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Socialistas chamados a votar na direita para “barrar” extrema-direita em França
Mundo 4 min. 09.12.2015 Do nosso arquivo online
Segunda volta das regionais

Socialistas chamados a votar na direita para “barrar” extrema-direita em França

O primeiro-ministro francês Manuel Valls (PS) apelou os socialistas a votarem nos partidos da direita – Les Républicains, MoDem e UDI – para impedir a Frente Nacional de vencer as eleições no domingo
Segunda volta das regionais

Socialistas chamados a votar na direita para “barrar” extrema-direita em França

O primeiro-ministro francês Manuel Valls (PS) apelou os socialistas a votarem nos partidos da direita – Les Républicains, MoDem e UDI – para impedir a Frente Nacional de vencer as eleições no domingo
Foto: AFP
Mundo 4 min. 09.12.2015 Do nosso arquivo online
Segunda volta das regionais

Socialistas chamados a votar na direita para “barrar” extrema-direita em França

O primeiro-ministro francês Manuel Valls exortou na segunda-feira à noite os militantes socialistas a votarem na direita unida – Les Républicains (de Sarkozy), MoDem (François Bayrou) e UDI (centristas) –, nas regiões onde o PS não venceu na primeira volta, para fazer barragem à Frente Nacional (FN, extrema-direita), na segunda volta das eleições regionais, no domingo, 13 de Dezembro.

O primeiro-ministro francês Manuel Valls exortou na segunda-feira à noite os militantes socialistas a votarem na direita unida – Les Républicains (de Sarkozy), MoDem (François Bayrou) e UDI (centristas) –, nas regiões onde o PS não venceu na primeira volta, para fazer barragem à Frente Nacional (FN, extrema-direita), na segunda volta das eleições regionais, no domingo, 13 de Dezembro.

“Nas regiões com o risco da Frente Nacional vencer e onde a esquerda não ultrapassa a direita, o PS decidiu proceder a uma obstrução republicana, em particular no Nord-Pas-de-Calais-Picardie e Provence-Alpes-Côte d’Azur”, a norte e a sul do país, declarou o número um do PS, Jean-Christophe Cambadélis, no domingo.

“Durante cinco anos, os socialistas não estarão presentes nessas regiões”, acrescentou, após uma reunião extraordinária da direcção do partido do Presidente François Hollande.

SARKOZY RECUSA FUSÕES

Sarkozy deu como instruções aos candidatos do seu partido -Les Républicains – para não se juntarem ou fusionarem com candidatos de partidos de esquerda, nem para combater a FN, reafirmou
Sarkozy deu como instruções aos candidatos do seu partido -Les Républicains – para não se juntarem ou fusionarem com candidatos de partidos de esquerda, nem para combater a FN, reafirmou
Foto: AFP

Também no domingo, após os primeiros resultados serem conhecidos, o ex-Presidente francês Nicolas Sarkozy afirmou que os conservadores (direita) “nem se vão retirar nem se vão fundir” com as listas de esquerda para impedir o triunfo da Frente Nacional na segunda volta das eleições regionais.

O líder conservador sublinhou que vai pedir aos responsáveis políticos do partido Les Républicains, em coligação com os centristas (MoDem e UDI), que “recusem qualquer fusão e qualquer retirada das listas” em benefício de outra com mais possibilidades.

“Temos que ouvir e compreender a exasperação dos franceses” e “também os que elegeram a Frente Nacional”, porque não fazê-lo seria “irresponsável”, afirmou Sarkozy depois de se conhecerem as primeiras projecções dos resultados da primeira volta das eleições.

No entanto, dentro e fora do partido de Sarkozy foram muitos os que já criticaram as directivas dadas pelo ex-chefe de Estado. Vozes do contra, lideradas por Jean-Pierre Raffarin e Alain Juppé, lembram que Sarkozy se auto-proclamou “o último bastião para fazer frente à Frente Nacional” e não concordam nem compreendem esta atitude do candidato às presidenciais de 2017. E, deixam o aviso, depois das eleições regionais de domingo, há muito para discutir no seio do partido Les Républicains.

MARINE LE PEN ACREDITA EM BOM RESULTADO NA SEGUNDA VOLTA

A líder da Frente Nacional francesa (FN, extrema-direita), Marine Le Pen, está bastante confiante numa vitória na segunda volta das eleições regionais em França, no próximo domingo, 13 de Novembro.

Partidos da esquerda e da direita conservadora parecem não conseguir entender-se para coligar-se contra a extrema-direita e os candidatos “frontistas” mostram-se satisfeitos com a situação.

No entanto, os analistas políticos avisam: “Enquanto a esquerda, que se retira em certas regiões depois da primeira volta, e os conservadores de direita, costumam recorrer a alianças e conseguir mais votos na segunda volta, por tradição a FN nunca teve aliados e será difícil superar os resultados da primeira volta, que constituem, já por si, um recorde”.

Marine Le Pen disse que a Frente Nacional “é a única frente verdadeiramente republicana”
Marine Le Pen disse que a Frente Nacional “é a única frente verdadeiramente republicana”
Foto: Reuters

Ou seja, os analistas políticos prevêem a vitória da direita conservadora no próximo domingo, e não da FN. Com a decisão anunciada de os partidos de esquerda se retirarem da segunda volta nas regiões onde não venceram na primeira, e com o apelo de Manuel Valls aos socialistas para votarem nos partidos da direita conservadora para barrar o caminho à FN, a extrema-direita não tem hipótese nenhuma de vencer a segunda volta das regionais. Pelo menos, é o que dizem os analistas políticos nos media franceses.

No domingo, a nível nacional, a FN obteve 27,96% dos votos, a direita unida por Sarkozy – Les Républicains, MoDem e UDI – conseguiu 26,89 %, e o PS ficou-se pelos 23,33 %.

A FN venceu em seis das 13 novas grandes regiões francesas (regiões constituídas após uma recente regionalização): Nord-Pas de Calais-Picardie (40,64%); Alsace-Lorraine-Champagne-Ardenne (36,06%); Centre-Val de Loire (30,49%); Bourgogne-Franche Comté (31,48%); Languedoc-Roussillon-Midi-Pyrénées (31,83%); e na região PACA, (Provence-Alpes-Côte d’Azur), onde o partido foi conduzido pela neta de Jean-Marie Le Pen, Marion Maréchal-Le Pen (40,55 %). A direita conservadora venceu em quatro regiões: Normandie (27,91%), Ile de France (30,51%), Pays de la Loire (33,49%) e Auvergene-Rhône-Alpes (31%). O PS de François Hollande venceu em apenas três regiões: Aquitaine-Limousin-Poitou-Charentes (30,39%), Bretanha (34,92%) e na ilha da Córsega (18,42%).

Marine Le Pen considerou que os resultados da primeira volta provam que a FN “é sem qualquer dúvida o primeiro partido da França”. No seu discurso, assegurou ainda que a FN “é a única frente verdadeiramente republicana”, e apelou a “todos os patriotas franceses” para se unirem em torno da FN na segunda volta das eleições, no próximo domingo, antes de denunciar o que definiu de “campanha de calúnias e intimidação” contra o seu partido.


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