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Salvar as florestas? Sim, podemos
Mundo 4 min. 02.11.2021 Do nosso arquivo online
COP26

Salvar as florestas? Sim, podemos

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Salvar as florestas? Sim, podemos

Foto: Schutterstock
Mundo 4 min. 02.11.2021 Do nosso arquivo online
COP26

Salvar as florestas? Sim, podemos

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
O primeiro acordo político de Glasgow foi assinado por mais de 100 líderes e promete restaurar as florestas da Terra até 2030. Boris Johnson referiu-se a ele como momento histórico.

Mais de 100 líderes, que representam os países com 86% das florestas mundiais, comprometeram-se a parar e reverter a desflorestação até 2030. A Declaração sobre florestas e uso das terras dos líderes em Glasgow é o primeiro compromisso político a sair da COP26 e é a primeira lufada de ar fresco depois de discursos muito desencorajadores durante o dia 1 de novembro. Portugal e o Luxemburgo também estão entre os signatários.


Greta Thunberg diz que liderança nas questões climáticas está na rua e não na cimeira de lideres
"Dizemos chega de 'blá, blá, blá', chega de exploração das pessoas, da natureza e do planeta; chega que o façam lá dentro", afirmou a ativista num evento à margem da COP26, em Glasgow.

No total, um conjunto de países e de instituições filantrópicas, prometem reunir cerca 19 mil milhões de dólares para ajudar a proteger as florestas no planeta. O acordo foi saudado, mas algumas associações ambientalistas já receiam que esta possa ser mais uma manifestação de “blá,blá, blá” – a expressão de Greta Thunberg que está a fazer história em Glasgow – e não ação urgente e real.  

As florestas absorvem cerca de um terço de todo o dióxido de carbono libertado para a atmosfera pela queima dos combustíveis fósseis. A cada minuto desaparece uma área de floresta equivalente a 27 campos de futebol.

Parar a desflorestação é visto como uma componente chave – mas não a única – na possibilidade de o aquecimento global se limitar a 1.5C. Sobretudo porque estudos recentes revelam que a Amazónia, responsável pelo equilíbrio do ciclo da água na América do Sul, e o maior sumidouro de dióxido carbono do mundo,  está em risco de chegar a um ponto de não retorno (“tipping point”), passando a libertar CO2 em vez de o absorver.

Entre os países que se comprometeram a parar o desmatamento para extração de matérias-primas encontra-se o Brasil - onde a Amazónia está em risco deixar de ser uma floresta tropical – e a Indonésia – que tem permitido o abate das florestas do Bornéu para a produção de óleo de palma. O Brasil é um signatário inesperado, uma vez que Bolsonaro tem incentivado a sobre exploração da Amazónia para os negócios de madeireiros e sobretudo para a exploração de gado bovino. O presidente brasileiro tem sido também acusado de promover o genocídio dos povos da Amazónia.

A Declaração de Glasgow sobre florestas é apresentada hoje, dia 2, numa cerimónia onde estará Boris Johnson, o Príncipe de Gales e os representantes das nações que assinam o documento.

No evento, segundo foi divulgado por Downing Street, o primeiro ministro britânico irá referir-se à declaração como um momento histórico para restaurar e proteger as florestas da Terra: “Com os compromissos sem precedentes de hoje, teremos uma chance de acabar com a longa história da humanidade como dominadora da natureza, e que, em vez disso, será a sua guardiã”.


Boris Johnson fez um discurso eloquente em que salientou que a situação que o planeta vive é semelhante ao clímax típico de um filme do espião 007.
O mundo está atado a uma bomba relógio como no 007. Só que isto não é um filme!
Boris Johnson diz que o mundo está a 1 minuto de se autodestruir, usa a expressão “blá,blá,blá” e quer ver em Glasgow o princípio do fim das alterações climáticas.

Ontem, dia 1 de novembro, Boris Johnson disse na abertura da cimeira de líderes que estava na altura de o mundo começar a desativar o aparelho apocalíptico a que está ligado e começar a tirar carbono da atmosfera.


O dinheiro para as florestas

Para o projeto de restaurar as florestas da Terra foi ainda prometido financiamento. Doze países  comprometeram-se a criar um fundo de 12 mil milhões de dólares entre 2021 e 2025 para, segundo o comunicado, “apoiar ações em países em vias de desenvolvimento, incluindo a restauração de terras degradadas, lutar contra os fogos florestais e garantir os direitos dos povos indígenas”. O setor privado mobilizou ainda uma soma adicional de 7.2 mil milhões de dólares.

Além das promessas dos países para contribuírem para ações de salvaguarda e restauro, CEO’s de mais de 30 instituições financeiras - que representam ativos de cerca 9 biliões de dólares -comprometeram-se a eliminar o investimento em atividades agrícolas ligadas à desflorestação.

Será ainda criada uma coligação entre instituições públicas e privadas, no valor de mil milhões de dólares, para apoiar países tropicais e subtropicais e para empresas que se comprometam a não aceitar, nas suas cadeias de abastecimento, produtos que levem à desflorestação

Na área do financiamento privado, nove bancos também aderiram ao projeto de reverter a desflorestação até 2030, com a promessa de levar em linha de conta o impacto nas florestas nos projetos que financiam. Os bancos prometeram valorizar a natureza em todos os seus investimentos. 

Comércio internacional

Os tratados de comércio internacional têm sido visto como um dos meios de parar ou incentivar a desflorestação. Em Glasgow, 28 países, que representam  75% do comércio global em mercadorias potencialmente ameaçadoras para a sobrevivência da floresta, assinaram uma declaração sobre florestas, agricultura e comércio, com um plano de reduzir a pressão sobre as florestas e aumentar a transparência das cadeias de abastecimento.

E dez companhias que negoceiam mais de metade do valor global em mercadorias de risco para as florestas - tal como a soja e o óleo de palma – anunciaram que na COP27 (que se realiza no Egito em 2022) irão apresentar um plano de ação que respeita o compromisso de manter as temperaturas mundiais na meta de 1.5C. 

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