. As autoridades russas afirmaram que os pedidos ascedem a mais de mil milhões de doses. E mencionam também o interesse do estrangeiro em participar na terceira fase de testes, decisiva para uma possível aprovação. 


Vacina russa. OMS só tem registo da primeira fase de testes
Numa reação imediata ao anúncio russo da descoberta de uma vacina contra a covid-19, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reiterou hoje que a "pré-qualificação" e o licenciamento de uma vacina exige procedimentos "rigorosos".

OMS e Irão apreensivos

Na reação imediata ao anúncio russo, o principal organismo de saúde mundial, OMS, reiterou que nem a eficácia nem os efeitos secundários do Sputnik V podem ser avaliados numa base sólida. De acordo com o organismo, o estudo russo está listado na primeira fase de testes, quando as autoridades russas dizem estar já na terceira fase. 

Ate à data não foi publicado nenhum estudo detalhado dos resultados dos ensaios para estabelecer a eficácia do produto um procedimento que contradiz o procedimento internacional habitual. Os especialistas reiteram assim que a "pré-qualificação" e o licenciamento de uma vacina exige procedimentos "rigorosos". 

O Irão mostrou-se também apreensivo ao comparar a vacina com a Caixa de Pandora. "Até todos os ensaios clínicos estarem concluídos, a utilização de vacinas é como uma caixa de Pandora e, portanto, potencialmente perigosa", afirmou um porta-voz do ministério da Saúde iraniano no Twitter. De acordo com a mitologia grega, a Caixa de Pandora continha todos os males do mundo. Com a abertura da caixa os males fugiram para o mundo

"Todos os Estados devem estar conscientes de que uma corrida a uma vacina não deve ter outro objetivo que não o de proteger a saúde das pessoas", acrescentou. As autoridades de Teerão afirmam ainda estar a trabalhar numa própria vacina e anunciou resultados para breve. 

Jornal Le Figaro:  "Vacina de Putin pode revelar-se perigosa"

Também a imprensa, nomeadamente o jornal francês Le Figaro, se juntou às vozes reticentes em relação à vacina russa. Num artigo publicado no jornal esta quarta-feira, intitulado "Porque a vacina russa não está à frente da corrida planetária", o jornalista descreve o feito de "ineficiente" e "perigoso."

"Ao autorizar o lançamento no mercado do seu país antes das fases de testes essenciais para o lançamento terem sido concluídas, Putin está a expor a sua população a um produto que pode revelar-se ineficiente ou mesmo perigoso." (…) Putin deveria ter-se lembrado, por precaução, que embora o Sputnik tenha trazido a Moscovo a sua primeira vitória na conquista do espaço, os soviéticos  perderam a corrida e nunca conseguiram pôr os pés na lua".

Recorde-se que Sputnik foi o nome dado ao primeiro satélite a ser enviado para o espaço, visto como uma vitória política da ex-URSS durante a Guerra Fria.


Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

China aprova patente para vacina contra a covid-19
O Gabinete de Propriedade Intelectual do Estado Chinês aprovou a primeira patente de uma candidata a vacina contra a covid-19, que pode "ser produzida em massa num curto período de tempo", relata a imprensa local.
Nicarágua vai produzir a vacina russa
A vacina russa contra a covid-19, cujo registo foi anunciado terça-feira por Vladimir Putin, chama-se ‘Sputnik V’, vai começar a ser fabricada em setembro e já foi encomendada por 20 países.