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Ryanair suspende rotas que sobrevoam espaço aéreo bielorrusso
Mundo 2 min. 27.05.2021

Ryanair suspende rotas que sobrevoam espaço aéreo bielorrusso

Mulher com um cartaz que diz "Onde está Roman (Protasevich)?!" na zona de chegadas do aeroporto de Vilnius, o destino inicial do voo da Ryanair que foi forçado pelas autoridades biolerrussas a aterrar em Minsk para a detenção de um opositor ao regime de Lukashenko.

Ryanair suspende rotas que sobrevoam espaço aéreo bielorrusso

Mulher com um cartaz que diz "Onde está Roman (Protasevich)?!" na zona de chegadas do aeroporto de Vilnius, o destino inicial do voo da Ryanair que foi forçado pelas autoridades biolerrussas a aterrar em Minsk para a detenção de um opositor ao regime de Lukashenko.
Foto: AFP
Mundo 2 min. 27.05.2021

Ryanair suspende rotas que sobrevoam espaço aéreo bielorrusso

Lusa
Lusa
Companhia aérea viu um dos seus aviões ser forçado a aterrar em Minsk pelas autoridades bielorrussas para deter um jornalista e opositor ao regime de Lukashenko.

A companhia aérea irlandesa Ryanair confirmou na quarta-feira a suspensão das rotas que sobrevoam o espaço aéreo da Bielorrússia, em cumprimento das determinações da União Europeia (UE), após um dos seus aviões ter sido desviado no domingo para Minsk.

"Estamos a seguir a diretriz da UE e não há voos planeados para sobrevoar o espaço aéreo da Bielorrússia", disse hoje a companhia irlandesa, líder europeia no setor de baixo custo, num breve comunicado.

No domingo, um avião da Ryanair, que fazia a rota Atenas-Vilnius, foi desviado para Minsk devido a uma alegada suspeita de bomba. A bordo da aeronave estavam o ativista bielorrusso Román Protasevich e a sua companheira, que foram detidos pelas autoridades bielorrussas.

Os líderes europeus, reunidos em Bruxelas, decidiram na segunda-feira pedir às companhias aéreas europeias que evitem o espaço aéreo bielorrusso, enquanto banem as transportadoras da Bielorrússia na Europa, exigindo ainda mais sanções contra o regime de Lukashenko.

Nessa tomada de posição, os 27 exigiram ainda uma "investigação urgente" por parte da Organização da Aviação Civil Internacional ao incidente, bem como a "libertação imediata" de Roman Protasevich e da sua namorada, Sofia Sapéga, também detida no domingo no mesmo voo.


Várias companhias aéreas deixam de voar no espaço aéreo bielorrusso
Depois das sanções da União Europeia, em resposta à aterragem forçada de um avião da Ryanair pela Bielorrússia, a lista de companhias aéreas que se recusam a sobrevoar país está a aumentar.

Várias companhias aéreas, incluindo a Air France, a Singapore Airlines, a holandesa KLM e a finlandesa Finnair, anunciaram que vão suspender o sobrevoo do espaço aéreo da Bielorrússia pelas suas aeronaves. A alemã Lufthansa, a escandinava SAS e a letã airBaltic fizeram o mesmo na segunda-feira.

Também a Ucrânia anunciou a suspensão de todos os voos de e para a Bielorrússia, encerrando o espaço aéreo do país vizinho para as suas companhias aéreas. A Lituânia anunciou também que vai proibir voos, de ou para o seu território, que cruzem o espaço aéreo bielorrusso.

Cerca de 2.000 aviões por semana efetuam voos comerciais que atravessam o espaço aéreo bielorrusso, segundo a organização Eurocontrol. Vários países e organizações internacionais condenaram a ação das autoridades bielorrussas, que alegaram ter agido dentro da legalidade ao intercetar o voo comercial da Ryanair.

Roman Protasevich foi diretor dos canais Telegram Nexta e Nexta Live, que se tornaram as principais fontes de informação nas primeiras semanas de protestos antigovernamentais após as eleições presidenciais de agosto de 2020 na Bielorrússia.


Aterragens forçadas por motivos políticos, uma prática mais comum do que se pensa
A aterragem forçada do avião de passageiros que transportava o opositor bielorrusso Roman Protasevich no domingo surpreendeu o mundo mas esta não é uma prática inédita. O Contacto recorda vários episódios em que governos desviaram aviões para deter dissidentes.

As presidenciais deram a vitória ao Presidente Alexander Lukashenko, com 80% dos votos, no poder há 26 anos, o que é contestado pela oposição e não é reconhecido pela UE. Perante um vasto movimento de protesto contra a sua reeleição, Lukashenko orquestrou uma campanha de repressão contra a oposição e os meios de comunicação independentes do país. 

Desde o início dos protestos na antiga república soviética, centenas de jornalistas foram detidos e cerca de 20 estão ainda presos. Em outubro de 2020, a UE avançou com sanções contra Lukashenko, reforçando as medidas restritivas adotadas contra repressores das manifestações pacíficas no país.

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