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Rússia realiza exercício militar com disparo simulado de mísseis nucleares
Mundo 8 min. 05.05.2022
Guerra na Ucrânia

Rússia realiza exercício militar com disparo simulado de mísseis nucleares

Viaturas militares com mísseis russos em direção à Praça Vermelha para um ensaio do desfile militar do Dia da Vitória, no centro de Moscovo.
Guerra na Ucrânia

Rússia realiza exercício militar com disparo simulado de mísseis nucleares

Viaturas militares com mísseis russos em direção à Praça Vermelha para um ensaio do desfile militar do Dia da Vitória, no centro de Moscovo.
Foto: Kirill Kudryavtsev/AFP
Mundo 8 min. 05.05.2022
Guerra na Ucrânia

Rússia realiza exercício militar com disparo simulado de mísseis nucleares

Lusa
Lusa
O Exército russo realizou um exercício militar onde simulou o disparo de mísseis com capacidade nuclear no enclave russo de Kaliningrado, entre a Polónia e a Lituânia, revelou na quarta-feira o Ministério da Defesa da Rússia.

As manobras militares neste enclave no mar Báltico, entre a Polónia e a Lituânia, países membros da União Europeia (UE), consistiram numa simulação de "lançamentos eletrónicos" de sistemas de mísseis balísticos móveis Iskander, com capacidade nuclear.

Em comunicado, o Ministério da Defesa russo referiu que as forças russas realizaram ataques únicos e múltiplos contra alvos que simulavam zonas de lançamento de sistemas de mísseis, aeródromos, infraestruturas protegidas, equipamento militar e postos de comando de um inimigo fictício.

Após terem efetuado os disparos "eletrónicos", os militares realizaram uma manobra de mudança de posição, de forma a evitar "um possível ataque de retaliação", pode ler-se.


Aviões militares sobrevoam o centro de Moscovo durante um ensaio para o desfile do Dia da Vitória, celebrado a 9 de maio pela Rússia
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De acordo com os serviços de informação ucranianos, o diretor-adjunto da administração presidencial russa está na cidade para preparar o desfile.

As unidades de combate também praticavam "operações em condições de radiação e contaminação química". O exercício militar envolveu mais de 100 soldados, acrescentou Moscovo.

O anúncio deste teste militar ocorreu no 70.º dia da invasão russa da Ucrânia, que já resultou em milhares de mortos e causou a maior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com mais de 13 milhões de pessoas deslocadas.

Desde o início da "operação militar" que o Presidente russo, Vladimir Putin, tem produzido ameaças onde sugere estar disposto a implantar armas nucleares táticas.

A Rússia colocou as suas forças nucleares em alerta máximo logo após enviar tropas para a Ucrânia, em 24 de fevereiro. Putin alertou para uma retaliação "rápida como um relâmpago" em caso de intervenção direta do Ocidente no conflito ucraniano.

Segundo observadores, nos últimos dias a televisão estatal russa tentou tornar o uso de armas nucleares mais aceitável para o público. "Há duas semanas que ouvimos na televisão que os silos nucleares devem ser abertos", sublinhou na terça-feira Dimitri Muratov, editor de um jornal independente russo e Prémio Nobel da Paz 2021.


António Costa aceita convite para ir a Kiev
O primeiro-ministro, António Costa, confirmou que vai encontrar-se com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Kiev, em data ainda a acertar.

Informações de Washington permitiram a Kiev matar generais russos

O jornal norte-americano The New York Times noticiou que as informações fornecidas pelos serviços secretos dos Estados Unidos aos militares ucranianos levaram à morte de vários generais russos perto da linha da frente.

O diário, que citou fontes não identificadas dos serviços secretos norte-americanos, escreveu, na quarta-feira, que as informações incluíram "determinar a localização e outros detalhes do quartel-general móvel do exército russo, que se desloca regularmente".

De acordo com responsáveis, esta informação, combinada com a dos ucranianos e, em particular a interceção de comunicações, permitiu a estes últimos efetuar ataques de artilharia contra altas patentes russas. O jornal indicou que as fontes não quiseram avançar um número.


Alexander Lukashenko, o presidente bielorrusso.
Bielorrússia anuncia realização de exercícios militares
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já acusou várias vezes o regime de Minsk de cumplicidade com a Rússia na invasão do território ucraniano, desde 24 de fevereiro.

Contactado pela agência de notícias France-Presse (AFP), o Pentágono não respondeu imediatamente.  Os ucranianos têm repetidamente afirmado que mataram generais russos no terreno desde do início da invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro.

No início de março, o município da cidade de Novorosiisk, no sul da Rússia, confirmou a morte na Ucrânia do general Andrei Sukhovetsky, comandante adjunto do 41.º Exército.

A assistência dos serviços secretos dos EUA à Ucrânia, que Washington não revela, vem juntar-se aos milhares de milhões de dólares de equipamento militar entregue - de forma mais transparente - ao exército de Kiev, incluindo armas antitanque, munições e, mais recentemente, artilharia pesada, helicópteros e 'drones' (aparelhos aéreos não tripulados).

A 25 de abril, o chefe do Pentágono, Lloyd Austin, disse que o objetivo dos EUA era "ver a Rússia enfraquecida ao ponto de não poderem fazer o tipo de coisas que fizeram na invasão da Ucrânia".

Rússia anuncia cessar-fogo de três dias em Azovstal para retirar civis

A Rússia anunciou na noite de quarta-feira um cessar-fogo de três dias no complexo metalúrgico de Azovstal, na cidade portuária ucraniana de Mariupol, abrindo um corredor humanitário para retirar civis.

"As forças armadas russas vão abrir um corredor humanitário das 8h às 18h, horário de Moscovo [das 7 às 17, horário do Luxemburgo] nos dias 5, 6 e 7 de maio do local da fábrica metalúrgica de Azovstal para retirar civis", adiantou o Ministério da Defesa russo em comunicado.

"Durante este período, as forças armadas russas e as unidades da República Popular de Donetsk [proclamada pelo Kremlin e pelos separatistas pró-russos] vão cessar-fogo e as hostilidades unilateralmente", acrescentou.


A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, considera que é preciso aumentar a pressão contra a Rússia.
Comissão Europeia propõe cinco novas sanções à Rússia e um renascer da Ucrânia
Ursula von der Leyen anunciou embargo ao petróleo russo e corte de todo o sistema financeiro do SWIFT, medidas contra indivíduos que participaram nos massacres na Ucrânia e exclusão das emissões de todos os órgãos de informação oficiais russos no território da UE.

Os civis que se refugiaram na fábrica vão poder chegar à Rússia ou aos territórios sob o controlo de Kiev, segundo o texto.

No início do dia, o presidente da Câmara Municipal de Mariupol, Vadim Boïtchenko, afirmou que "ataques violentos" estavam em progresso, embora Moscovo tenha garantido não invadir a metalúrgica.

Por seu lado, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu ao secretário-geral da ONU, António Guterres, que ajude a "salvar" feridos em Azovstal.

Hoje, as tropas russas entraram no recinto do complexo industrial siderúrgico de Azovstal, na cidade ucraniana cercada de Mariupol, segundo o deputado e negociador ucraniano com a Rússia David Arahamiya, em declarações ao portal Ukrinform.

"As tropas [russas] já estão em território da empresa", disse o chefe da delegação negocial ucraniana, indicando que as autoridades do país continuam em contacto com as tropas que resistem no complexo industrial novamente sob fogo russo. Pouco antes, o presidente da câmara de Mariupol, Vadym Boychenko, tinha afirmado na televisão ucraniana que tinha sido perdido o contacto com os resistentes.

O Estado-Maior ucraniano, por seu lado, tinha anunciado que o exército russo iniciara hoje uma nova ofensiva, com apoio aéreo, para tentar tomar o controlo das instalações da siderurgia, onde estão refugiadas centenas de civis.

"Prosseguem o cerco e as tentativas para derrotar as nossas unidades do complexo de Azovstal. Em alguns pontos, os ataques contam com o apoio aéreo, com o objetivo de tomar o controlo da siderurgia. Sem êxito", declarou o Estado-Maior num comunicado.

A câmara de Mariupol também alertou sobre estes novos ataques, recordando que naquele local continuam refugiadas centenas de civis, entre os quais 30 crianças, à espera de serem de lá retirados pelas equipas das agências humanitárias.

As autoridades ucranianas tentaram estabelecer hoje quatro pontos de recolha de cidadãos em Mariupol, mas advertiram de que a situação da segurança é "muito difícil", nas palavras da vice-primeira-ministra, Iryna Vereshchuk.

Segundo Kiev, entre as ruínas da cercada cidade portuária do sudeste da Ucrânia, há mais de 10 mil habitantes sem água, comida, medicamentos e eletricidade.

Retirados mais 300 civis de Mariupol em operação da ONU e Cruz Vermelha

Mais de 300 civis foram retirados na quarta-feira da cidade ucraniana de Mariupol e comunidades vizinhas e receberão agora assistência humanitária em Zaporijia, numa operação levada a cabo pelas Nações Unidas e pela Cruz Vermelha na Ucrânia, informaram fontes oficiais.

De acordo com a coordenadora humanitária das Nações Unidas para a Ucrânia, Osnat Lubrani, muitas destas pessoas conseguiram sair apenas com as roupas que levavam no corpo e receberão apoio psicológico.

"Uma nova operação de passagem segura para retirar civis retidos em Mariupol e outras comunidades foi hoje concluída. Mais uma vez, a nossa equipa das Nações Unidas e colegas do Comité Internacional da Cruz Vermelha trabalharam juntos para resgatar as pessoas que queriam deixar em segurança as áreas em situação de hostilidade, com o acordo das partes em conflito", disse a coordenadora, citada em comunicado.


Vladimir Putin
Putin diz a Macron que ocidente deve deixar de fornecer armas à Ucrânia
O presidente francês Emmanuel Macron realizou uma chamada de duas horas com o presidente russo, esta terça-feira. Papa Francisco quer reunião com líder russo para tentar intermediar o fim da guerra.

"Mais de 300 civis de Mariupol, Manhush, Berdiansk, Tokmak e Vasylivka estão agora a receber assistência humanitária em Zaporijia. Muitos vieram com nada além das roupas que vestiam, e agora vamos apoiá-los nesse momento difícil, inclusive com acompanhamento psicológico muito necessário", acrescentou Osnat Lubrani.

Estas cerca de 300 pessoas somam-se aos mais de 100 civis que foram retirados na terça-feira de Mariupol, que se refugiavam, maioritariamente, no complexo industrial siderúrgico de Azovstal.

Ainda de acordo com Osnat Lubrani, embora esta segunda retirada de civis de áreas em Mariupol "seja significativa", muito mais deve ser feito para garantir que todos os civis envolvidos em combates possam sair, na direção que desejarem.

"O nosso trabalho com as partes para garantir a passagem segura de civis continuará", concluiu a responsável da ONU.

A Rússia iniciou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar o país vizinho para segurança da Rússia -, condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

Cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia, e a guerra, que entrou hoje no 70.º dia, causou até agora a fuga de mais de 13 milhões de pessoas, mais de 5,5 milhões das quais para os países vizinhos, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que a classifica como a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Segundo o último balanço da ONU, 3.238 civis morreram e 3.397 ficaram feridos, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a cidades cercadas ou a zonas até agora sob intensos combates.

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