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Rússia suspende fornecimento de gás à Finlândia
Mundo 3 min. 22.05.2022
Guerra Ucrânia

Rússia suspende fornecimento de gás à Finlândia

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Rússia suspende fornecimento de gás à Finlândia

AFP
Mundo 3 min. 22.05.2022
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Rússia suspende fornecimento de gás à Finlândia

AFP
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Desde sábado que a empresa russa "cortou definitivamente" a entrega de gás natural ao país vizinho. Pedido de adesão à Nato pela Finlândia é "um erro grave", diz Rússia.

A Rússia suspendeu o fornecimento de gás natural à vizinha Finlândia desde sábado, depois de o país ter recusado pagar ao fornecedor Gazprom em rublos e do pedido de adesão à Nato. 

 Não tendo recebido o pagamento em rublos da empresa energética estatal finlandesa Gasum até à data limite de 20 de Maio, a Gazprom "interrompeu completamente o fornecimento de gás", disse o gigante russo da energia em comunicado. 

 Após o início da operação militar russa na Ucrânia a 24 de Fevereiro e a imposição de sanções ocidentais, o Presidente russo Vladimir Putin tinha exigido a 31 de Março que os compradores de gás russo de países "hostis" pagassem em rublos a partir de contas na Rússia ou corressem o risco de serem cortados nos fornecimentos. 

 A lista de "países não amigos", publicada no início de Março, inclui os Estados Unidos, membros da União Europeia, o Reino Unido, Canadá, Japão, Suíça, Taiwan, Coreia do Sul, Noruega e Austrália. 

 Os Estados da UE são os principais consumidores de gás russo. "A partir de 1 de Abril, os pagamentos de gás devem ser efetuados em rublos utilizando novos dados bancários, dos quais os parceiros foram informados em tempo útil", justificou a Gazprom. 

A empresa de energia Gasum em Imatra, Filândia.
A empresa de energia Gasum em Imatra, Filândia.
AFP

"Chantagem"

 No final de Abril, o gigante russo já tinha suspendido os fornecimentos de gás à Bulgária e à Polónia, explicando que estes dois países da UE não tinham efetuado pagamentos em rublos. "Chantagem", diz a União Europeia.

A Gazprom diz que terá fornecido 1,49 mil milhões de metros cúbicos de gás natural à Finlândia até 2021, ou dois terços do consumo do país nórdico. No entanto, o gás natural é responsável por apenas 8% da energia consumida na Finlândia. 

 A empresa finlandesa Gasum explicou que vai passar a usar o gasoduto Balticconnector, que liga a Finlândia à Estónia. 

 "É muito lamentável que a entrega contratual de gás natural tenha sido suspensa. Contudo, temos tido o cuidado de nos prepararmos para esta situação", disse o CEO da Gasum, Mika Wiljanen, numa declaração de sexta-feira à noite, anunciando a iminente mudança russa. 

 "Não haverá cortes na rede de distribuição de gás", disse. Gasum, que rejeita a exigência de pagamento em rublos, anunciou na terça-feira que ponderava levar o caso à justiça. A Gazprom Export afirmou estar pronta a defender os seus interesses em tribunal por todos os "meios disponíveis". 

"É óbvio que ninguém vai entregar nada de graça", declarou o porta-voz presidencial russo Dmitry Peskov, à imprensa na sexta-feira. 

A Finlândia já revelou planos para prescindir do gás russo no próximo Inverno, anunciando um arrendamento de dez anos com a vizinha Estónia para um terminal flutuante de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL). 

O presidente russo Vladimir Putin.
O presidente russo Vladimir Putin.
AFP

"Erro grave"  

 Na semana passada, a Rússia já tinha suspendido o fornecimento de eletricidade à Finlândia depois de a sua empresa de energia RAO Nordic ter reclamado pagamentos em atraso de Helsínquia. O operador finlandês da rede elétrica Fingrid declarou à AFP que pode prescindir da eletricidade russa, responsável por cerca de 10% do consumo do país. 

 A Finlândia, que partilha cerca de 1.300 km de fronteiras com a Rússia, e a vizinha Suécia na quarta-feira candidataram-se à adesão à NATO, apesar de durante décadas, especialmente durante a Guerra Fria, ambos os países terem escolhido o não-alinhamento. 


António Costa e Volodymyr Zelensky na conferência de imprensa deste sábado, em Kiev.
Portugal disponível para reconstruir escolas na Ucrânia
O primeiro-ministro António Costa que está de visita a Kiev ofereceu também a Zelensky apoio técnico na adesão da Ucrânia à UE.

 A reviravolta é o resultado da ofensiva russa na Ucrânia, com Moscovo a ser vista como uma ameaça. A Rússia disse ter lançado o seu ataque à Ucrânia tanto para impedir um alegado genocídio das populações de língua russa, como a expansão da NATO, que Moscovo vê como uma ameaça existencial. 

 O vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros Sergei Ryabkov chamou às candidaturas sueca e finlandesa "um erro grave" com "consequências de grande alcance". Em resposta, Moscovo já anunciou que irá criar doze novas bases militares na parte ocidental do país. 

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