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"Sem vocês a Ucrânia fica sozinha. Provem que estão connosco", pede Zelensky à UE
Mundo 4 min. 01.03.2022 Do nosso arquivo online
Guerra

"Sem vocês a Ucrânia fica sozinha. Provem que estão connosco", pede Zelensky à UE

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, aplaude o discurso de Volodymyr Zelensky, o presidente ucraniano, que discursou esta terça-feira por videoconferência no Parlamento Europeu.
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"Sem vocês a Ucrânia fica sozinha. Provem que estão connosco", pede Zelensky à UE

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, aplaude o discurso de Volodymyr Zelensky, o presidente ucraniano, que discursou esta terça-feira por videoconferência no Parlamento Europeu.
Foto: John Thys/AFP
Mundo 4 min. 01.03.2022 Do nosso arquivo online
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"Sem vocês a Ucrânia fica sozinha. Provem que estão connosco", pede Zelensky à UE

Lusa
Lusa
Apelo surge no mesmo dia em que dois mísseis cruzeiro russos atingiram a cidade de Kharkiv", provocando "dezenas de mortos". Segundo as autoridades ucranianas, esta é "a cidade com o maior número de universidades" do país.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu esta terça-feira à União Europeia que prove que está do lado da Ucrânia na luta pela sua sobrevivência e pela defesa da liberdade, ao intervir por videoconferência numa sessão plenária extraordinária do Parlamento Europeu.

"Sem vocês a Ucrânia fica sozinha. Provem que estão connosco, provem que não nos vão deixar sozinhos. E então a vida ganhará sobre a morte, e a luz vencerá as trevas", disse Zelensky no final da sua intervenção, ovacionada de pé por um hemiciclo 'colorido' de azul e amarelo, as cores da bandeira da Ucrânia, num debate no Parlamento Europeu em Bruxelas sobre a agressão militar russa contra o país.


O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky num discurso televisivo na capital ucraniana, Kiev.
Presidente ucraniano diz ter recebido "alguns sinais" nas negociações com Rússia
As delegações dos dois países terminaram na segunda-feira as primeiras conversações, realizadas na Bielorrússia, e admitiram um novo encontro "em breve".

Zelensky começou por dizer que "esta manhã foi muito trágica" para o povo ucraniano, já que "dois mísseis cruzeiro atingiram a cidade de Kharkiv", provocando "dezenas de mortos".

Sublinhando que esta é "a cidade com o maior número de universidades da Ucrânia", cerca de duas dezenas, e normalmente com muita vida, o presidente ucraniano disse que aquela que é a maior praça do país foi atingida por um míssil. "Chama-se Praça da Liberdade e é a maior do nosso país. Podem imaginar mísseis cruzeiro a atingir esta praça?", questionou Zelensky.

Momentos depois do apelo de Zelensky, o presidente do Parlamento ucraniano, Ruslan Stefanchuk, pediu aos eurodeputados para apoiarem a aspiração da Ucrânia a integrar a União Europeia (UE). "O melhor apoio que podem dar ao povo ucraniano nestas horas negras é o reconhecimento real da nossa aspiração europeia, até porque a integração na UE era apoiada por uma maioria de vós ainda antes destes eventos que começaram a 24 de fevereiro", disse Stefanchuk, intervindo remotamente no debate no Parlamento Europeu (PE), com imagens da guerra por trás.


Vários refugiados da Ucrânia reunidos para apanhar um autocarro do posto fronteiriço de Medyka para Przemysl, no leste da Polónia, a 28 de fevereiro de 2022.
Há pelo menos um milhão de deslocados na Ucrânia
Nos últimos seis dias cerca de 660.000 pessoas fugiram da Ucrânia para países vizinhos. Números estão a aumentar de forma "exponencial", disse esta terça-feira Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

"Apelo aos membros mais antigos e à liderança da UE que adotem o estatuto de país candidato para a Ucrânia2, exortou ainda Stefanchuk. O PE debate esta terça a situação na Ucrânia, numa sessão plenária extraordinária.

Parlamento Europeu apoia candidatura à UE 

A presidente do Parlamento Europeu apoiou a atribuição à Ucrânia do estatuto de candidato à União Europeia (UE), após a invasão russa, vincando querer "enfrentar o futuro" com o país e apoiando-o "na luta pela sobrevivência".

"Reconhecemos a perspetiva europeia da Ucrânia. Como a nossa resolução [que será hoje debate] afirma claramente, congratulamo-nos com a candidatura da Ucrânia ao estatuto de candidato [à UE] e, trabalharemos em prol desse objetivo", salientou Roberta Metsola.

Intervindo em Bruxelas na sessão plenária extraordinária da assembleia europeia dedicada aos confrontos na Ucrânia, devido à invasão russa do país na semana passada, a líder do Parlamento Europeu afincou: "Temos de enfrentar o futuro juntos".

Dirigindo-se ao Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que participou na ocasião com uma mensagem por videoconferência, Roberta Metsola assegurou que "a Europa está pronta a ir ainda mais longe", nomeadamente após as pesadas sanções impostas nos últimos dias. "Senhor presidente, estamos consigo na sua luta pela sobrevivência, neste momento negro da nossa história", assegurou a responsável.

De acordo com Roberta Metsola, a Ucrânia tem no Parlamento Europeu "um aliado, um espaço para se dirigir à Europa e ao mundo, e sempre, sempre, sempre um amigo". "O Parlamento Europeu tem uma longa e orgulhosa história de ser um espinho do lado dos autocratas e, nesse espírito, procurarei proibir qualquer representante do Kremlin de entrar nas instalações do Parlamento Europeu. Os agressores e belicistas não têm lugar na casa da democracia", concluiu.

Roberta Metsola defendeu ainda que, após os ataques russos na Ucrânia, "a Europa já não pode continuar a depender do gás do Kremlin" nem "pode acolher o dinheiro do Kremlin e fingir que não há compromissos2, devendo por seu lado "avançar para ter uma verdadeira União de segurança e defesa" e para "combater a campanha de desinformação" russa.

O Parlamento Europeu vai adotar ainda esta terça uma resolução sobre a "agressão russa contra a Ucrânia", ocasião na qual defenderá a concessão à Ucrânia do estatuto de país candidato à adesão. De acordo com o projeto do texto que irá a votos, ao qual a Lusa teve acesso e que já foi acordado entre as principais bancadas do Parlamento, os eurodeputados irão "exortar as instituições da UE a trabalharem no sentido de conceder à Ucrânia o estatuto de candidato à União Europeia, em conformidade com a artigo 49 do Tratado e com base no mérito".


Ucrânia assina pedido formal de adesão à União Europeia
Trata-se de um "momento histórico", afirma a página da presidência ucraniana.

A assembleia irá também defender que, "entretanto", prossiga o trabalho 2no sentido da integração [da Ucrânia] no Mercado Único da UE, de acordo com as linhas do acordo de associação2 existente. A resolução será votada após o debate no hemiciclo de Bruxelas.

Na segunda-feira, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, assinou o pedido formal para a entrada do país na UE, tendo Bruxelas recordado que "há um procedimento a respeitar", complexo e moroso.

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“A Comissão Europeia seguirá em frente neste caminho”, adiantou, anunciando ainda que informou Zelensky sobre “o desembolso de uma segunda tranche de cerca de 300 milhões de euros de assistência macrofinanceira à Ucrânia”.