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Sobrinha de Trump lança livro contra o Presidente: "Não posso permitir que destrua o país"
Mundo 4 min. 08.07.2020

Sobrinha de Trump lança livro contra o Presidente: "Não posso permitir que destrua o país"

Sobrinha de Trump lança livro contra o Presidente: "Não posso permitir que destrua o país"

Foto: AFP
Mundo 4 min. 08.07.2020

Sobrinha de Trump lança livro contra o Presidente: "Não posso permitir que destrua o país"

Mary Trump diz que o Presidente norte-americano vê as pessoas apenas em "termos monetários" e que se dedica a enganar "como forma de vida".

A família do Presidente Donald Trump lançou uma batalha legal para impedir a publicação do livro Too Much And Never Enough: How My Family Created the World's Most Dangerous Man [Demasiado e nunca suficiente: Como a minha família criou o homem mais perigoso do mundo"]. 

O livro é da autoria da sobrinha do Presidente, Mary Trump, de 55 anos. Doutorada em psicologia clínica, Mary é a filha de Fred Trump Jr., o irmão mais velho do presidente, que morreu em 1981 depois de complicações cardíacas devido ao seu alcoolismo, conta o El País.

"Donald, seguindo o exemplo do meu avô e com a cumplicidade, silêncio e inação dos seus irmãos, destruiu o meu pai. Não posso deixá-lo destruir o meu país", escreve a autora num livro que causou tanto entusiasmo que foi antecipado em duas semanas. O seu lançamento está agendado para 14 de julho e os meios de comunicação social dos Estados Unidos, como a CNN e o The Washington Post, puderam aceder ao texto na terça-feira.

Donald Trump e os seus irmãos terão sido vítimas de um pai dominante e frio, Fred Trump, a quem tentaram conquistar através de mentiras toda a vida, refere Mary Trump. O livro deixa claro que para o seu falecido pai "mentir era defensivo, não simplesmente uma forma de evitar a desaprovação do seu pai ou evitar castigos, como era para os outros, mas uma forma de sobreviver". A sobrinha do presidente dos EUA diz que o pai pagou a alguém para lhe fazer um exame de admissão à faculdade (SAT), que acabou por lhe valer a admissão à prestigiosa Wharton School da Universidade da Pensilvânia. Trump temia que a sua média de notas, muito abaixo do topo da sua classe, fosse um impedimento à sua aceitação.

"Mentir era principalmente uma forma de auto-valorização destinada a convencer os outros de que ele era melhor do que realmente era", diz Mary Trump sobre o Presidente, de acordo com o El País. Acrescentou ainda que este padrão se foi repetindo ao longo da sua carreira, como quando se apresentou à indústria imobiliária nova-iorquina como um homem construído a pulso por si próprio e um grande negociador. "O seu conforto em retratar essa imagem, juntamente com o favor do seu pai e a segurança financeira que lhe proporcionou, deu-lhe uma confiança imerecida no que era uma farsa desde o início: vender-se não só como um playboy rico mas como um brilhante homem de negócios construído por si próprio", diz o livro. De acordo com os meios de comunicação locais, Mary Trump usa documentos legais, extratos bancários, declarações de impostos e outros documentos para alimentar a sua memória.

Descreve ainda o El País que enquanto assistiam à entrada de Trump na campanha das primárias do Partido Republicano, em 2015, a irmã mais velha de Trump, a antiga juíza federal, Maryanne Trump Barry, zombou do candidato. Chamou-lhe "palhaço" e disse que ele nunca viria a ser presidente. Também criticou Donald Trump por usar o vício de Fred Jr. para fins eleitorais. Maryanne Trump Barry reformou-se em abril de 2019, pondo fim a uma investigação sobre se tinha violado as regras de conduta judicial ao participar num esquema fiscal duvidoso com os seus irmãos. Os conflitos familiares multi-geracionais são uma parte central do livro, que tenta explicar os "comportamentos desviantes" de Trump, tais como ver os outros em "termos monetários" e "enganar como forma de vida".

Robert Trump, o irmão mais novo do presidente norte-americano, apresentou em maio uma ação judicial contra a sua sobrinha Mary e Simon & Schuster Publishers no Supremo Tribunal do estado de Nova Iorque, alegando a violação de um acordo sobre a herança do pai de Donald Trump que impedia a revelação da sua existência. Quando morreu, em 1999, Mary e o seu irmão Fred não receberam a herança que esperavam, ou seja, uma soma igual à que teria chegado ao seu pai se ele estivesse vivo. Ambos contestaram o valor das partilhas argumentando que alguém ligado à família Trump tinha forçado o seu avô a mudar a vontade e a deixar-lhes menos dinheiro. Finalmente, chegaram a um acordo com os seus tios e receberam uma quantia não revelada. Isto, após assinarem um acordo de confidencialidade no qual concordaram nunca escrever sobre qualquer membro da família se não estivessem todos de acordo. 

Robert ganhou o caso e bloqueou temporariamente a publicação mas um tribunal de recurso levantou a ordem de restrição contra a editora no dia seguinte por não terem assinado um acordo de confidencialidade. A ordem ainda assim compromete a autora pelo que não pode fazer quaisquer comentários públicos.

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