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Rússia, Ucrânia e UE não fecham portas ao diálogo mas Kremlin mantém condições
Mundo 3 min. 25.02.2022 Do nosso arquivo online
Invasão russa

Rússia, Ucrânia e UE não fecham portas ao diálogo mas Kremlin mantém condições

Invasão russa

Rússia, Ucrânia e UE não fecham portas ao diálogo mas Kremlin mantém condições

Foto: AFP
Mundo 3 min. 25.02.2022 Do nosso arquivo online
Invasão russa

Rússia, Ucrânia e UE não fecham portas ao diálogo mas Kremlin mantém condições

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
O ministro russo dos Negócios Estrangeiros afirmou hoje que a Rússia está disposta a negociar com a Ucrânia se esta depuser as armas. Macron defende diálogo, mas acusa Putin de "duplicidade".

A Rússia está pronta para negociações com Kiev se a Ucrânia "depuser as armas", afirmou na sexta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo Sergei Lavrov. 

"Estamos prontos para negociações em qualquer altura, assim que as forças armadas ucranianas ouvirem o nosso apelo e depuserem as armas", afirmou o ministro russo, numa conferência de imprensa, esta amanhã, um dia depois do início da ofensiva russa na Ucrânia.


Os militares russos aproximaram-se esta sexta-feira de Kiev e foram ouvidos tiros no centro da capital ucraniana.
Tiros ouvidos no centro. Blindados russos nos arredores de Kiev
As forças russas tomaram esta quinta-feira o aeroporto militar Antonov, em Hostomel, nos arredores de Kiev, depois de um violento ataque com helicópteros.

Lavrov negou que a Rússia tenha atingido edifícios civis e reiterou que o país quer libertar a Ucrânia da "desnazificação" e que irá parar os ataques se o país se desmilitarizar, numa altura em que as tropas russas em Kiev. 

O ministro russo reforçou ainda o que afirmou ontem, de estar pronto para voltar aos princípios da Carta das Nações Unidas. "Realizámos debates tensos e pormenorizados com os nossos colegas americanos e com outros membros da NATO. Esperamos que ainda haja uma oportunidade de regressar ao direito internacional e aos compromissos internacionais", disse Lavrov numa reunião com o seu homólogo paquistanês Shah Mahmood Qureshi, esta quinta-feira, citado pela agência de notícias russa TASS.

Zelensky. "Rússia terá de falar connosco mais cedo ou mais tarde"

Antes da conferência de imprensa desta manhã do ministro russo, o presidente ucraniano disse que "mais cedo ou mais tarde" a Rússia terá de "falar" com a Ucrânia para pôr fim aos combates.

"A Rússia terá de falar connosco, mais cedo ou mais tarde. Para falar sobre como parar os combates e travar a invasão. Quanto mais cedo esta conversa começar, menores serão as perdas para a própria Rússia", defendeu Volodymyr Zelensky  num discurso televisivo dirigido à nação ao início desta manhã.


Presidente ucraiano Volodymyr Zelensky
Ucrânia sozinha. "As forças mais poderosas do mundo estão a observar de longe", lamenta Zelensky
"Nós defendemos o nosso Estado sozinhos", disse o presidente ucraniano esta sexta-feira, considerando que as sanções não são suficientes.

Ao mesmo tempo, elogiou o "heroísmo" dos ucranianos face ao avanço russo. "Os nossos rapazes e raparigas, todos os defensores da Ucrânia, não permitiram que o inimigo executasse o plano operacional da invasão no primeiro dia", disse o chefe de Estado, que mobilizou a população para os combates contra as forças russas, que segundo Zelensky "começaram a bombardear áreas civis".  "Isto faz-nos lembrar [a ofensiva nazi em] 1941", acusou.

 Macron defende diálogo, mas denuncia duplicidade de Putin  

Também o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou, esta sexta-feira, que seria útil "deixar o caminho aberto" para o diálogo com Moscovo, para travar a ofensiva na Ucrânia. No entanto, criticou a "duplicidade" de Vladimir Putin.

Em Bruxelas, o líder da França, que é o país que assume a presidência da UE neste momento, disse ter tido uma "troca franca, direta e rápida" com Vladimir Putin na quinta-feira, tendo exigido "o fim dos combates o mais depressa possível" e pedido ao Presidente russo "que fale" com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

"Penso que é minha responsabilidade (...) condenar, enquanto sanciono, enquanto continuo a agir, deixar este caminho aberto para que no dia em que as condições possam ser cumpridas, possamos obter uma cessação das hostilidades", sustentou.


O presidente da Rússia, Vladimir Putin.
Guerra na Ucrânia. Quais são as sanções da UE para travar Putin?
Já com a guerra total na Ucrânia, e Kiev bombardeada, as medidas do ocidente são cobardes, acusam líderes do país.

No entanto, Macron lamentou a "duplicidade" de Vladimir Putin, com quem discutiu vias diplomáticas e conversações pouco antes da Rússia ter decidido invadir a Ucrânia.

"Ainda estávamos a discutir os pormenores da implementação dos acordos de Minsk. Portanto, sim, houve duplicidade, houve uma escolha deliberada e consciente do Presidente Putin para lançar a guerra quando ainda podíamos negociar a paz", salientou.

Para o chefe de Estado francês devem retirar-se "todas as conclusões da escolha do presidente Putin de destabilizar a história europeia e trazer-nos de volta à lógica do império e do confronto, para desrespeitar todos os princípios que regem o direito internacional".

(Com agências)

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Zelensky explicou que as negociações com Moscovo são complicadas porque "todos os dias os russos ocupam aldeias, muitas pessoas deixaram as casas, foram mortas pelos russos" e os cidadãos ucranianos estão a sofrer "torturas e assassínios".