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Secretário-geral da ONU preocupado com situação das mulheres e meninas face ao regresso dos talibãs
Mundo 3 min. 16.08.2021
Afeganistão

Secretário-geral da ONU preocupado com situação das mulheres e meninas face ao regresso dos talibãs

Afeganistão

Secretário-geral da ONU preocupado com situação das mulheres e meninas face ao regresso dos talibãs

Foto: AFP
Mundo 3 min. 16.08.2021
Afeganistão

Secretário-geral da ONU preocupado com situação das mulheres e meninas face ao regresso dos talibãs

Regresso dos talibãs ao poder põe em perigo os direitos readquiridos pela população do sexo feminino, nos últimos anos, mas também a sua segurança.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, revelou preocupação com as mulheres e meninas do Afeganistão, depois de os talibãs terem ocupado, este domingo, a capital, Cabul, tomado o poder e preparem-se para decidir o destino do país.

“O secretário-geral está particularmente preocupado com o futuro das mulheres e das meninas, cujos direitos duramente adquiridos devem ser protegidos”, disse a ONU este domingo num comunicado, citado pela agência Lusa.

O líder da ONU  apelou à  “à maior contenção” entre todas as partes afegãs, na sequência da entrada em Cabul dos extremistas islâmicos, e para que permitam que os trabalhadores humanitários tenham acesso ao país "sem entraves para fornecer em tempo útil uma assistência que é essencial para salvar vidas”.

De acordo com a Reuters, ao longo dos últimos dias os afegãos foram chegando a Cabul abandonando as zonas ocupadas pelos talibãs. Este domingo, os refugiados das províncias controladas pelos extremistas islâmicos foram vistos a chegar à capital em táxis, cheios de bagagem e a ficarem com as famílias à porta das embaixadas, enquanto o centro da cidade se enchia de gente para se abastecer de mantimentos.  Segundo a agência, centenas de pessoas dormiam amontoadas em tendas ou ao ar livre na cidade, à beira das estradas ou em parques de estacionamento. "Pode-se ver o medo nos seus rostos", afirmou um residente à Reuters.

Milhares de afegãos e cidadãos estrangeiros foram também tentando chegar ao aeroporto para sair do país, que se encheu nas últimas horas. Esta segunda-feira de manhã, porém, todos os voos comerciais foram cancelados.

Segundo os dados da  Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), até à passada sexta-feira, a ofensiva dos talibãs no Afeganistão, já tinha causado 3,3 milhões de deslocados no país.

Desde maio, altura em que se iniciou esta fase da ofensiva talibã e que começou com a retirada das tropas norte-americanas e da NATO do país - que deverá ficar concluída no final deste mês - foram contabilizados 250 mil deslocados, dos quais 80% são mulheres e crianças. A este número somam-se mais 150 mil pessoas que tiveram que abandonar as suas casas desde janeiro a maio.

“O número de vítimas nos conflitos é enorme”, afirmou o porta voz da ACNUR Shabia Mantoo , em conferência de imprensa, advertindo que o Afeganistão “está a caminho de sofrer o pior número anual de mortes de civis em conflito de que a ONU tem registo”.

No sábado, refere a Lusa, a organização Human Rights Watch (HRW) apelou aos governos estrangeiros que ajudem a sair do Afeganistão os civis em risco de serem perseguidos pelos talibãs e que suspendam “imediatamente” as deportações de quem fugiu do país.  

A organização defende que os governos estrangeiros presentes no Afeganistão "devem priorizar a emissão de vistos e ajudar a garantir a passagem segura de civis [afegãos] que os talibãs possam atacar por causa de seu trabalho ou estatuto anterior, juntamente com os seus familiares diretos".

Entre os civis em perigo, a organização não-governamental aponta todos aqueles que trabalharam no país "para promover os direitos humanos, a democracia e a educação; académicos, escritores, jornalistas e outros profissionais de média" assim como pessoas que trabalharam em países estrangeiros, avança a agência de notícias espanhola, Efe.

A organização também entende que estão em maior perigo os "membros de minorias étnicas e muçulmanos xiitas, particularmente os hazaras".

Alguns países europeus, onde se inclui Portugal, já mostraram disponibilidade para acolher refugiados afegãos. O Canadá anunciou estar disposto a receber 20 mil.

Os talibãs entraram ontem em Cabul, após terem tomado o controlo de 28 das 34 capitais provinciais em dez dias, e sem grande resistência das forças de segurança governamentais, no âmbito de uma grande ofensiva iniciada em maio.

  O Presidente afegão, Ashraf Ghani, reconheceu ontem à noite que os talibãs “ganharam”, algumas horas depois de ter fugido do país para, segundo disse, “evitar um banho de sangue”.  

com agências

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